Acervo Histórico do Livro Escolar - AHLE

O ACERVO HISTÓRICO DO LIVRO ESCOLAR é formado pelo conjunto de livros escolares das antigas bibliotecas públicas infantis da cidade de São Paulo.

Com 5 mil volumes, o Acervo é composto por cartilhas, manuais escolares de todas as matérias de ensino, antologias literárias e livros de referência de uso escolar, entre outros, do século XIX até a década de 1980 e abrange os cursos primários, os secundários, os de formação de professor e o ensino técnico.
O Acervo está localizado na Biblioteca Infantojuvenil Monteiro Lobato, equipamento da Secretaria Municipal de Cultura de São Paulo.

Neste blog serão publicadas informações sobre esse acervo.


Seja bem-vindo.







segunda-feira, 20 de março de 2017

Como se despedir de um Blog? Março de 2017

               (BLOG DO AHLE:  JAN/2009-MAR/2017)

Quando resolvi ser blogueira, abrir uma página na internet motivada pela criação do Acervo Histórico do Livro Escolar – AHLE e escrever sobre livros escolares antigos para divulgar o acervo, não imaginei que um dia fecharia o Blog. Mas esse dia chegou.

Achei que uma despedida era necessária tanto do espaço que criei para escrever, quanto dos leitores que me acompanharam e com isso incentivaram a elaboração de mais textos e a permanência do Blog. Os registros numéricos apresentados pelo sistema blogspot.com mostraram, em determinados momentos, mais de mil leitores diários. Os comentários postados e os 83 seguidores do Blog também registram esse acompanhamento.

Preocupo-me ainda com os futuros leitores, pois é assim que funciona a Web. De certa forma perpetua conteúdos, pois o que foi publicado permanecerá.  
O Blog fez oito anos. Foi criado em janeiro de 2009. Ao todo foram 111 textos, com 170.00 mil visualizações. A origem do público é majoritariamente do Brasil e dos Estados Unidos, seguido por países europeus e em menor número, países do oriente.

Não serei mais responsável pelo AHLE, que continuará na Biblioteca Monteiro Lobato.

Não sei se no fim de um Blog, nesta era virtual, cabe agradecimento.  Agradeço mesmo assim a todos os que me acompanharam.


Azilde Andreotti

                         








quinta-feira, 23 de fevereiro de 2017

Restaurado "Os Lusiadas" (para uso nas escolas) de 1879



Qual é o futuro de um livro antigo? Em um texto sobre livros infantis, Walter Benjamin relata o caso de um colecionador de livros antigos que os salvou da máquina de triturar papéis. [1] Não só colecionadores, mas acervos criados para resguardar livros e documentos, sejam temáticos, institucionais, públicos ou privados também têm a função de salvá-los da destruição.
Além da trituração, livros antigos correm outros riscos: a decomposição do material pelo manuseio, pelas condições inadequadas de guarda e pelo tempo.

Mas contraditoriamente ao desgaste que o tempo imprime aos livros e documentos, quem trabalha com preservação considera que o tempo seleciona e é atributo porque traz as marcas do passado, muitas vezes por meio de ressalvas do leitor, de pequenas anotações e das dedicatórias. Até insetos, nem sempre bem-vindos, participam da história desses materiais.

Tudo isso para relatar a recuperação do livro mais antigo do Acervo Histórico do Livro Escolar – AHLE. Trata-se de Os Lusiadas, de Luis de Camões, para uso escolar, publicado em 1879, por Abílio Cesar Borges (1858-1891).[2]                                                      
Pois esse livro agora adquiriu nova feição. Foi reparado pela restauradora Marlene Laky, que gentilmente se ofereceu para recuperá-lo da passagem do tempo, com o profissionalismo de quem conhece, aprecia livros e respeita o que é relevante do aspecto histórico documental.
Quero registrar nossos agradecimentos por esse generoso trabalho.






[1] BENJAMIN, Walter (2002).  Livros infantis velhos e esquecidos. In: Reflexões sobre a criança, o brinquedo e a Educação. São Paulo, Duas Cidades e Editora 34.

