Acervo Histórico do Livro Escolar - AHLE

O ACERVO HISTÓRICO DO LIVRO ESCOLAR é formado pelo conjunto de livros escolares das antigas bibliotecas públicas infantis da cidade de São Paulo.

Com 5 mil volumes, o Acervo é composto por cartilhas, manuais escolares de todas as matérias de ensino, antologias literárias e livros de referência de uso escolar, entre outros, do século XIX até a década de 1980 e abrange os cursos primários, os secundários, os de formação de professor e o ensino técnico.
O Acervo está localizado na Biblioteca Infantojuvenil Monteiro Lobato, equipamento da Secretaria Municipal de Cultura de São Paulo.

Neste blog serão publicadas informações sobre esse acervo.


Seja bem-vindo.







quarta-feira, 8 de outubro de 2014

PESQUISAS NO ACERVO HISTÓRICO DO LIVRO ESCOLAR - AHLE



  1. De uma forma geral o AHLE chama a atenção de um público voltado para a pesquisa. Nesse sentido, graduandos, pós-graduandos, professores e alunos de várias áreas das ciências humanas, como Letras, Pedagogia, História, Biblioteconomia, Geografia e outras buscam no Acervo material para seus trabalhos e pesquisas.
Sabemos que a escolha de determinada fonte é resultado da indagação do pesquisador e do objeto a ser investigado e nesse sentido o uso cada vez mais diversificado de materiais, como a iconografia, os testemunhos orais e outros decorre da especificidade da pesquisa e do perfil de quem a faz.
Da mesma forma que outras fontes, oficiais ou não, o livro escolar por si só não contém um caráter elucidativo. Como afirma Hobsbawm (1997, p. 224) mesmo a melhor das fontes (...) apenas esclarece certas áreas daquilo que queremos conhecer. O que devemos fazer é reunir uma ampla variedade de informações em geral fragmentárias.
Em relação ao AHLE já  fizemos um levantamento de temas e livros mais procurados, como também dos educadores mais  solicitados. Destaco aqui dois autores de livros didáticos que foram tema de pesquisa recentemente. Um deles, Thales de Andrade (1890-1977), professor,  escreveu vários livros de histórias infantis da série Encanto e Verdade da Ed. Melhoramentos, da qual foi também organizador. Alegria (leitura intermediária), de 1938, da Ed. Cia Nacional,  Saudade (1919) e Ensinando a Constituição (1954), são também livros de uso escolar de Andrade mantidos pelo AHLE.
Sergio Buarque do Holanda (1902-1982) foi outro autor de livros escolares procurado para pesquisa.
O AHLE tem livros de História do Brasil e História da Civilização da 1ª a 8ª série do antigo 1º grau (atual ensino fundamental) dos anos de 1970, editados pela Cia Editora Nacional de São Paulo, de sua autoria.
Além dos títulos, muitos pesquisadores buscam autores de livros didáticos como fonte para seus trabalhos e o AHLE, com 5 mil livros e abrangendo 80 anos da História da Educação, dispõe de farto material para esses estudos.
 
 
Referências Bibliográficas
 
HOBSBAWM, E. (1998).  Sobre a História. São Paulo, Cia das Letras.
 


segunda-feira, 15 de setembro de 2014

HERÓIS NACIONAIS


Heróis compõem muitas vezes histórias de ficção infantis e juvenis e o que lhes confere esse atributo é se destacarem em algum acontecimento. Agora, fora da ficção, heróis são personagens fabricados pela História em um determinado contexto e associados a um passado glorioso.

Mártires, salvadores, patriotas, heróis fazem parte de uma visão individualista, personalista e muitas vezes fatalista, onde o processo histórico ou as condições favoráveis a certos acontecimentos são deixadas de lado. Assim é um feito, geralmente um protagonista, com sua vontade e destemor o sujeito responsável por algum fato ou evento.

O ensino de Historia esteve e muitas vezes ainda está permeado por uma perspectiva positivista e tradicional que privilegiam ações individuais, a cronologia dos fatos e a linearidade.

