Acervo Histórico do Livro Escolar - AHLE

O ACERVO HISTÓRICO DO LIVRO ESCOLAR é formado pelo conjunto de livros escolares das antigas bibliotecas públicas infantis da cidade de São Paulo.

Com 5 mil volumes, o Acervo é composto por cartilhas, manuais escolares de todas as matérias de ensino, antologias literárias e livros de referência de uso escolar, entre outros, do século XIX até a década de 1980 e abrange os cursos primários, os secundários, os de formação de professor e o ensino técnico.
O Acervo está localizado na Biblioteca Infantojuvenil Monteiro Lobato, equipamento da Secretaria Municipal de Cultura de São Paulo.

Neste blog serão publicadas informações sobre esse acervo.


Seja bem-vindo.







sexta-feira, 30 de janeiro de 2015

O Jornal "A Voz da Infância" (1936-1950) - Educação e Cultura na Modernidade Paulistana


 
A publicação de um livro sobre um jornal infanto-juvenil da década de 1930 pode não parecer adequado em um Blog que se propõe a divulgar e trazer informações a respeito de um Acervo de livros escolares antigos. Mas se pensarmos que esse jornal foi criado e editado na Biblioteca Infantil Municipal de São Paulo, atual Biblioteca Monteiro Lobato, a mesma que deu origem ao AHLE, veremos uma confluência entre o livro e o Acervo.

Ambos tiveram como princípio a Biblioteca que sediou livros para trabalhos escolares das crianças e assim proporcionou a organização do Acervo Histórico do Livro Escolar - AHLE,  hoje procurado como fonte de pesquisa e  também abrigou um projeto de elaboração de um jornal infanto juvenil com o objetivo de promover a Biblioteca como equipamento de educação e cultura e garantir a permanência das crianças em seu espaço.

O livro que dá título a este texto é também, junto com o AHLE, fruto da busca de novas fontes, empreitada que expõe vestígios e testemunhos do passado. Espera-se com isso chamar a atenção  para o resguardo e disponibilização de fontes de pesquisa, trabalho sempre em construção, apesar dos avanços proporcionados pela tecnologia. Assim conta-se colaborar para a escrita da história e  o intercâmbio com outras instituições.

quarta-feira, 28 de janeiro de 2015

Antonio Firmino de Proença


Antigamente era mais comum que professores publicassem livros escolares? Parece que sim, ao menos é o que demonstra o ACERVO HISTÓRICO DO LIVRO ESCOLAR – AHLE. São vários os educadores que se tornaram autores de livros didáticos e paradidáticos ou mesmo organizadores de coletâneas e coleções de uso escolar.

Um desses foi Antonio Firmino de Proença (1880-1946) professor paulista formado na Escola Normal de São Paulo (conhecida como Escola da Praça ou Escola Normal  Caetano de Campos).

Lecionou em várias escolas públicas do Estado de São Paulo e publicou, entre outros, uma coleção de livros escolares denominadas “séries graduadas”, compostas por uma cartilha e quatro ou cinco livros voltados para as séries do antigo curso primário (atual 1º ciclo do ensino fundamental).

NO AHLE encontram-se o 1º, 2º e 3º Livros de Leitura da década de 1940 e o livro Leitura para principiantes de 1945, já na 63º edição.

Alguns estudos sobre Proença ilustram a sua trajetória como educador e autor de livros escolares. Entre outros Razzini, Marcia (org.) Antonio Firmino de Proença: professor, formador, autor. Ed. Porto de Ideias, 2010 e também Gazoli, Monalisa. Bibliografia de e sobre Antonio Firmino de Proença: um instrumento de pesquisa. Disponível em http://www.sbhe.org.br

Lembramos também que Antonio Firmino de Proença dá nome a antiga e consagrada escola pública no bairro da Moóca.

O AHLE tem em seu acervo outros livros didáticos escritos e organizados por professores que serão divulgados em breves textos como este.

segunda-feira, 22 de dezembro de 2014

O livro escolar e as ilustrações

O livro escolar como fonte de pesquisa apresenta inúmeras possibilidades. Além do olhar do pesquisador, no sentido de uma mesma fonte suscitar diferentes abordagens, no universo do conhecimento há várias áreas de investigação.
Objeto da cultura, o livro escolar insere-se em um ambiente pedagógico específico e em um contexto histórico e cultural. Como produto da intencionalidade do processo educativo, por sua vez, está impregnado pelas políticas, vertentes e métodos educacionais que compõe determinada organização social
As ilustrações nos livros didáticos, por exemplo, podem ser um recorte de pesquisa desse material. A imagem como ferramenta pedagógica facilitadora do processo de ensino e da aprendizagem; o formato do livro; seu projeto gráfico, entre outros aspectos demonstram não só as mudanças nos métodos e nas práticas escolares, quanto na exposição de valores e modos de pensar.
Não sei precisar quando as ilustrações se tornaram importantes no livro didático. (1) Alguns livros dos cursos primários publicados no século XIX, que fazem parte do AHLE, como A História de São Paulo (2) primam pelo texto, com pouquíssimas ilustrações.
O AHLE, com cinco mil livros escolares, abrange um vasto período da história da educação e do país e assim diferentes formas de apresentação do livro didático.
 