[2] Editado em Bruxelas, pela Typographia e Lithographia E. Guyot, o livro em questão já foi tema deste BLOG em 26/06/2012.

terça-feira, 14 de fevereiro de 2017

LITERATURA E LIVROS ESCOLARES




A relação entre literatura infantil e livros escolares é pouco estudada.
Segundo Nelly Novaes Coelho, tanto educadores quanto escritores foram os precursores dos livros literários para crianças e também dos livros escolares no país. Esses gêneros “tiveram influência na formação da mentalidade brasileira tradicional” [1] e se confundiam quanto aos objetivos de formação moral e de ensinamentos escolares.
1939
Os primeiros livros ou coleções de literatura infantil usados nas escolas foram escritos ou organizados por professores[2] e adotados para a prática da leitura.
Por outro lado, livros escolares ou didáticos não são muito valorizados como produção intelectual, por serem usados num curto período de tempo e descartados ou por não terem valor literário e científico. Mas nas primeiras décadas do século XX vários escritores se dedicaram a escrever livros didáticos ou de uso escolar tais como Cecília Meirelles, Érico Veríssimo e Olavo Bilac, por conta da pouca produção desse gênero de livros.
É recente a busca de livros escolares como fonte de pesquisa, tanto para a história da educação, quanto para a recuperação de aspectos sócio-culturais de um determinado período.
A organização do AHLE em 2008 teve essa função de resguardar livros escolares antigos e disponibilizá-los para a pesquisa. Os vários temas trazidos pelos pesquisadores demonstram as inúmeras possibilidades desse material. 






Notas:


[1] Dicionário crítico da literatura infantil e juvenil brasileira. Edusp, São Paulo, 1995, p.23.

[2] A coleção Biblioteca Infantil, da Ed. Melhoramentos,  foi organizada, entre outros, por Lourenço Filho e Arnaldo de Oliveira barreto.
Essa coleção já foi tema deste Blog em 2011.










quinta-feira, 9 de fevereiro de 2017

CURSOS DE ADMISSÃO AO GINÁSIO

Os Cursos de Admissão foram preparatórios para o ingresso no Curso Ginasial (atual 2º ciclo do Ensino Fundamental).  O aluno, após os quatro anos do curso primário (atual 1º ciclo do Ensino Fundamental), poderia fazer um quinto ano ou então, um exame de admissão composto pelas matérias: Português, Aritmética, Geografia e História.
No art. 3º da Portaria Ministerial n. 325, de 1959, consta que são matérias de exame de admissão: Português, Matemática, História do Brasil e Geografia, especialmente do Brasil.
Parágrafo 1º: Haverá prova escrita e oral de Português etc...
Esses exames foram instituídos por meio da Reforma Francisco Campos, em 1931 e vigoraram até 1971, sendo obrigatórios nas escolas públicas e dificultaram o acesso ao ensino secundário, funcionando assim como um vestibular seletivo.
Os livros escolares de Admissão geralmente são compostos pelas matérias de ensino obrigatórias, com exercícios, textos para o "Ditado" e continham várias estratégias de apoio aos professores.
O ACERVO HISTÓRICO DO LIVRO ESCOLAR – AHLE mantém algumas dezenas de livros de Admissão, dos anos de 1950, 60 e 70, em diversas edições.
Por outro lado existem vários estudos em História da Educação que tratam desses cursos. [1]








[1] Blank, Maria Elizabeth (or.), Aksenen, Elisângela Z. Desvelando os exames de Admissão ao Ginásio na educação paranaense. http://sbhe.org.br/novo/congressos/cbhe7

Verificar também: Narrativas digitais sobre os exames de admissão ao ginásio: egodocumentos e cultura escrita na história do tempo presente. Profa. Dra. Cristiani Bereta da Silva.
 Acesso: http://www.revistas.udesc.br

sexta-feira, 27 de janeiro de 2017

Para que serve conhecer Latim?