Uma nova abordagem em História a partir dos anos 1960 e depois dos anos 1980, com o fim da ditadura e da censura, expôs a dimensão coletiva das mudanças na trajetória do país, os interesses envolvidos e o papel dos vários grupos sociais. Assim uma interpretação mística e fatalista deixa de existir e dá lugar à crítica e à reflexão.

 O ACERVO HISTÓRICO DO LIVRO ESCOLAR – AHLE tem vários livros didáticos e para-didáticos que tratam dos vultos da pátria, dos heróis nacionais, vistos como personalidades exemplares. A maioria desses livros é dos anos 1940 e 1950 e foram utilizados nas escolas. Valem como registro e fontes de pesquisas.

Bibliografia

LEÃO, Antonio Carneiro. Meus Heróis. A  Noite, RJ, 1943 Il. Armando Pacheco.

LOBO, Chiquinha Neves. Glórias Brasileiras. s/ed. São Paulo, 1944. 






sexta-feira, 15 de agosto de 2014

Thomaz Galhardo


Thomaz Galhardo nasceu em Ubatuba em 1855, falecendo em 1904. Estudou na Escola Normal de São Paulo e foi professor, ocupando vários cargos na Instrução Pública do Estado.

É reconhecido pela publicação de livros didáticos para as primeiras letras. Sua Cartilha Elementar para a Infância, do início da década de 1880, baseia-se no método de silabação; publicou o Segundo Livro de Leitura Na escola e no Lar e  o Terceiro Livro de Leitura para a Infância ainda nas últimas décadas do século XIX. Sua obra foi editada pela Editora Francisco Alves  e alcançou inúmeras edições.




O ACERVO HISTÓRICO DO LIVRO ESCOLAR – AHLE possui duas Cartilhas, uma de 1940 e outra de 1946, já na 158ª edição.  O Segundo Livro de Leitura data de 1960, na 81ª edição e o Terceiro Livro de Leitura é o mais antigo do Acervo,  de 1907, na 5ª edição.




Mesmo com algumas modificações e ampliações, como no caso da Cartilha da Infância, os livros de Galhardo têm, além da raridade, como todo livro didático antigo em nosso país, o privilégio de serem editados e reeditados por muito tempo, alcançando assim várias gerações. (1)

O AHLE resguarda inúmeras cartilhas, como também edições seriadas, como essa do Galhardo: um livro de alfabetização seguido de outros, geralmente  quatro livros, de acordo com as séries do Grupo Escolar, modalidade de escola inaugurada com a República.

Notas:


(1) Verificar: SANTOS, Luana Grazielle. Um estudo sobre a cartilha da infância (188?),  de Thomaz Galhardo, publicado na Revista de Iniciação Científica da FFC, v. 7, n. 3, p. 332-342, 2007.

sexta-feira, 8 de agosto de 2014

Gramática na escola


A gramática refere-se ao estudo das regras da linguagem e das leis que a regulam.

Livros de gramática são aqueles que expõem essas regras.  A gramática é dinâmica e observa-se que sofre mudanças ao longo do tempo.  Um interessante site sobre a história da gramática é gtgramaticashdd.wix.com/gtgramaticas, do Grupo de Trabalho “História, Descrição e Discurso.” Nele há um blog que mostra o processo de construção e consolidação da  língua.

O ACERVO HISTÓRICO DO LIVRO ESCOLAR – AHLE mantém dezenas de livros escolares de gramática, desde os específicos sobre o tema até os de leitura escolar com ensinamentos sobre a matéria e também antologias gramaticais. O mais antigo é de 1927.

Muitas vezes a gramática é considerada uma parte árdua do aprendizado da língua. Mas se pensarmos em como foi construída nossa língua, já que não nasceu pronta, veremos o criativo e artístico dessa empreitada.

Gramático é até uma especialidade na formação dos profissionais formados em Letras. É aquele que escreve acerca da gramática ou se dedica a estudos gramaticais.

E então, vamos gramaticar?






