Acervo Histórico do Livro Escolar - AHLE

O ACERVO HISTÓRICO DO LIVRO ESCOLAR é formado pelo conjunto de livros escolares das antigas bibliotecas públicas infantis da cidade de São Paulo.

Com 5 mil volumes, o Acervo é composto por cartilhas, manuais escolares de todas as matérias de ensino, antologias literárias e livros de referência de uso escolar, entre outros, do século XIX até a década de 1980 e abrange os cursos primários, os secundários, os de formação de professor e o ensino técnico.
O Acervo está localizado na Biblioteca Infantojuvenil Monteiro Lobato, equipamento da Secretaria Municipal de Cultura de São Paulo.

Neste blog serão publicadas informações sobre esse acervo.


Seja bem-vindo.







Mostrando postagens com marcador literatura infantil de uso escolar. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador literatura infantil de uso escolar. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

Viriato Corrêa: literatura e educação



Viriato Corrêa (1884-1967), reconhecido escritor e jornalista, além de literatura, escreveu livros de uso escolar. (1) Foram vários os escritores que se dedicaram a escrever livros didáticos ou paradidáticos para crianças.  Da mesma forma, os primeiros livros de literatura infantil usados nas escolas foram escritos por professores. Além dos ensinamentos próprios, esses livros traziam histórias exemplares, lições de moral e de comportamento.
Um dos livros mais célebres do Viriato é Cazuza, no qual retrata aspectos da educação escolar dos anos de 1930. Para quem usa literatura como uma das fontes de pesquisa para a História da Educação, esse livro é, entre outros, uma rica referência..
Viriato Corrêa tem muitos livros de História do Brasil ilustrados por Belmonte, famoso ilustrador de livros de literatura. Belmonte ficou conhecido como um dos principais ilustradores da obra infantil de Monteiro Lobato.
É interessante notar que Viriato enfatizava em seus livros para crianças a importância das ilustrações, recurso usado principalmente a partir dos anos de 1930. No preâmbulo do livro História do Brasil para crianças, de 1934 (o AHLE possui a edição de 1952) o autor assim se expressa:

Às crianças só interessa o que é vistoso (...). O aspecto filosófico produz-lhes enfado e sonho. Neste livro procura-se dar as crianças apenas a superfície vistosa da história brasileira.

Muitos dos livros de Viriato ou outros escritores foram usados como leituras cívicas. Um exemplo é o livro Contos da História do Brasil (para uso das escolas), de 1921. Nele o autor, dirigindo-se ao leitor, explica que adotou a classificação por períodos históricos de Sylvio Romero, pois classificações facilitam o entendimento da criança. Assim o livro é escrito em ordem cronológica dos acontecimentos desde o Descobrimento até a República, dividido em cinco episódios.
O AHLE mantém vários livros de escritores que se dedicaram também a escrever livros de ensinamentos para as crianças.
Outros livros do AHLE de Viriato Correa: As belas histórias do Brasil, de 1947, Cia Ed Nacional com ilustrações de Manuel Vitor de Azevedo Fo. e Curiosidades da História do Brasil, de 1952.


(2)





Notas


(1) Um trabalho bem abrangente sobre Viriato: Literatura Infantil, história e educação: um estudo da obra de Viriato Corrêa foi Dissertação de Mestrado da Faculdade de Educação da UNICAMP escrita por Ana Elisa de Arruda Penteado em 2002. Atualmente a autora doutorou-se em Educação.

(2) História do Brasil para crianças. p. 42. Ilustração retratando Pedro Álvarez Cabral.

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

Olavo Bilac e livros escolares




Bilac (1865-1918) nasceu no RJ e é reconhecido poeta brasileiro. Produziu crônicas, foi jornalista e membro-fundador da Academia Brasileira de Letras, em 1896. Afinal quem não se lembra da abertura do soneto Língua Portuguesa - Última flor do Lácio, inculta e bela - ? Mas o “príncipe dos poetas brasileiros” dedicou-se também a livros para crianças com fundo didático. Literatura para crianças e livros escolares andaram juntos nas primeiras décadas do século 20 e foram comuns livros de leitura para o aprendizado da língua e ao mesmo tempo, de fundo moralizante, com histórias exemplares ou conteúdo formador de padrões de comportamento.
Com efeito, impulsionado pelo patriotismo Bilac escreveu livros voltado para o público infantil, de conteúdo cívico, como Contos Pátrios (para as crianças), em 1904, com ilustração de Vasco Lima e em parceria com Coelho Neto e Pátria Brazileira – a Educação Moral e cívica para os alunos das escolas primárias, 1ª ed. de 1911, também com Coelho Neto.
O civismo no período de Bilac era o da pós república, onde elementos da cultura nacional e dos símbolos da pátria foram difundidos.

Entre outros livros, Poesias Infantis, de 1924, tem prefácio em que o autor destaca que é livro destinado às escolas primárias do Brasil, com versos simples para contribuir com a educação moral das crianças.
O livro em questão foi encomendado pela Alves e Cª (Editora Fco. Alves) para uso das aulas de instrução primária.
Theatro Infantil – comédias e monólogos em prosa e verso, de 1926, em parceria com Coelho Neto; Tratado de versificação a poesia no Brasil e métrica, os gêneros literários, com Guimarães Passos e Através do Brasil (narrativa) prática de língua portuguesa, com Manoel Bomfim, são outros livros que traduzem a preocupação pedagógica de Bilac na sua produção para o público infantil.
Os livros citados estão disponíveis no ACERVO HISTÓRICO DO LIVRO ESCOLAR – AHLE, nem sempre as primeiras edições.
Outros livros do que poderíamos chamar de literatura pedagógica fazem parte do Acervo.