Para que serve estudar Latim? Afinal uma língua morta, como dizem, e que não se fala mais?
Pois bem, o Latim já fez parte dos currículos escolares dos cursos ginasiais (atualmente 5ª a 8ª série do ensino fundamental) e dos cursos clássico e científico (antiga divisão do que é hoje o curso médio ou recentemente o 2ª grau). O Latim foi extinto junto a outras línguas como o francês, com a  Lei n. 5692, de 1971, que reformulou toda a estrutura do ensino no Brasil. Atualmente a língua inglesa e a  espanhola fazem parte da grade escolar e o Latim ainda compõe a grade curricular dos cursos superiores de Letras e de Direito.
Bem, estudar ou conhecer o Latim facilita muita coisa: aumenta o vocabulário; promove o entendimento do significado das palavras; facilita o aprendizado das línguas romanas ou latinas e mais, leva ao  conhecimento sobre a origem, a raiz de determinados termos.
Um exemplo clássico é a palavra “lacte” de origem latina: “latte”, em italiano; “leche”, em espanhol; “leite”, em português e “lait” em francês.
Tudo isso para indicar uma recente doação ao Acervo Histórico do Livro Escolar – AHLE:
A Gramática Latina do padre João Ravizza, editado pela antiga Escola Industrial Dom Bosco, em Niterói, 11ª edição, de 1948, acrescida de um compêndio da história da literatura latina.
A última informação sobre esse livro é que foi editado ainda em 1966, em 13ª edição, pelas Escolas Profissionais Salesianas.
Uma ressalva de Rui Barbosa sobre o livro que lhe foi presenteado data de 1918, indicando esse ano como próximo à primeira edição da presente gramática.
Esses e tantos outros livros antigos que foram usados nas nossas escolas são fontes preciosas para a História da Educação, como também para a recuperação de aspectos sócio-culturais da nossa sociedade. A reconstituição desse passado nos serve como referência e reflexão sobre mudanças e permanências da nossa história.
A doação deste livro foi um ato generoso de quem aprecia livros e se preocupa com o uso e o destino que lhe são dados.









sexta-feira, 20 de janeiro de 2017

O ensino da Língua Portuguesa e Humberto de Campos




Humberto de Campos (1886-1934) em Os males do ensino primário[1] escreveu que nunca se meteu em conspiração, mas se as crianças do país se reunissem para linchar um gramático ou um professor de português, que contassem com ele para uma primeira paulada.
O que levaria um renomado jornalista e escritor a fazer tamanha declaração? O que teria o autor contra os gramáticos ou o ensino da língua nas escolas?  Pois o que Humberto de Campos menciona em seu texto era e talvez ainda seja, uma prática pedagógica onde conteúdos e formas de ensino nem sempre são compatíveis com a idade, com a possibilidade cognitiva das crianças ou mesmo com seus interesses.
Claro que hoje em dia tudo isso mudou e faz parte de uma preocupação permanente da didática e das práticas de ensino nas escolas e nos cursos de formação de professores fazer essas adequações.
Mas o exemplo que eu trouxe quase como uma provocação é elucidativo de quantas vezes a escola fica desinteressante, longe dos anseios das crianças e muitas vezes, apresenta dificuldades que não deveriam existir. Não defendo aqui que aprender é sempre muito fácil, ligeiro ou sem uma dose de esforço.
Ora, a curiosidade e a vontade de conhecer são naturais. Qual criança não faz perguntas, não manifesta interesse por isso ou aquilo? Porque há de ser diferente quando entra na escola?
Já ouvi de muitas crianças e jovens que foram obrigados a ler extensos romances que não lhe chamavam a atenção ou que gramática é muito, mas muito complicado. Impossível até.
A educação escolar é uma etapa fundamental na vida das crianças e mostrar uma preocupação para que seja cada vez melhor é um dos objetivos deste curto texto. 
Outro foi trazer a baila Humberto de Campos, que não foi autor de livros didáticos, mas produziu uma vasta obra ao abordar assuntos como a escola e a educação, tendo como cenário as primeiras décadas do século XX.
Ilustro com dois livros próximos ao tema que postei. Um é de Psicologia da Educação e o outro,  sobre práticas de ensino. Esses e inúmeros livros de ensino da Língua Portuguesa, como também livros de formação de professores o AHLE resguarda para pesquisadores e interessados. 




