Acervo Histórico do Livro Escolar - AHLE

O ACERVO HISTÓRICO DO LIVRO ESCOLAR é formado pelo conjunto de livros escolares das antigas bibliotecas públicas infantis da cidade de São Paulo.

Com 5 mil volumes, o Acervo é composto por cartilhas, manuais escolares de todas as matérias de ensino, antologias literárias e livros de referência de uso escolar, entre outros, do século XIX até a década de 1980 e abrange os cursos primários, os secundários, os de formação de professor e o ensino técnico.
O Acervo está localizado na Biblioteca Infantojuvenil Monteiro Lobato, equipamento da Secretaria Municipal de Cultura de São Paulo.

Neste blog serão publicadas informações sobre esse acervo.


Seja bem-vindo.







quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

Cartilhas e lembranças

(1)



Cartilhas lembram infância, professora primária (a antiga normalista, tão cantada pelos músicos e poetas), as atuais pedagogas, “decoreba” e muito, muito encantamento.
Encantamento porque a cartilha foi e ainda é o meio pelo qual entramos no mundo da leitura.
A origem da palavra cartilha é latina: pequeno caderno que contem as letras do alfabeto. Diminutivo de carta ou de caderno. Carta do ABC. Do grego, temos khártes: folha de papiro de onde vieram carta e carteira.

Muitos consulentes procuram o ACERVO HISTÓRICO DO LIVRO ESCOLAR - AHLE para “matarem a saudade”.

- Você tem a “Cartilha Sodré?” Eu só quero olhar.
- Eu preciso encontrar a cartilha do “Patinho”. Sabe? Aquela que tem um patinho na capa. Acho que era amarelo. Quero mostrar para o meu filho. Dá para xerocar?
- Será que tem a "Caminho Suave" de 1962? Foi essa que perdi em uma enchente. Não foi agora, não. Faz tempo.
- Olha, fui alfabetizada no Maranhão. Será que encontro a minha cartilha nesse acervo? Não lembro o nome, mas se vejo a capa...

(2)


Um acervo, seja qual for, tem realmente várias funções. A idéia de formar o AHLE foi com o objetivo de organizar fontes de pesquisa, pois o livro didático é um material com inúmeras possibilidades de estudos. Esse objetivo é contemplado com a presença de pesquisadores, estudantes de graduação e consultas por emeio.
Mas, sem dúvida, despertar lembranças tem-se mostrado outra vocação desse acervo.
O AHLE conta com duzentos exemplares, entre cartilhas e primeiras leituras, desde 1894 até meados da década de 1970.

Como exemplo, a cartilha mais antiga do acervo: "Primeiro Livro de Leitura" (ilustração de capa no texto anterior), da Profa Maria Guilhermina Loureiro de Andrade, data de 1894 e foi editado pela American Book Company, em Nova Iorque. A autora foi a primeira diretora da Escola Modelo, em 1890, quando da reforma da Escola Normal de São Paulo.(3) O livro apresenta 78 lições, por meio de sentenças e com pequenas ilustrações.
Os métodos, os temas e a apresentação gráfica das cartilhas compuseram e compõem a cultura escolar. (4)
Método sintético? Analítico? Construtivista? Misto? O fato é que a cartilha, com mudanças ao longo do tempo, ainda permanece.
(5)

(1) SÃO JOÃO, Helena Ribeiro. "Nossa Cartilha". RJ, Fco. Alves, 1959.
(2) AMOROSO, Cecilia B. dos Reis. "Onde está o patinho?" S.Paulo, Melhoramentos, s/d.
(3) Sobre a Escola Normal de São Paulo, entre outros, verificar MONARCHA, Carlos (1999). "Escola Normal da Praça: o lado Noturno das Luzes." Campinas, UNICAMP.
(4) Vários autores trabalham com a temática da cartilha. Verificar, entre outros, MORTATTI, Maria do Rosário Longo. "Cartilha de alfabetização e cultura escolar: Um pacto secular". Cadernos Cedes, ano XX, no 52, novembro/2000.


(5) OLIVEIRA, Mariano de. "Cartilha Ensino-rápido da leitura".São Paulo, Melhoramentos,1963.