Notas:
(1)   Entre outros autores, BITTENCOURT, Circe Maria  Fernandes. Livros Didáticos Entre Textos e Imagens in O Saber Histórico na Sala de Aula. 11ª Ed. São Paulo: Contexto, 2006.
(2)   AMARAL, Tancredo. A história de São Paulo ensinada  pela biografia. Fco Alves, São Paulo, 1895.

segunda-feira, 10 de novembro de 2014

Livros esquecidos

“Ciências para o Madureza” (1) foi o primeiro livro do Acervo Histórico do Livro Escolar - AHLE.  Ora, um livro não mais usado, de um curso já extinto, com uma nomenclatura fora do padrão atual, além de conteúdos defasados, principalmente em relação ao desenvolvimento tecnológico só poderia ter um destino: o lixo ou a reciclagem de papel.

Mas por um feliz acaso o livro foi salvo da destruição e mais, foi o embrião de outros compilados nos acervos  das Bibliotecas mais antigas da cidade de São Paulo. Essas Bibliotecas foram criadas ao longo das décadas de 1930, 40 e 50.

BENJAMIN (2002), em um texto sobre livros “velhos e esquecidos” relata a respeito de um colecionador alemão de livros infantis, que os salvou da máquina de triturar papel. Esse comentário é bem vindo quanto à formação do AHLE, pois livros sem uso transformaram-se em um acervo de valor documental acessível para pesquisadores.

HOBSBAWM (1998, p. 220), sobre as fontes de pesquisa para a História, assinala que é o olhar investigativo ou as questões postas pelo pesquisador que transformam documentos em fontes de pesquisa. Em geral, não existe material algum até que nossas perguntas o tenham revelado, afirma o autor.

Porquanto somente alguém voltado à pesquisa poderia ver em um livro de Madureza da década de 1970 um documento a ser preservado, junto a outros livros escolares antigos. Sem dúvida minha formação em História e Filosofia da Educação aliada à vocação para a investigação científica foi o solo fértil para o projeto de organização do AHLE, disponibilizado para pesquisadores em 2008.

Mas voltando a esse primeiro livro, o que foram os cursos de Madureza? A Lei de Diretrizes e Bases da Educação - LDB de 1961, previa um curso para jovens e adultos que haviam perdido ou não haviam frequentado o ginásio e o colegial no tempo certo. Ginasial e Colegial foram graus de ensino equivalentes hoje ao segundo ciclo do Ensino Fundamental e ao Ensino Médio. Para a inscrição nos cursos de Madureza a idade mínima era 16 anos.

O Projeto Minerva nos anos de 1970 e os Cursos Supletivos substituíram os de Madureza. Na cidade de São Paulo o Curso de Madureza Santa Inês foi um dos mais reconhecidos.

O AHLE mantém algumas dezenas de livros de Madureza, dos cursos Supletivos, como também dos antigos Cursos de Admissão.

Notas:

(1) AMARAL, Oswaldo Luiz de Souza. Ciências para o Madureza. Primeiro Grau. São Paulo, Editora Ática, 1972.

Referências Bibliográficas:

BENJAMIN, Walter (2002).  Livros infantis velhos e esquecidos. In: reflexões sobre a criança, o brinquedo e a Educação. São Paulo, Duas Cidades e Editora 34.

HOBSBAWM, Eric (1998).  Sobre a História. São Paulo, Cia das Letras.