[1] CAMPOS, H. Reminiscências... Obra póstuma. Rio de Janeiro, W. M. Jackson Inc. 1951. A primeira edição foi em 1935.

segunda-feira, 19 de dezembro de 2016

MATEMÁTICAS E GEOMETRIAS


Como método fundamental das ciências, a observação foi a origem de tantas descobertas e explicações sobre o mundo em que vivemos.  Questões do cotidiano e necessidades práticas ajudaram a desenvolver o que sabemos hoje em todas as áreas do conhecimento.
Pois o Acervo Histórico do Livro Escolar – AHLE contribui, senão para o desenvolvimento científico, ao menos para a recuperação histórica de como as ciências eram e ainda são ensinadas nas escolas.
Nesta postagem abordo livros antigos de Geometria. De origem grega, a palavra significa  “medir a terra” (geo-terra, metria).
Necessidades do dia a dia tais como: áreas de plantio, definição de fronteiras, delimitação de posse de terras, construção, entre outras, iniciaram esses cálculos e fórmulas. Foi com o matemático grego Euclides (325-265 a.C) que a Geometria desenvolve-se como ciência.
Para alguns educadores o ensino da geometria não é prestigiado nas aulas de matemática, ficando muitas vezes por último nos planos de curso.
O AHLE resguarda centenas de livros escolares de matemática, álgebra e geometria. Os mais antigos são: Elementos de Geometria de 1892; Elementos de Álgebra, de 1912 e Arithmetica para o curso primário, de 1918.
Quem sabe essas informações que divulgam o Acervo inspirem para uma história do ensino da matemática. Fica aqui a sugestão.


Obs. As ilustrações desta postagem são do livro Elementos de Geometria de 1896 e tem como autoria a sigla F.I.C. que significa a série de livros das escolas da Congregação Fréres de L’Instruction Chrétiene.

quarta-feira, 7 de dezembro de 2016

Sergio Buarque de Hollanda e os livros didáticos de história



São vários os autores que se dedicaram à ficção, a ensaios ou a publicação de livros de teoria e de análise sobre a história e a realidade brasileira e também se dedicaram, em algum momento, a escrever livros didáticos ou de uso escolar para crianças e jovens.

Destaco nesta postagem um desses nomes: Sergio Buarque do Holanda (1902-1982), autor, entre outros livros, de Raízes do Brasil (1936),[1] considerado um dos importantes títulos da moderna historiografia brasileira.
Sobre livros didáticos Sergio Buarque dirigiu pela Cia Editora Nacional, nos anos de 1970, a Coleção Sergio Buarque de Hollanda, com outros autores, como Carla de Queiroz, Sylvia Barboza Ferraz e Virgílio Noya Pinto e assessoria didática complementar de Laima Mesgravis.

Editada entre 1971 e 1989 e composta por livros para as séries ginasiais ou 5ª a 8ª série do 1º grau (de acordo com as mudanças nos nomes  dos cursos), essa coleção foi considerada inovadora como livro escolar de história, tanto em relação à didática e a apresentação dos conteúdos, quanto às ilustrações.[2] 

O AHLE mantém: Das origens à Independência, de 1971 e Da Independência aos nossos dias, de 1972 e 1977 e História da Civilização, para as 7ªs e 8ªs séries do 1º grau (1975), todos pela Cia Ed. Nacional.

Sobre as denominações dos cursos, conforme as diferentes leis do ensino, esclareço a seguir: os cursos ginasiais, com duração de quatro anos eram voltados para alunos entre 10 e 14 anos. Esse curso foi substituído, segundo a Lei n. 5692/71 pelo 1º grau (5ª, 6ª, 7ª e 8ª series) e atualmente corresponde ao 2º ciclo do Ensino Fundamental.

O AHLE resguarda centenas de livros de história muito procurados por pesquisadores. Um dos mais antigos é Resumo da História do Brazil, de José E. C. de Sá e Benevides, editado pela Francisco Alves, 1915, 10. edição.


Notas:



[1] Uma edição comemorativa dos 70 anos desta publicação, em 2006, foi organizada por Ricardo Benzaquen de Araújo e Lilia Moritz Achwarcz. Publicado pela Cia das Letras, reuniu prefácios e introduções ao livro, além de novas contribuições escritas especialmente para a edição.

[2] Verificar: MÁSCULO, Jo´se Cássio. A coleção Sérgio Buarque de Hollanda: livros didáticos e ensino de história. Tese (doutorado), PUCSP, 2008.




segunda-feira, 28 de novembro de 2016

PRÁTICAS DE LEITURA DE TEXTOS LITERÁRIOS NO LIVRO DIDÁTICO



Faço aqui algumas especulações sobre a escola como um dos espaços de formação de leitores. Afinal, ler é um hábito que se forma e é na família, que na maioria das vezes, isso acontece pela aproximação com livros, revistas, gibis, jornais e com adultos que lêem para si e para a criança. Claro que atualmente o texto escrito está também em computadores, celulares, e-books etc. e tal, mas isso não anula a formação do hábito da leitura.