Notas:

1ª ilustração: MOTTA, Othoniel. Chave da língua – primeiras noções de grammatica ministradas à infância. Estab. Graphico Irmãos Ferraz, SP. 1930.

2ª ilustração: ALI, M. Said. Grammatica Historica da Lingua Portugueza.SP. Melhoramentos, 2ª ed. 1927 (1ª. ed. 1921, segundo apresentação).










terça-feira, 1 de julho de 2014

O estudo dos verbos

Em qualquer acervo de livros escolares, livros de língua portuguesa ocupam grande parte do espaço. Não é diferente com o ACERVO HISTÓRICO DO LIVRO ESCOLAR - AHLE. Na divisão didática e organizacional do Acervo, subdividimos os livros escolares dessa matéria em: de alfabetização; primeiras leituras; comunicação e expressão; literatura geral; poesia; literatura portuguesa; literatura brasileira e gramática. E mais os paradidáticos em: sintaxe; redação; ortografia; recitativos; leitura; exercícios; referência e dicionários. Além da divisão nos graus de ensino primário e secundário.




Outros livros de lingua portuguesa são voltados para a “formação de professores”,  em uma abordagem pedagógica para o ensino da língua, com sugestões de atividades em sala de aula.  Recupera-se assim a história da didática e dos  métodos de ensino ao longo do período de abrangência do AHLE: fim do século XIX até os anos 1970.


Sobre livros escolares de lingua portuguesa destacarei neste texto os verbos. O estudo dos verbos, em qualquer idioma, muitas vezes mostra-se penoso. No portugues não é diferente. Quem não se lembra das aulas de conjugação verbal? Regulares, irregulares, anômalos, defectivos... Verbos eram listados e estudados até em livros separados. Só para eles! Ainda é assim.


No AHLE eles estão distribuídos em livros de sintaxe; de referência e de formação de professores,  somando algumas dezenas.

O mais antigo sobre verbos é de 1942: Dicionário de Verbos e Regimes – mais de 10 mil verbos em suas diferentes acepções e regência, de Francisco Fernandes, da Editora Globo de Porto Alegre.

Outro é Breviário de conjugação de verbos em língua portuguesa, de 1961, autoria de Otelo Reis, já na 26ª edição, da ed. Fco.Alves.

Dicionário de Conjugação de verbos, de 1969 e O problema da regência, de 1967, são outros exemplos de livros resguardados pelo AHLE.



 
Entre tantas referências sobre verbos, seu uso e aprendizagem, eu prefiro com a poesia:



 “Eu canto porque o instante existe e a minha vida está completa. Não sou alegre nem sou triste: sou poeta”. Cecília Meireles.

Bom, não é?

Nota:

A ilustração com a página refere-se ao Dicionário de Verbos e Regimes.

quinta-feira, 29 de maio de 2014

Ciências Naturais nos Currículos Escolares





Os currículos escolares compõem-se por conteúdos e práticas educativas historicamente constituídas e assim o ensino de caráter mais humanístico, literário, científico ou universalista se configura como ideário de determinado contexto.

No Brasil as disciplinas de ensino foram organizadas como grade escolar no século XIX. Até então prevalecia o ensino das primeiras letras, salvo iniciativas isoladas e também o ensino humanista, com o predomínio da ideologia católica. (1)



Pois a vinda da família real em 1808 proporcionou o incentivo a iniciativas culturais, científicas e educacionais, destacando-se na Educação o Colégio D. Pedro II em 1837, escola secundária criada no Rio de Janeiro como modelo  para o resto do país. Nesse período havia ainda alguns liceus e poucas escolas de caráter privado.

O ensino propedêutico e universalista compôs o currículo do Col. Pedro II.  Na primeira matriz curricular desse colégio, distribuída em oito series, aparecem as disciplinas História Natural e Ciências Físicas.

Já na primeira reforma educacional da República em 1890, (Reforma Benjamin Constant), conciliou-se o humanismo com o enciclopedismo, de clara inspiração positivista. No ensino médio constavam as disciplinas Biologia, Zoologia e Botânica.

