Acervo Histórico do Livro Escolar - AHLE

O ACERVO HISTÓRICO DO LIVRO ESCOLAR é formado pelo conjunto de livros escolares das antigas bibliotecas públicas infantis da cidade de São Paulo.

Com 5 mil volumes, o Acervo é composto por cartilhas, manuais escolares de todas as matérias de ensino, antologias literárias e livros de referência de uso escolar, entre outros, do século XIX até a década de 1980 e abrange os cursos primários, os secundários, os de formação de professor e o ensino técnico.
O Acervo está localizado na Biblioteca Infantojuvenil Monteiro Lobato, equipamento da Secretaria Municipal de Cultura de São Paulo.

Neste blog serão publicadas informações sobre esse acervo.


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terça-feira, 13 de julho de 2010

ANTOLOGIAS LITERÁRIAS

(1)
Um acervo com cinco mil volumes exige, além do trabalho mais técnico de permanente organização, atualização da planilha de acesso, verificação e incorporação de doações, o atendimento ao público em geral e ao pesquisador no próprio acervo ou por emeio, instrumento eficaz que diminui distâncias e facilita a comunicação.
São feitas também pesquisas constantes com o objetivo de agregar informações ao ACERVO HISTÓRICO DO LIVRO ESCOLAR - AHLE, trabalho gratificante, principalmente para quem tem formação na área da Educação e sabe da importância dos estudos históricos para a apreensão do presente.
Em uma dessas investidas conheci uma tese de doutoramento: O espelho da nação: a antologia nacional e o ensino de português e de literatura (1838-1971), de autoria de Marcia de Paula Gregório Razzini, da Faculdade de Letras da UNICAMP, na área de Teoria Literária, defendida em 2000.

Esse trabalho trata da Antologia Nacional (1895-1969) de Fausto Barreto e Carlos de Laet, uma seleta escolar usada durante mais de setenta anos. A tese é um esforço de sistematização da história do ensino de português e de literatura brasileira na escola secundária, e segundo a autora, toma como referência os Programas de Ensino do Colégio Pedro II (escola secundária padrão) e a legislação vigente.
O AHLE mantém um volume dessa antologia de 1955. (2).
O que é uma antologia? Segundo o dicionário HOUAISS, antologia foi utilizada originalmente pela botânica, como ação de colher flores. Talvez aí o sinônimo “florilégio” para designar antologias literárias: coleção de trechos literários, geralmente de autores consagrados, organizados segundo determinado critério.
São várias as antologias que o AHLE resguarda. Exemplares do Napoleão Mendes de Almeida, por exemplo, consagrado autor de livros escolares e conhecido por diversas gerações.





(1) RIBEIRO, Wagner. Antologia Luso-Brasileira. S.Paulo, F.T.D., 1967.
(2) BARRETO, F. e LAET, C. Antologia Nacional. Rio de Janeiro, Francisco Alves, 1955.

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

Significar o guardado



Um dos livros mais antigos do ACERVO HISTÓRICO DO LIVRO ESCOLAR - AHLE
ANDRADE, Maria Guilhermina L. de. Primeiro Livro de Leitura. Rio de Janeiro. Ed. American Book Company , 1894.
AHLE - Um ano do blog