Essa iniciação, que nem todos têm junto à família, envolve ainda mais  o papel da escola na formação da criança leitora e com isso, a utilização do livro didático como uma dos instrumentos para essa   formação.

Desde os livros de primeiras leituras com textos literários infantis,  até as antologias literárias, o livro didático foi e ainda é um material indispensável para abordar textos de literatura e aproximar alunos e alunas com autores mais consagrados, clássicos, contemporâneos e populares. (1)
(1944)

Algumas ideias podem contribuir para essa prática. Por exemplo, conhecer uma biblioteca, mas demoradamente, deixando a criança se aproximar dos livros; incentivar a ‘contação’ de histórias; propor a “hora da leitura”; proporcionar encontros com autores; respeitar  a iniciativa do estudante; transitar por vários gêneros desde a poesia, a crônica, o conto, o romance ou textos opinativos e principalmente,  não impor textos sem conexão com alguma questão de contexto. Mesmo autores de séculos passados têm vínculo com temas que são universais e atemporais. Esse é um dos mais importantes predicados das artes em geral e da literatura em particular.
(1962)

Alguns entraves que podem dificultar a prática da leitura literária na escola: a opinião sedimentada de que o aluno ou aluna não gostam de ler ou mais, “as novas gerações não lêem”; falta de material ou de um ambiente propício; bibliotecas pouco convidativas e também o fato de que nem sempre o professor é um leitor.

Bem toda essa especulação sobre leitura literária e livro didático teve o propósito de trazer alguns livros de leitura na escola de tempos atrás, livros que o ACERVO HISTORICO DO LIVRO ESCOLAR – AHLE mantém em seu acervo.
Afinal não é com a história que apreendemos melhor os tempos atuais? Ou que ao menos nos provoca uma atitude reflexiva e a compreensão da construção de práticas pedagógicas? Ora, estudos comparativos, de métodos, contrastes entre textos e períodos históricos são perspectivas de pesquisa que estimulam novas abordagens. E muitas vezes, não tão novas assim.


Notas:


(1) Uma dissertação de mestrado que aborda essas questões e traz uma bibliografia significativa: Feitosa, Márcia Soares Araujo. Prática docente e leitura de textos literários no Fundamental II: uma incursão pelo programa Hora da Leitura. Mestrado, Faculdade de Educação da USP, 2008. Acessado em 28/11 http://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/

segunda-feira, 21 de novembro de 2016

NOVO MANUAL DE LINGUA PORTUGUEZA (1916)




 Novo Manual de Lingua Portugueza (grafia reproduzida na forma literal do livro) é um desses títulos que chama a atenção pela autoria: “por uma reunião de professores”, pela indicação do método: “grammatica pouca, exercícios muitos” e claro, pela antiguidade.
Esse exemplar é de 1916, como "nova" edição, o que nos permite avaliá-lo como mais antigo ainda. Seu conteúdo trata da gramática, da lexicologia, da analyse (gramatical) e da composição, segundo explicações da capa.
Editado pela Livraria Francisco Alves & Cia., editora também de livros didáticos, pertence à coleção F. T. D. Essa sigla é em homenagem à Frere Theophane Durand, do Instituto Marista, ordem religiosa de origem francesa. A FTD tornou-se uma editora no Brasil, ainda atuante. 
O livro em questão faz parte dessa coleção didática que os Irmãos Maristas produziram na época, além de obras para o ensino religioso e é voltado para os cursos secundários.
A respeito dos cursos secundários, cabe esclarecer que "no período da Primeira República (1889-1930), para o ensino secundário, a União tinha como responsabilidade manter o Colégio Pedro II, e os Estados, apenas um ginásio-modelo nas suas capitais. Esses ginásios se submetiam às diretrizes curriculares daquele. Boa parte das escolas secundárias, então, eram mantidas pela iniciativa privada." (1) 
Uma das lições do livro
Sobre esse Novo Manual..., sua divisão, a didática usada  e a apresentação de conteúdos fazem dele um  exemplar de pesquisa sobre o ensino da Língua e também sobre a sua história. O fato de ser produzido por professores é um indicativo precioso de como era ou ao menos de pensava, em sala de aula, a instrução da língua para o curso secundário na época.
Tanto como exemplar de recuperação histórica, quanto de análise comparativa, este livro pertence àqueles que são raros e merecem ser conhecidos pelas informações que traz.
Outros livros de Gramática ou de Língua Portuguesa são resguardados pelo AHLE, como  também livros escolares para o ensino secundário. O histórico desse grau de ensino é sintomático como parâmetro para avaliarmos o interesse despertado por esses cursos nos dias atuais.

