Acervo Histórico do Livro Escolar - AHLE

O ACERVO HISTÓRICO DO LIVRO ESCOLAR é formado pelo conjunto de livros escolares das antigas bibliotecas públicas infantis da cidade de São Paulo.

Com 5 mil volumes, o Acervo é composto por cartilhas, manuais escolares de todas as matérias de ensino, antologias literárias e livros de referência de uso escolar, entre outros, do século XIX até a década de 1980 e abrange os cursos primários, os secundários, os de formação de professor e o ensino técnico.
O Acervo está localizado na Biblioteca Infantojuvenil Monteiro Lobato, equipamento da Secretaria Municipal de Cultura de São Paulo.

Neste blog serão publicadas informações sobre esse acervo.


Seja bem-vindo.







quinta-feira, 11 de agosto de 2016

MEU CORAÇÃO - Série Graduada para o curso primário

“Meu Coração” é título de uma série graduada dos anos de 1960. Essas séries de livros eram editadas para os primeiros anos da escolarização: os quatro anos do antigo curso primário e geralmente vinham acompanhadas de uma cartilha.
A autora, Alaíde Lisboa de Oliveira (1904-2006), foi professora da Faculdade de Filosofia da Universidade de Minas Gerais e Diretora do Colégio de Aplicação, provavelmente dessa universidade. Irmã da poetisa Henriquieta Lisboa (1901-1985), publicou inúmeros livros, foi jornalista e enveredou pela vida política.
Dessa série “Meu Coração” o ACERVO HISTÓRICO DO LIVRO ESCOLAR -AHLE tem livros das 1ª, 2ª, 3ª e 4ª séries primárias, além do, “Leituras Intermediárias”, esse último aplicado entre a cartilha e os de primeiras leituras, para facilitar a aproximação com pequenas histórias.
Os livros tem a preocupação em trazer algumas questões sobre os textos, que abordam  cenas do cotidiano das crianças, tais como,  “Os passarinhos” ou “A casa do cachorrinho” ou ainda, “Na hora do jantar”, junto a pequenos escritos ou poesias de autores do porte de Olavo Bilac ou Zalina Rolim.  Na última parte do livro, então, a autora propõe perguntas sobre o entendimento dos enredos que compõem o livro.
“Meu Coração” é título consagrado de livros escolares no período, desde a publicação de “Cuore”, do italiano Edmondo De Amicis, editado originalmente em 1886, com muito sucesso e traduzido em língua portuguesa em 1891, por João Ribeiro e publicado pela Livraria e Editores Francisco Alves.
O AHLE  resguarda inúmeras séries graduadas que serão, aos poucos, divulgadas aqui.


quarta-feira, 3 de agosto de 2016

MEMÓRIA ESCOLAR: CARTILHAS E PRIMEIRAS LEITURAS



Livros de primeiras leituras e as cartilhas, além de mostrarem como eram os métodos para alfabetizar crianças ou quais os primeiros textos escolhidos para os pequenos, provocam certa nostalgia.
Dentre os livros que nos acompanharam na vida escolar, são esses os que trazem lembranças de bons momentos, quase sempre afetivas e muitas vezes impregnadas por uma visão anacrônica,  tal qual,  “no meu tempo era melhor”.
Pois para provocar um pouco este passado, quem sabe idealizado por parecer-nos mais simples, ingênuo, até, é que vamos divulgar neste espaço esses primeiros livros que o ACERVO HISTÓRICO DO LIVRO ESCOLAR - AHLE preserva.
Tem uma citação que achei adequada ao trabalho que desenvolvo aqui: “Num mundo que caminha resolutamente para tornar-se uma vasta pedreira, o colecionador passa a ser aquele indivíduo empenhado num trabalho devoto de resgate.[1] (SONTAG: 75).
Pois é esta a função de um Acervo como o AHLE, resguardar e disponibilizar livros antigos que recuperam histórias tanto individuais, quanto coletivas, histórias de gerações e que trazem aspectos sócios culturais de determinado contexto. 
Uma cartilha de 1941, editada em Porto Alegre e uma Antologia Escolar de poemas para a infância de 1971, ilustram esta página.
A cartilha começa com formas simples de maiúsculas impressas e por fim, minúsculas, como o exemplo da ilustração. Segundo a autora o método é o "prático", mas pelas lições percebe-se que  grosso modo o método é o sintético, da parte para o todo, que inspirou várias formas de alfabetização.
Já a antologia escolar, de autoria de Henriquieta Lisboa, chama a atenção pelos poemas escolhidos, pois trata-se, como indica o título, de poemas para crianças. Autores como Federico García Lorca, Alphonsus de Guimarães, Fernando Pessoa e Gabriela Mistral, por exemplo, estão presentes, indicando a preocupação de levar para as crianças autores nem sempre fáceis, mas que em sala de aula podem ser desvendados com a ajuda do professor, personagem importante no processo de aprendizagem, apesar de alguns métodos de ensino atualmente questionarem esse papel. 
Abraços