quarta-feira, 8 de outubro de 2014

PESQUISAS NO ACERVO HISTÓRICO DO LIVRO ESCOLAR - AHLE



  1. De uma forma geral o AHLE chama a atenção de um público voltado para a pesquisa. Nesse sentido, graduandos, pós-graduandos, professores e alunos de várias áreas das ciências humanas, como Letras, Pedagogia, História, Biblioteconomia, Geografia e outras buscam no Acervo material para seus trabalhos e pesquisas.
Sabemos que a escolha de determinada fonte é resultado da indagação do pesquisador e do objeto a ser investigado e nesse sentido o uso cada vez mais diversificado de materiais, como a iconografia, os testemunhos orais e outros decorre da especificidade da pesquisa e do perfil de quem a faz.
Da mesma forma que outras fontes, oficiais ou não, o livro escolar por si só não contém um caráter elucidativo. Como afirma Hobsbawm (1997, p. 224) mesmo a melhor das fontes (...) apenas esclarece certas áreas daquilo que queremos conhecer. O que devemos fazer é reunir uma ampla variedade de informações em geral fragmentárias.
Em relação ao AHLE já  fizemos um levantamento de temas e livros mais procurados, como também dos educadores mais  solicitados. Destaco aqui dois autores de livros didáticos que foram tema de pesquisa recentemente. Um deles, Thales de Andrade (1890-1977), professor,  escreveu vários livros de histórias infantis da série Encanto e Verdade da Ed. Melhoramentos, da qual foi também organizador. Alegria (leitura intermediária), de 1938, da Ed. Cia Nacional,  Saudade (1919) e Ensinando a Constituição (1954), são também livros de uso escolar de Andrade mantidos pelo AHLE.
Sergio Buarque do Holanda (1902-1982) foi outro autor de livros escolares procurado para pesquisa.
O AHLE tem livros de História do Brasil e História da Civilização da 1ª a 8ª série do antigo 1º grau (atual ensino fundamental) dos anos de 1970, editados pela Cia Editora Nacional de São Paulo, de sua autoria.
Além dos títulos, muitos pesquisadores buscam autores de livros didáticos como fonte para seus trabalhos e o AHLE, com 5 mil livros e abrangendo 80 anos da História da Educação, dispõe de farto material para esses estudos.
 
 
Referências Bibliográficas
 
HOBSBAWM, E. (1998).  Sobre a História. São Paulo, Cia das Letras.
 


segunda-feira, 15 de setembro de 2014

HERÓIS NACIONAIS


Heróis compõem muitas vezes histórias de ficção infantis e juvenis e o que lhes confere esse atributo é se destacarem em algum acontecimento. Agora, fora da ficção, heróis são personagens fabricados pela História em um determinado contexto e associados a um passado glorioso.

Mártires, salvadores, patriotas, heróis fazem parte de uma visão individualista, personalista e muitas vezes fatalista, onde o processo histórico ou as condições favoráveis a certos acontecimentos são deixadas de lado. Assim é um feito, geralmente um protagonista, com sua vontade e destemor o sujeito responsável por algum fato ou evento.

O ensino de Historia esteve e muitas vezes ainda está permeado por uma perspectiva positivista e tradicional que privilegiam ações individuais, a cronologia dos fatos e a linearidade.

Uma nova abordagem em História a partir dos anos 1960 e depois dos anos 1980, com o fim da ditadura e da censura, expôs a dimensão coletiva das mudanças na trajetória do país, os interesses envolvidos e o papel dos vários grupos sociais. Assim uma interpretação mística e fatalista deixa de existir e dá lugar à crítica e à reflexão.

 O ACERVO HISTÓRICO DO LIVRO ESCOLAR – AHLE tem vários livros didáticos e para-didáticos que tratam dos vultos da pátria, dos heróis nacionais, vistos como personalidades exemplares. A maioria desses livros é dos anos 1940 e 1950 e foram utilizados nas escolas. Valem como registro e fontes de pesquisas.

Bibliografia

LEÃO, Antonio Carneiro. Meus Heróis. A  Noite, RJ, 1943 Il. Armando Pacheco.

LOBO, Chiquinha Neves. Glórias Brasileiras. s/ed. São Paulo, 1944. 






sexta-feira, 15 de agosto de 2014

Thomaz Galhardo


Thomaz Galhardo nasceu em Ubatuba em 1855, falecendo em 1904. Estudou na Escola Normal de São Paulo e foi professor, ocupando vários cargos na Instrução Pública do Estado.

É reconhecido pela publicação de livros didáticos para as primeiras letras. Sua Cartilha Elementar para a Infância, do início da década de 1880, baseia-se no método de silabação; publicou o Segundo Livro de Leitura Na escola e no Lar e  o Terceiro Livro de Leitura para a Infância ainda nas últimas décadas do século XIX. Sua obra foi editada pela Editora Francisco Alves  e alcançou inúmeras edições.




O ACERVO HISTÓRICO DO LIVRO ESCOLAR – AHLE possui duas Cartilhas, uma de 1940 e outra de 1946, já na 158ª edição.  O Segundo Livro de Leitura data de 1960, na 81ª edição e o Terceiro Livro de Leitura é o mais antigo do Acervo,  de 1907, na 5ª edição.




Mesmo com algumas modificações e ampliações, como no caso da Cartilha da Infância, os livros de Galhardo têm, além da raridade, como todo livro didático antigo em nosso país, o privilégio de serem editados e reeditados por muito tempo, alcançando assim várias gerações. (1)

O AHLE resguarda inúmeras cartilhas, como também edições seriadas, como essa do Galhardo: um livro de alfabetização seguido de outros, geralmente  quatro livros, de acordo com as séries do Grupo Escolar, modalidade de escola inaugurada com a República.

Notas:


(1) Verificar: SANTOS, Luana Grazielle. Um estudo sobre a cartilha da infância (188?),  de Thomaz Galhardo, publicado na Revista de Iniciação Científica da FFC, v. 7, n. 3, p. 332-342, 2007.