Notas:

(1) Verificar: LOPES Silvana Fernandes. A Educação Escolar na Primeira república: a perspectiva de Lima Barreto. Acesso: http://www.histedbr.fe.unicamp.br/






segunda-feira, 31 de outubro de 2016

ARNALDO DE OLIVEIRA BARRETO

São vários os autores de livros escolares em um acervo com cinco mil títulos. Mas alguns se destacam pela quantidade de livros que escreveram, pela especialidade das matérias de ensino que se dedicaram, pela curiosidade sobre a abordagem de determinados temas, pela antiguidade ou  pela formação que tiveram, entre outros fatores.
Arnaldo de Oliveira Barreto (1869-1925) é um desses autores. Inspetor da seção masculina da Escola Caetano de Campos,(1) Barreto escreveu muitos livros escolares e de leitura para crianças.
Foi um dos organizadores da coleção Biblioteca Infantil, da Editora Melhoramentos, no inicio do século XX.  Eram livros que estimulavam a leitura com pequenas histórias já consagradas do universo infantil (neste blog já escrevi sobre essa série).
O ACERVO HISTÓRICO DO LIVRO ESCOLAR – AHLE mantém vários livros deste autor, além dos publicados pela coleção citada. Enumero alguns a seguir:
A pobre abelhinha- leituras extra escolares para meninos de mais de 12 anos. Typ. Siqueira, 1926, provavelmente sobre sua experiência no Caetano de Campos.
Corações de criança. Leituras preparatórias.  Ed. Francisco Alves, 1918.
Cartilhas das mães. Ed. Fco Alves, 1960, 82ª edição. A primeira edição deste livro foi em 1895.
Organizou o livro de Mme. Leprince de Beaumont: O Bazar das creanças diálogos de uma sabia preceptora com suas discípulas, Ed. Garnier, Tomos I e II.
Expomos nas ilustrações outro livro com a organização de Barreto: Vários Estylos – selecta de trabalhos literários de autores modernos e contemporâneos para uso nas classes de gymnasios e Escolas Normaes. Ed. Melhoramentos, 1910 (?), 6ª ed. 
Este último é uma antologia que reúne pequenos textos de autores nacionais e estrangeiros. As ilustrações trazem Olavo Bilac e Vitor Hugo.
O AHLE mantém centenas de títulos de livros de uso escolar com textos literários voltados para os cursos elementares, secundários e de formação de professores.
Indico o site http://www.unicamp.br/iel/memoria/  para aqueles que se interessam pelo tema e também convido-os a pesquisar no nosso ACERVO.

Notas:
(1) Era usual a separação dos gêneros nas escolas. Sobre a Escola Caetano de Campos, verificar, entre outros trabalhos: MONARCHA, Carlos. A escola norma da praça - o lado noturno das luzes. Campinas, Ed. UNICAMP, 1999.


quarta-feira, 19 de outubro de 2016

SOBRE LIVROS ANTIGOS E RAROS



Sobre livros antigos que influenciaram de alguma maneira a atuação do professor em sala de aula, nem sempre se consegue fazer afirmações certeiras. Mas se considerarmos que o livro em questão fez parte do acervo de uma Biblioteca Infantil, espaço de educação e de cultura[1], fica mais fácil ao menos levantar algumas hipóteses sobre a influência do livro por educadores.
É o que acontece com As sortes de Physica Recreativa, dos professores mais célebres, antigos e modernos, livro que ensina mágica e desvenda magias com explicações e ilustrações. Completando ainda os dizeres da capa: meios maravilhosos, fáceis e baratos de rir e instruir-se.
De autoria de Gastón Robert,  tratasse de nova edição ilustrada com 50 figuras explicativas. O livro data de 1893 e foi editado pela B. L. Garnier, do Rio de Janeiro.
Segundo o prefácio o livro faz parte de uma trilogia que Decremps chamava verdadeiro breviário do Farcista de bom tom. Henri Decremps (1746-1826) foi um mágico francês que publicou A magia branca revelada, desvendando as técnicas usadas para iludir.
Bem, eis um livro raro do século XIX, como outros que pertencem ao ACERVO HISTORICO DO LIVRO ESCOLAR – AHLE. Este provavelmente não foi usado em sala de aula, mas compôs o acervo de uma biblioteca infantil que teve papel fundamental na educação das crianças desde a década de 1930. Não foi a toa que o livro freqüentou as prateleiras dessa Biblioteca.