Notas:
[1] SONTAG, Susan. Ensaios sobre a fotografia. Rio de Janeiro, Ed.Arbor, 1981.

quinta-feira, 14 de julho de 2016

PUERICULTURA

O ato de educar crianças esteve atrelado a várias concepções ao longo do tempo, desde a disciplinar, a que enxergava na criança um pequeno adulto, até as mais modernas noções de educação. Foi com a psicologia que a educação tornou-se foco de atenção de forma mais orgânica, na medida em que se propagaram métodos e manuais concebidos por várias áreas do conhecimento, desde a pedagogia, a pediatria, a psicologia, a psiquiatria etc. E assim a educação tanto escolar, quanto familiar,  assistindo a criança como um todo. E aí aparece a puericultura, palavra de   origem latina (puer,i),  que defini-se como um conjunto de técnicas empregadas para assegurar o perfeito desenvolvimento físico, metal e moral da criança, desde a gestação.
Foi matéria de ensino nas antigas Escolas Normais ou de Magistério e atualmente não compõe o currículo dos cursos mais consagrados de Pedagogia, por não corresponder ao que se concebe hoje como educação das crianças e jovens.
A origem da puericultura é francesa, no fim do século XVIII e no Brasil se desenvolve nos anos de 1920, primeiramente associada à higiene, aos cuidados com o corpo, ao acompanhar os novos conceitos da medicina e também pelos impactos da urbanização.

O Acervo Histórico do Livro Escolar – AHLE resguarda centenas de livros das antigas Escolas Normais e, muitos de Puericultura. Entre esses, uma curiosa enciclopédia ilustrada editada nos EUA nos anos de 1950, em três volumes e publicada no Brasil nos anos 60. É a que ilustra esse pequeno artigo.
Uma boa fonte de pesquisa para quem se envolve com a História do educar. 

terça-feira, 28 de junho de 2016

Joaquim Silva: autor de livros de história

Com o objetivo de continuar a traçar questões sobre a autoria de livros didáticos, com textos informativos dos autores, divulgo aqui Joaquim Silva (1880-1966).
Sem dúvida, entre os livros didáticos existem alguns que foram reeditados por décadas, atingindo assim várias gerações. É o caso de Joaquim Silva autor de livros de História. Junto com Borges Hermida, destacou-se nos anos de 1950 e 1960, com ampla produção didática.
Professor e diretor de escolas no interior de São Paulo, como Tatuí e Sorocaba, Joaquim Silva não foge ao modelo do professor-autor de livros escolares. Sua obra tornou-se referência no ensino de história, chegando a inúmeras edições.
Existem trabalhos que se debruçam sobre a autoria dos livros didáticos e a importância de se conhecer o contexto em que o livro foi produzido, tanto o sócio-cultural, quanto as linhas pedagógicas e o modelo de educação destacados no período. Com isso entende-se porque determinados parâmetros e linhas metodológicas foram usadas pelo autor.
O ACERVO HISTÓRICO DO LIVRO ESCOLAR – AHLE mantém livros de história, tanto os didáticos, quanto os paradidáticos e alguns de referência. É um conjunto de livros muito procurado por estudantes e pesquisadores. Sobre a produção de Joaquim Silva, o AHLE mantém História da Civilização dos anos de 1930, para o curso ginasial ; História do Brasil, também para o ginásio, dos anos de 1940; História da América, dos anos 1950 e História Geral, dos anos 1960. Também, junto com Aroldo de Azevedo, Joaquim Silva publicou livros didáticos para o curso de admissão.


Notas:


Entre outros trabalhos, indico a tese de doutorado: Professor Joaquim Silva, um autor da história ensinada do Brasil: livros didáticos e educação moderna dos sentidos (1940-1951), autoria de Arnaldo Pinto Junior, defendida em 2010 na Faculdade de Educação da UNICAMP.

terça-feira, 31 de maio de 2016

GUIAS CURRICULARES


Guias curriculares são documentos oficiais informativos sobre currículos escolares de graus e matérias de ensino, basicamente dos anos 1970, baseados nas mudanças educacionais do governo militar.
Esses Guias foram elaborados por profissionais da educação e são considerados de orientação docente.

“Guia” significa dirigir, dar um rumo, termo indicativo do ideário do regime autoritário que se instalou no país.
Com a abertura e novos ares para a educação foram criados os Parâmetros Curriculares Nacionais - PCNs, nos anos 1990, usados como referência a partir da diversidade social e cultural do país. 