Nos anos 1930, a Reforma Francisco Campo estabeleceu a nível nacional o currículo seriado para o curso secundário e nele Ciências Físicas e Naturais nas 1ªs e 2ªs séries do ciclo fundamental. Para o ciclo complementar, Biologia Geral e Higiene para o preparatório à Faculdade de Direito e História Natural para os preparatórios de Medicina e Engenharia.

A Reforma Capanema nos anos 1940 estabeleceu outra divisão na grade de ensino. Ciências Naturais aparecem nas 3ªs e 4ªs series do curso Ginasial; no Curso Clássico, Biologia no 3º ano e no curso Científico, Biologia nos 2º e 3º anos. Ciências Naturais fez parte do Ensino Normal.

O ACERVO HISTÓRICO DO LIVRO ESCOLAR – AHLE resguarda centenas de livros de Iniciação as Ciências e de Ciências para os cursos elementares  e secundários; livros paradidáticos; sobre o corpo humano; livros de Biologia, Zoologia, Botânica e Higiene, entre outros. Há também os multidisciplinares para os cursos elementares com ensinamentos de ciências para as crianças.

Notas:

(1) Entre outros autores, Severino, Antonio Joaquim. Educação, Ideologia e Contra-Ideologia, SP, EPU, 1986.


Referências Bibliográficas:

ROMANELLI, Otaíza. História da Educação no Brasil. Petrópolis,Vozes, 1988.

SOLANGE Aparecida Zotti. Sociedade, Educação e Currículo no Brasil  (dos jesuítas aos anos 1980). Campinas, Autores Associados, 2004.




segunda-feira, 19 de maio de 2014

AROLDO AZEVEDO E LIVROS DE GEOGRAFIA







A edição sistemática de livros didáticos entre nós remonta as primeiras décadas do século XX. O Instituto Nacional do Livro foi criado em 1929 e a Comissão Nacional do Livro Didático pelo Decreto-Lei 1006, em 1938.

Vários autores de livros escolares se consagraram desde então principalmente por produzirem livros de determinada matéria de ensino, publicados durante um longo período e usados por várias gerações de estudantes.
É o caso de Aroldo de Azevedo (1910-174), geógrafo formado pela Faculdade de Filosofia Ciências e Letras da USP, um dos primeiros professores de Geografia e renomado autor de livros didáticos.

Geografia das Crianças destinada ao ensino primário, 1ª edição de 1947, é o livro mais antigo do autor resguardado pelo AHLE. Duas dezenas de livros de Geografia, tais como Geografia Regional; Geografia do Brasil; O mundo em que vivemos; Os continentes, de Aroldo de Azevedo e destinados aos antigos cursos primários, ginásios e colegial compõem, entre livros de outros autores, uma amostra representativa de livros didáticos de geografia usados nas escolas do país.

Ao todo o AHLE mantém uma centena de livros escolares de Geografia, entre didáticos, paradidáticos, mapas e de referência como os Atlas, desde a década de 1910 até os anos 1970. Desse modo é um acervo considerável das várias fases do ensino escolar, desde o livro didático voltado para o professor; os que apontavam o estudante como o centro da aprendizagem; a geografia mais física que política; a "decoreba"; livros que exploravam o conhecimento específico para o mais geral e assim por diante.
Como recurso didático o livro escolar representa as várias concepções pedagógicas, tais como a Pedagogia Tradicional e a Escola Nova e também diferentes abordagens no ensino da Geografia, no caso.
As ilustrações compõem diferentes aportes e recursos gráficos apresentados nos livros de uso escolar.
A dissertação de Mestrado  de Paula Priscila G. Nascimento Pina, A relação entre o ensino e o uso do livro didático de Geografia, defendida na UFPB em 2009, é um dos trabalhos acadêmicos sobre livros didáticos de geografia.

Referências Bibliográficas:


SAVIANI. Demerval. História das ideias pedagógicas no Brasil. Campinas,SP, Autores Associados, 2008.