Notas


[1] Trata-se da Biblioteca Infantil Municipal, criada em 1936, como parte de um projeto de cultura implementado na cidade de São Paulo pelo Departamento de Cultura, na época, dirigido por Mário de Andrade.

terça-feira, 11 de outubro de 2016

LIVROS ESCOLARES DO SÉCULO XIX - Pequena Grammatica da Infância





São poucas as referências que temos sobre exemplares dos livros didáticos publicados do século XIX. Alguns trabalhos sobre a edição de livros escolares no período nos mostram o cenário dessas publicações. A profa. Circe Bittencourt tem textos sobre o tema[1]  e também a profa. Ana Maria de Oliveira[2].
O ACERVO HISTÓRICO DO LIVRO ESCOLAR - AHLE mantém alguns livros oitocentistas já mencionados neste blog, como Os Lusíadas para escolares, publicado por Abílio Cesar Borges, o Barão de Macaúbas.

Pequena Grammatica da Infância, de Joaquim Maria de Lacerda, editado pela H. Garnier, do Rio de Janeiro, é um desses exemplares resguardados pelo AHLE com poucas informações sobre a data de publicação e a circulação do livro. Na capa há indicação “para uso das escolas primárias” e trata-se de “nova edição”.

O autor nasceu no Rio de janeiro em 1838 e faleceu em 1886. Portanto o livro originalmente deve ser da década de 70 ou 80 do século XIX.  Publicações como Alfabeto português e Aritmética da Infância, entre outras, indicam a produção desse autor no gênero do livro didático.

No livro indicado não há prefácio nem introdução. Logo na primeira página Joaquim aborda a Etymologia, como primeira parte do livro, seguida pela Syntaxe, pela Prosódia e pela Orthographia, como quarta parte. Observo, neste blog, a ortografia original do livro. O exemplar tem 120 páginas e nenhuma ilustração.

Eis um exemplar para pesquisadores sobre a evolução da língua portuguesa, sobre a história da gramática e do ensino nas escolas primárias do período.




Notas:




[1] BITTENCOURT, Circe (2004). Apresentação – História, produção e memória do livro didático. In: Educação e Pesquisa. Revista da Faculdade de Educação da USP, v. 30.

 

[2]GALVÃO, Ana Maria Oliveira. A circulação do livro escolar no Brasil oitocentista. UFMG, disponível em  www.anped.org.br/sites/default/files/gt02