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

Significar o guardado



Um dos livros mais antigos do ACERVO HISTÓRICO DO LIVRO ESCOLAR - AHLE
ANDRADE, Maria Guilhermina L. de. Primeiro Livro de Leitura. Rio de Janeiro. Ed. American Book Company , 1894.
AHLE - Um ano do blog

O tempo passa rápido. Expressão corriqueira que me inspira para relatar sobre a experiência deste Blog. Já um ano? Contraditoriamente o tempo seleciona. Por que? Para quem trabalha com a preservação de fontes para a pesquisa, o tempo quase sempre é atributo.
Em relação ao livro escolar, objeto central deste Blog, duas considerações sobre esse material: primeira, livros escolares são raros porque são descartados e com isso, raros porque escassos. Segunda, raros porque antigos? Não é bem assim. Não é só a antiguidade uma qualidade, mas também a forma, o conteúdo e o que representa a fonte de pesquisa.
Revisitei algumas definições para compreender melhor o significado deste acervo.(1) Desse modo, no exame do conceito de “acervo”, palavra de origem latina que significa acumulação e muitas vezes referenciada como velharia, vem a idéia de passado, da acumulação de indícios, que se materializam em documentos, em bens ou em patrimônio. A quantidade é uma das variantes a que se submete o acervo que compõe os arquivos, as bibliotecas, os museus e os centros de documentação, onde encontramos um conjunto desses indícios, identificado com o que denominamos fontes de pesquisa.
Por outro lado, o termo “fonte” está associado à origem, à procedência, a fonte de consulta que fornece informações. Na filologia, área do conhecimento que privilegia o estudo de documentos escritos antigos, fonte é termo identificado como texto ou documento original. As fontes de pesquisas e as discussões em torno da especificidade desses documentos fazem parte de estudos como o de RODRIGUES (2) (1969, p.143), que nos informa sobre os instrumentos dos trabalhos históricos, classificando-os em fontes primárias ou originais, como aquelas que contém informações de testemunho direto dos fatos e fontes secundárias ou derivadas, que contém uma informação colhida por terceiros. Nesse sentido, o livro escolar pode ser fonte primária ou secundária de pesquisa, de acordo com o seu conteúdo.
Como usar essas fontes? Os livros escolares expressam idéias e assim, precisam ser historicizados, ou seja, entendidos a luz do contexto em que foram produzidos. Os textos deste Blog apresentaram, mesmo que de forma breve, essa preocupação.
O Blog teve treze textos ao longo de 2009. Fora o de abertura, os outros foram temáticos e descritivos com o objetivo de divulgar certas especificidades do ALHE. O próprio trabalho de pesquisa para essa divulgação, o atendimento a pesquisadores aqui na Biblioteca ou pelo emeio, abrem cada vez maiores possibilidades do acervo. Temas nem pensados, tornaram-se mais uma área de pesquisa. Como exemplo, o Design. Estudantes se interessaram pelas ilustrações, pelo formato, capa etc., ou seja, pelo suporte material dos livros ao longo do tempo.

Como arquivar é uma palavra que pode significar guardar, no sentido de deixar de lado e esquecer, aqui a preocupação é guardar para extroverter. É através de ações que o guardado se revela e assim este Blog é um dos instrumentos que tenho para mostrar esse acervo e com isso imprimir um significado ao guardado.
Promessa para o próximo ano? Claro! Escrever mais e trazer mais informações sobre o AHLE.

(1) Parte dessas definições foi desenvolvida no texto: Acervo de fontes de pesquisa para a História da Educação brasileira: características e conteúdo, texto integrante do projeto: Navegando na História da Educação brasileira, disponível no site do HISTEDBR, relacionado neste Blog.

(2) RODRIGUES, João Honório. A Pesquisa Histórica no Brasil. S. Paulo, Cia Ed. Nacional, 1969.

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

A presença do negro no livro escolar






Capa de livro didático, com o título Infância Brasileira retratando crianças loiras, tipo pouco comum no Brasil.
"Quarto livro", destinado ao curso primário.(1)



No mês de novembro comemoramos o Dia Nacional da Consciência Negro em homenagem à Zumbi dos Palmares, símbolo da resistência negra no país, morto em 20 de novembro de 1695.
Zumbi foi um dos líderes do Quilombo de Palmares, fundado em 1596 e localizado na Serra da Barriga, entre os Estados de Alagoas e Pernambuco.
Nos livros didáticos a presença da população negra vem carregada de preconceitos, de distorções e de omissões.
Assim trago alguns exemplos de livros escolares cujas ilustrações e textos revelam que a presença do negro nesses livros, como integrante da população brasileira, é mais ou menos recente.
O negro aparece de forma secundária, quando se trata da abolição da escravatura, por exemplo, e geralmente é omitido como sujeito atuante na trajetória do Brasil.
Isso retrata a visão eurocentrista que influenciou a educação, excluindo a história africana, a luta e a participação da população negra na construção do país, o que só reforça preconceitos.