O ACERVO HISTÓRICO DO LIVRO ESCOLAR – AHLE, além dos livros escolares, resguarda alguns Guias Curriculares como materiais de auxílio à pesquisa, junto a livros de referência e outros de formação de professores.
Uma última aquisição foi: Guias curriculares propostos para as matérias do núcleo comum do ensino do 1º Grau, da Secretaria da Educação de São Paulo, elaborado pelo Centro de Recursos Humanos e Pesquisas Educacionais Prof. Laerte Ramos de Carvalho.
São guias curriculares de Comunicação e Expressão; Estudos Sociais e Ciências e tratam das mudanças implantadas na Educação pela Lei 5.692/71.

Outros Guias: 
Subsídios para a implementação do guia curricular de língua portuguesa para o 1º grau, de 1981 de autoria de  Marieta Lúcia Machado Nicolau.

Ensinando matemática a crianças – guia para o professor do 1º ano. Centro Brasileiro de Pesquisas Educacionais, de 1960, de Almira Sampaio Brasil da Silva, et alli.



quarta-feira, 18 de maio de 2016

A temática do trabalho

No dia 1º de maio é comemorado o Dia do Trabalhador. Em 1886, nesta mesma data, trabalhadores de Chicago (Estados Unidos da América) promoveram protestos de rua e uma grande greve geral pedindo pela redução da jornada de trabalho, de treze para oito horas. 
Conflitos entre trabalhadores e policiais resultaram na morte de mais de doze manifestantes, sete policiais e dezenas de pessoas feridas. Um ano após o ocorrido, foi decidido então declarar o 1º de Maio como feriado em memória dos trabalhadores em luta por direitos trabalhistas.  
O trabalho é representado de várias formas e a escola teve um papel fundamental na qualificação da mão de obra para o trabalho na fase do desenvolvimento capitalista.

O Acervo Histórico do Livro Escolar - AHLE  possui muitos livros  que abordam a temática do trabalho, bem como uma variedade de ilustrações que retratam o trabalho do campo e da cidade. Os livros de ensino profissionalizante são muito presentes também, dado que por muitos anos as escolas ofereceram cursos técnicos, incentivados como uma alternativa à universidade no período da Ditadura Militar.

Sendo o AHLE um grande registro de 80 anos da educação brasileira, pode-se encontrar nele um vasto material destes livros profissionalizantes. Alguns inclusive trazem ilustrações de jovens exercendo profissões, como na série de livros de leitura O Pedrinho, que numa das capas o personagem aparece como marceneiro. 


Autoria: Aline Oliveira

Graduanda em Letras pela Universidade de São Paulo e estagiária do Acervo Histórico do Livro Escolar -  AHLE


segunda-feira, 11 de abril de 2016

O Idioma Nacional




 

 

Uma das vantagens deste Blog é dar luzes a estudiosos desconhecidos ou já não mais lembrados. Isso porque o ACERVO HISTÓRICO DO LIVRO ESCOLAR – AHLE abriga 80 anos da História da Educação do país e assim agrega títulos e autores mais antigos de livros escolares, muitas vezes, esquecidos. Vale lembrar que esses autores geralmente têm uma produção da escrita não só didática.


Este é o caso de Antenor Nascentes (1886-1972), professor catedrático de português do Colégio Pedro II e considerado um dos grandes estudiosos da língua portuguesa do século XX, com inúmeras publicações. Um dos fundadores da Academia Brasileira de Filologia[1], Antenor, além de livros escolares, foi autor de inúmeros estudos, como o Dicionário Etimológico da Língua Portuguesa, que lhe deu notoriedade no meio literário e acadêmico. Recebeu o prêmio Machado de Assis pelo conjunto da obra em 1962.
Sobre livros escolares, Antenor Nascentes tem uma vasta produção. Destaco a série O Idioma Nacional, em cinco volumes. Essa série é dirigida ao público estudantil e foi publicada nos anos de 1920, pela Typographia A Encadernadora do Rio de Janeiro e como depositário, a Livraria Machado. Outras edições tiveram como depositários a Livraria Alves e a Livraria Briguiet.
O AHLE tem três títulos dessa coleção: os volumes II, 1ª ed. de 1927 e reedição de 1942; o volume III, reedição de 1942 e o volume V, 2ª edição de 1935. O primeiro volume foi publicado em 1926 e não faz parte desse Acervo.
O período de publicação desses volumes é o da naturalização da língua, movimento que se inicia no fim do século XIX, de consolidação da língua brasileira e  do Estado nacional. Chama a atenção, por exemplo, o capítulo sobre a  "Métrica dos Cantadores nordestinos", indício dessa abordagem voltada para a brasilidade.
Outros livros escolares do autor: Dificuldades de análise gramatical de 1959; Método prático de análise sintática, de 1961 e  Dificuldades de análise sintática, de 1961, todos da Francisco Alves Editora, além de vários dicionários.
O AHLE  mantém centenas de livros escolares de língua portuguesa.







[Notas:


1 Criada em  1944, com sede no Rio de Janeiro.