O tempo passa rápido. Expressão corriqueira que me inspira para relatar sobre a experiência deste Blog. Já um ano? Contraditoriamente o tempo seleciona. Por que? Para quem trabalha com a preservação de fontes para a pesquisa, o tempo quase sempre é atributo.
Em relação ao livro escolar, objeto central deste Blog, duas considerações sobre esse material: primeira, livros escolares são raros porque são descartados e com isso, raros porque escassos. Segunda, raros porque antigos? Não é bem assim. Não é só a antiguidade uma qualidade, mas também a forma, o conteúdo e o que representa a fonte de pesquisa.
Revisitei algumas definições para compreender melhor o significado deste acervo.(1) Desse modo, no exame do conceito de “acervo”, palavra de origem latina que significa acumulação e muitas vezes referenciada como velharia, vem a idéia de passado, da acumulação de indícios, que se materializam em documentos, em bens ou em patrimônio. A quantidade é uma das variantes a que se submete o acervo que compõe os arquivos, as bibliotecas, os museus e os centros de documentação, onde encontramos um conjunto desses indícios, identificado com o que denominamos fontes de pesquisa.
Por outro lado, o termo “fonte” está associado à origem, à procedência, a fonte de consulta que fornece informações. Na filologia, área do conhecimento que privilegia o estudo de documentos escritos antigos, fonte é termo identificado como texto ou documento original. As fontes de pesquisas e as discussões em torno da especificidade desses documentos fazem parte de estudos como o de RODRIGUES (2) (1969, p.143), que nos informa sobre os instrumentos dos trabalhos históricos, classificando-os em fontes primárias ou originais, como aquelas que contém informações de testemunho direto dos fatos e fontes secundárias ou derivadas, que contém uma informação colhida por terceiros. Nesse sentido, o livro escolar pode ser fonte primária ou secundária de pesquisa, de acordo com o seu conteúdo.
Como usar essas fontes? Os livros escolares expressam idéias e assim, precisam ser historicizados, ou seja, entendidos a luz do contexto em que foram produzidos. Os textos deste Blog apresentaram, mesmo que de forma breve, essa preocupação.
O Blog teve treze textos ao longo de 2009. Fora o de abertura, os outros foram temáticos e descritivos com o objetivo de divulgar certas especificidades do ALHE. O próprio trabalho de pesquisa para essa divulgação, o atendimento a pesquisadores aqui na Biblioteca ou pelo emeio, abrem cada vez maiores possibilidades do acervo. Temas nem pensados, tornaram-se mais uma área de pesquisa. Como exemplo, o Design. Estudantes se interessaram pelas ilustrações, pelo formato, capa etc., ou seja, pelo suporte material dos livros ao longo do tempo.

Como arquivar é uma palavra que pode significar guardar, no sentido de deixar de lado e esquecer, aqui a preocupação é guardar para extroverter. É através de ações que o guardado se revela e assim este Blog é um dos instrumentos que tenho para mostrar esse acervo e com isso imprimir um significado ao guardado.
Promessa para o próximo ano? Claro! Escrever mais e trazer mais informações sobre o AHLE.

(1) Parte dessas definições foi desenvolvida no texto: Acervo de fontes de pesquisa para a História da Educação brasileira: características e conteúdo, texto integrante do projeto: Navegando na História da Educação brasileira, disponível no site do HISTEDBR, relacionado neste Blog.

(2) RODRIGUES, João Honório. A Pesquisa Histórica no Brasil. S. Paulo, Cia Ed. Nacional, 1969.

terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

Livro escolar: o sentido do efêmero


Walter Benjamin[1] em seu relato sobre um colecionador alemão de livros infantis atenta para o fato de terem sido salvos da máquina de triturar papel. Este comentário nos remete ao livro escolar, material pouco conservado, considerado de uso momentâneo e com isso, objeto de consumo descartável, prestes a desaparecer.
Sem dúvida, o livro didático compõe a própria história do livro, mas é desvalorizado enquanto produção cultural, talvez pelo sentido do efêmero que o acompanha, porque se desatualiza, se desgasta e é facilmente substituível. Poucas foram as instituições que preservaram o livro escolar.
Assim, qual o propósito de resguardarmos livros escolares antigos? Em um primeiro momento surge a idéia de memória, de recuperação de tempos e práticas antigas, da reconstituição dos bancos escolares, das primeiras professoras e por aí vai.
Chama a atenção o interesse e a curiosidade, muitas vezes afetiva, que esses livros despertam na lembrança das pessoas. Testemunhamos frequentadores da Biblioteca Monteiro Lobato que nos pedem que mostremos livros de sua infância escolar ou pais desejosos de apresentarem aos filhos os livros em que foram alfabetizados. Em tempos de mudanças rápidas, a impressão de rupturas e não de um passado próximo e coletivo motiva a busca dessas representações, como memória, tão em voga atualmente.
Mas o objetivo principal do Acervo Histórico do Livro Escolar – AHLE, que não exclui sua vocação de despertar lembranças, é atender a necessidade de reunirmos fontes para a investigação científica, principalmente por se tratar, como apontamos acima, de um material que poucas instituições conservaram.
É importante ressaltar também que muitas vezes livros sem uso podem se transformar em um acervo de valor documental. Eric Hobsbawm[2], sobre as fontes de pesquisa para a história afirma que é o olhar investigativo ou as questões postas pelo pesquisador que transformam documentos em fontes de pesquisa. Em geral não existe material algum até que nossas perguntas o tenham revelado, afirma o autor.
Afirmação, sem dúvida, reveladora da origem do AHLE.


[1] Livros infantis velhos e esquecidos. In: Reflexões sobre a criança, o brinquedo e a educação. SP, Duas Cidades e Ed. 34, 2002.

[2] Sobre a História. São Paulo, Cia das Letras, 1998. P. 220.