Atividades de trabalho onde o negro é omitido.
Livro de "literatura infantil e matérias escolares", destinado ao curso primário. (2)

A consagrada cartilha Caminho Suave (3) demonstra que nas edições mais recentes uma criança negra foi incluída na ilustração da capa.














Edição de 1985 Edição de 1962
O livro didático é uma fonte de pesquisa que traduz vários aspectos da história e da cultura. Pela diversidade do ACERVO HISTÓRICO DO LIVRO ESCOLAR sem dúvida a temática da população negra nos livros didáticos tem, nesse acervo, inúmeras possibilidades de pesquisa.
Alguns trabalhos acadêmicos nos mostram como esse assunto tem sido bem explorado. (4)


(1) METTIG, O. e MAGALHÃES, M. L. Infância Brasileira. Salvador, Ed. do Brasil, 1962.
(2) SANTOS, T. M. Brasil minha pátria. SP, Agir, 1963.
(3) LIMA, Branca Alves. Caminho Suave. Leitura intermediária. SP, Ed. Branca A. de Lima, 1962.
LIMA, Branca Alves. Caminho Suave. Renovada e ampliada. SP, Edipro, 1985.
(4) Entre outros: OLIVEIRA, Marco Antônio de. O negro no ensino de história: temas e representações. Dissertação (Mestrado em Educação) Universidade de São Paulo, 2000.
CRUZ, Mariléia dos S. A história da disciplina Estudos Sociais a partir de representações sobre o negro no livro didático (período 1981-2000). Dissertação (Mestrado em Educação), Universidade Estadual Paulista, 2000.
SILVA, Ana Célia da. O estereótipo e o preconceito em relação ao negro no livro de Comunicação e Expressão de primeiro Grau, nível I. Dissertação (Mestrado em Educação) Universidade Federal da Bahia, 1988.
__________________.
Da mesma autora: As transformações da representação social do negro no livro didático e seus determinantes. Tese (Doutorado em Educação) Universidade Federal da Bahia, 2001.
RAYNETTE , Castello Branco. O negro no livro didático de História do Brasil para o ensino fundamental II da Rede Pública estadual de ensino, no Recife. Mestrado, Universidade Federal de Pernambuco, 2005.

terça-feira, 13 de outubro de 2009

SÉRIE “PEDRINHO”




Lourenço Filho (1897-1970) foi educador, autor de livros didáticos e organizador de várias coletâneas escolares.

A série de leitura graduada “Pedrinho”, de sua autoria, é composta de textos para serem usados nos primeiros anos escolares e foi publicada em 1955, com inúmeras edições.

Organizada para as escolas primárias, contém uma Cartilha, quatro livros para as séries do curso primário e um quinto para o aperfeiçoamento da leitura.

PEDRINHO é o nome do personagem do ‘Sítio do Pica Pau Amarelo’ de Monteiro Lobato. Será coincidência?
O ACERVO HISTÓRICO DO LIVRO ESCOLAR - AHLE disponibiliza para pesquisa vários títulos de Lourenço Filho, incluindo sua produção voltada para a formação de professores.

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

Fábulas e Educação



No universo da literatura infantil, a fábula é considerada um gênero literário didático e foi muito usada nas escolas como instrumento educativo, principalmente nas primeiras décadas do século XX.
Na definição do Dicionário Houaiss, fábula é narração popular de fatos imaginados; curta narrativa em prosa ou verso que ilustra um preceito moral; história fantasiosa. Fabular é sinônimo de fantasiar e fabuloso significa o que ultrapassa a imaginação: que sendo real, parece imaginário, incrível. Geralmente as fábulas usam animais como protagonistas.
O ACERVO HISTÓRICO DO LIVRO ESCOLAR – AHLE mantém livros escolares e paradidáticos (livros usados como apoio: os livros de leitura e as antologias literárias, por ex.) que contém fábulas como recurso didático.
Destaco Poesias Infantis[1] de Olavo Bilac (1865-1918) poeta parnasiano que produziu inúmeros livros escolares. Com 1ª edição em 1904, (até 1961, foram publicadas 27 edições), esse livro traz poemas adaptados de fábulas famosas, como a Cigarra e a Formiga. Na capa, a menção para o seu uso: “Livro approvado, adoptado e premiado pelo Conselho Superior de Instrução Pública do Distrito Federal”.
Outro livro é Fábulas imitadas de Esopo e de La Fontaine adotadas para leitura escolar.[2]
Como esse gênero de literatura era usado nas práticas educativas? Bem, ilustro com um exercício contido no livro Novo Manual de Língua Portugueza para uso nas escolas secundárias[3]. Na página 271, no subtítulo Leitura e Recitação há a fábula A Cigarra e a Formiga e logo abaixo um exercício chamado Estudo Analítico, com as seguintes questões:

a) A qual bichinho dais vossa simpatia e porque?
b) Como chamais o defeito da cigarra?
c) E o da formiga?
d) Que exemplo tiramos dessa fábula?

Em uma pesquisa no ACERVO HISTÓRICO DO LIVRO ESCOLAR encontramos inúmeras fábulas, principalmente em livros de leitura, o que demonstra o largo uso desse gênero literário nas escolas.
A literatura infantil, entre outras funções, fornece exemplos, modelos de comportamento, valores morais a serem seguidos etc., muitas vezes sem questionamento, nem contexto.
Por que a fábula foi e ainda é usada como recurso didático? Eis algumas especificidades da fábula, que facilitam o seu uso para crianças:

* São textos curtos, concisos; não cansam e rapidamente concluem uma história. Por serem curtas, as fábulas são facilmente memorizadas e se prestam a exercícios de reescrita.
* Antes mesmo dos 6 anos, quando inicia-se a aquisição da técnica da leitura, a fábula estimula a imaginação infantil, a criatividade etc.
* Ausência de indicações precisas de tempo e espaço. “Um regato, uma floresta, muito longe daqui, há muito tempo atrás...”
* Trazem, na maioria das vezes, animais como personagens, o que seduz a criança;
* Traduzem certos comportamentos e com isso demonstram uma simbologia que é universal.
As fábulas apresentam um universo simbólico de sentimentos que permeia a sociedade. Contém valores e situações comuns a todos.
Com isso, ao mesmo tempo que desperta o interesse pela leitura, com textos não cansativos, a fábula transmite valores e comportamentos. Mas quais?
Em uma leitura mais demorada, por exemplo, o que vemos?
Virtudes como bondade, solidariedade, compreensão, paciência, ao lado de certa esperteza, astúcia, vingança, maldade etc.
Muitas chegam à violência: a tartaruga que fala muito, cai e se despedaça; a formiga deixa a cigarra morrer de fome; o lobo esquarteja e come o cordeiro; a raposa que fica sem os olhos etc.
A moral das fábulas adquiriu vida própria e se transformou em provérbios: frases prontas, vindas do conhecimento popular, transmitidas oralmente e que encerram certo ensinamento sob algum aspecto da vida e na maioria das vezes, conservam um quadro de valores. Quem já não ouviu “Devagar e sempre se vai ao longe”, menção à fábula A lebre e a tartaruga de Esopo?
Bem a possibilidade de usar o fantástico, sem dúvida é um atrativo para crianças e jovens. Então, como usar hoje o gênero fabular? Quais valores nós queremos transmitir?
Histórias que não reafirmem preconceitos; que traduzam a diversidade, a convivência com o diferente, a solidariedade; a afetividade; a relação mais adequada com a natureza e principalmente e aí, diferentemente das fábulas tradicionais, que nada está dado como se sempre fosse assim e que podemos alavancar mudanças.









[1] BILAC, Olavo. São Paulo, Francisco Alves, 1924.
[2] ROCHA, J. J. São Paulo, Livraria Francisco Alves, 1913.
[3] Por uma reunião de professores. Livraria Francisco Alves, 1916.

sexta-feira, 28 de agosto de 2009

LIVROS ESCOLARES DURANTE O “ESTADO NOVO”



Por conter livros desde o século XIX até o fim da década de 1970 (80 anos consecutivos) o ACERVO HISTÓRICO DO LIVRO ESCOLAR - AHLE tem um material representativo de vários períodos da história do país.
Destaco, neste texto, alguns aspectos da formação escolar durante o “Estado Novo” (1937-1945), cuja meta foi a difusão do nacionalismo, do patriotismo e dos princípios do projeto político-ideológico da ditadura instaurada. Esse período valeu-se da censura e do controle dos meios de comunicação através do DIP – Departamento de Imprensa e Propaganda. A máquina do Estado enaltecia a figura de Getúlio Vargas mediante a disseminação de cartazes e fotos e os livros escolares apregoavam o trabalho e o patriotismo como valores absolutos. O ensino primário deveria ter como função despertar aptidões físicas, morais e intelectuais, visando à formação do cidadão e do trabalhador. (LENHARO, 1986, p.168).
Dentre outros livros escolares do período o AHLE mantém uma coleção para crianças, de 1940, denominada “Biblioteca Patria”, conjunto de livros em quadrinhos titulados “Grandes Figuras do Brasil” (Murilo, Rafael et alli. 1940). Essa coleção traz uma apresentação, em forma de ofício, assinada por Getúlio Vargas, reiterando o empenho do governo em propagar exemplos de patriotismo por meio dos “vultos nacionais”.
A juventude foi o alvo central da difusão da ideologia oficial, através da “Juventude Brasileira”, organização de caráter educativo criada em 1940 e vinculada ao Ministério da Educação. Voltada para crianças dos 7 aos 11 anos e jovens dos 12 aos 18 anos, essa organização previa a instalação de centros cívicos em todas as cidades e também no interior das escolas oficiais. [1]
A forte censura e o direcionamento do Estado em propagar a ideologia oficial atingiu, sem dúvida, todas a instâncias da sociedade e em relação a educação escolar se expressa, por exemplo, no capítulo III, artigo 12 do Decreto-Lei 1006 de 30 dezembro de 1938, abaixo transcrito:

A autorização para uso do livro didático será requerida pelo interessado, autor ou editor, importador ou vendedor em petição dirigida ao Ministro da Educação, o qual se juntarão 3 exemplares da obra, impressos ou datilografados, acompanhados, nesta última hipótese, de uma via dos desenhos, mapas e esquemas, que a mesma forem parte integrante. (Nóbrega, 1952, p. 598).

O ACERVO HISTORICO DO LIVRO ESCOLAR tem inúmeros livros didáticos, para-didáticos e de referência das décadas de 1930 e 1940 que traduzem o projeto pedagógico do período e as práticas culturais e de escolarização.


REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS


LENHARO, Alcir. Sacralização da Política. Campinas, Papirus, 1986.

NOBREGA, Vanbdrick L. Enciclopédia da legislação do Ensino. RJ, V. 2. 1952.


[1] Sobre a “Juventude Brasileira”, verificar HORTA, José Silvério B. (1994). O Hino, o sermão e a ordem do dia. A educação no Brasil (1930-1945). RJ, UFRJ, 1994, principalmente páginas 203 a 287.

sexta-feira, 21 de agosto de 2009

LIVROS ESCOLARES DE LÍNGUA ESTRANGEIRA

Lanteuil, H. SP, Fco. Alves, 1958


Na História da Educação do país a Reforma Francisco Campos[1], de 1931, é considerada aquela que, pela primeira vez, deu organicidade aos cursos secundários. Como herança ainda do século XIX e da descentralização da educação na República, os graus de ensino primário ou elementar e os cursos de formação de professores no nível médio eram de responsabilidade dos Estados, antigas províncias do Império. Já os cursos médios ou secundários e os de nível superior eram da alçada federal. Portanto, a Reforma acima citada teve repercussão em todo o país, ao atender a demanda cada vez mais crescente pelo ensino secundário, porta de entrada para os cursos superiores.
O ensino da língua estrangeira aparece nesses cursos secundários. A Reforma Francisco Campos incluiu o francês, o inglês, o latim e o alemão (facultativo) nas diversas séries que compunham esse grau de ensino.
Nos anos de 1940 as Leis Orgânicas de Ensino, conhecidas como Reforma Capanema
[2], para o ensino secundário instituíram um primeiro ciclo com quatro anos de duração (ginásio) e um segundo ciclo de três anos (clássico e científico).
Quanto ao ensino de línguas, no curso ginasial foi obrigatório o ensino do latim, do francês e do inglês.
Para o curso Clássico houve a inclusão do ensino da língua grega, como opcional.
Nos cursos Científicos houve a inclusão da língua francesa, do inglês e 1 ano de espanhol (não tinha latim).
A reforma de ensino do governo militar, nos anos de 1970, Lei n.5692, suprimiu o latim e o francês como matérias obrigatórias.
[3]
O ACERVO HISTÓRICO DO LIVRO ESCOLAR – AHLE possui duas centenas de livros escolares de língua estrangeira. Destacamos livros de latim, o mais antigo de 1944; de língua francesa, desde 1910; de inglês, desde 1932; de espanhol, desde 1941 e um livro de língua grega de 1952. O AHLE resguarda também livros de referência, como dicionários e Atlas.

[1] Francisco Campos foi Ministro da Educação e Saúde entre 1930 e 1934.

[2] Gustavo Capanema foi Ministro da Educação no período de 1934 a 1945.


[3] Sobre as reformas de ensino mencionadas, verificar ROMANELLI, Otaiza. História da Educação no Brasil. RJ, Vozes, 1978; RIBEIRO, Maria Luisa Santos. História da Educação Brasileira – a organização escolar. Campinas, Autores Associados, 1978 e
GHIRALDELLI, Paulo. História da Educação. São Paulo, Cortez, 1995.