quinta-feira, 8 de setembro de 2016

SOBRE GRAMÁTICAS



 Quando falamos em livros de gramática pensamos logo naquelas regras todas que compõem a Língua Portuguesa. Pois é isso mesmo. Dentre os livros que o ACERVO HISTÓRICO DO LIVRO ESCOLAR - AHLE resguarda, datados desde o fim do século XIX até os anos 1970, centenas são de Língua Portuguesa em todas as suas especificidades e muitos de gramática, matéria já comentada em outra postagem deste Blog e que será retomada aqui.
Pois chamam à atenção nesses livros as várias denominações que acompanham a especificidade do título: Gramática metódica; expositiva; descritiva; normativa; simplificada; elementar; prática, além de “novíssima ou moderna”. E é sobre  esses diversos títulos de que tratarei.
O AHLE consegue demonstrar as mudanças ocorridas tanto na língua, quanto nos métodos de ensino, por ter livros escolares que abrangem um período de oitenta anos consecutivos. Mudanças essas próprias da dinâmica da língua e de sua história através do tempo, estudada pela Gramática Histórica, desde a sua origem, até as várias fases de sua evolução.
Vejamos então que Gramática descritiva ou expositiva tem a mesma definição, expõem o estado atual da língua.
Por outro lado, Napoleão Mendes de Almeida, consagrado autor de livros escolares de Língua Portuguesa, usou, desde os anos de 1950, o termo, “metódica” e explica: “o estudo da gramática é metódico, gradativo. Das noções elementares de linguagem vai o aluno ampliando aos poucos, vagarosa, mas completamente.”[i] Gramática Metódica de Língua Portuguesa é título de três exemplares do autor, no acervo, reeditados até os anos de 1970.
Francisco da Silveira Bueno e Lima Rocha, por sua vez usam o termo “normativa”. Gramática Normativa da Língua Portuguesa. Esse termo parece uma redundância, já que a gramática apresenta as normas, as regras que orientam a língua, mas na 1ª edição de 1944, Silveira explica que até então as gramáticas continham um excesso de análise lógica, o que afastava o aluno. E a sua gramática trazia explicações em notas, exemplos clássicos e modernos, citações etc., métodos mais afinados com o seu tempo.
Os termos, “simplificada ou elementar” apontam para o grau de ensino que a publicação está voltada, geralmente para o programa do antigo curso ginasial, atual 2º ciclo do ensino básico.
E os termos, “moderna ou novíssima” se orientam pelo “novo tratamento a temas da língua” e com isso, assinalam para uma abordagem menos clássica ou tradicional. Um dos livros de Evanildo Bachara, por exemplo, é assim apresentado pelo autor, ao incluir “análise literária”.
O mais antigo livro de gramática do AHLE é de 1924, editado pela Fco. Alves, Grammatica Portugueza, de Alfredo Gomes, já na 24ª edição. Outro livro com o mesmo título, de 1925, tem autoria de João Ribeiro, cuja 1ª edição data de 1921.
O AHLE disponibiliza para a pesquisa dezenas de livros com o título de "gramática" e outros tantos livros específicos de regras gramaticais, tais como: sintaxe de construção, crase, correção de frases etc.
 Afinal, última flor do Lácio, inculta e bela, já dizia o poeta.

Notas:




[i] Prefácio de ALMEIDA, Napoleão Mendes. Gramática Metódica da Língua Portuguesa. SP, Saraiva, 1958.

quinta-feira, 1 de setembro de 2016

JOÃO KOPKE


Ao continuar com pequenas biografias de educadores  ou dos  que publicaram livros escolares, apresento João Kopke (1852-1926). Utilizo aqui a biografia não como um gênero historiográfico, mas para trazer algumas informações e situar autores dos livros que o ACERVO HISTÓRICO DO LIVRO ESCOLAR   - AHLE disponibiliza para os pesquisadores e público afim. Para quem tiver interesse no tema, indico um título de François Dosse.{1}
Kopke nasceu no Rio de Janeiro, foi advogado e promotor público, mas logo dedicou-se ao ensino. Lecionou em Campinas no Colégio Culto à Ciência (criado em 1873)[2] e fundou, na cidade de São Paulo, a Escola de Neutralidade, onde lecionaram Caetano de Campos e Rangel Pestana.
Foi autor de cartilhas, a mais consagrada, Método racional e Prático de aprender a ler sem soletrar, foi publicada pela Ed. Garraux e recomendada para as escolas de São Paulo. Essa cartilha adotou o método da silabação, em contraponto à soletração, metodologias mais utilizadas na época. A soletração, uma das mais antigas formas de alfabetizar, privilegiava a memorização. 
Kopke escreveu também inúmeros livros escolares para crianças e adolescentes.
Para os estudos sobre as práticas de leitura e escrita nas escolas, a obra e a trajetória de João Kopke trazem significativas informações sobre o contexto escolar paulista do fim do século XIX e início do XX.
O AHLE resguarda dois livros do autor e quatro livros da Coleção João Kopke da Ed. Francisco Alves.
Os livros da Coleção foram revistos pela professora Lucia Monteiro Casasanta: Histórias de meninos na rua e na escola, 26ª edição de 1960 e 29ª edição de 1963, ambas da Ed. Francisco Alves e Histórias de crianças e animais, 1º livro, de 1961 e 1963, 26ª e 28ª ed.





Notas: 
{1} Dosse, François. O desafio biográfico: escrever uma vida. SP, Edusp, 2009.

[2] Verificar:Adriana Lech Cantuaria. Escola Pública e competência escolar – o caso do Colégio Culto à Ciência. FE/Unicamp. http://27reuniao.anped.org.br/gt14/t141.pdf

Sobre o autor verificar, entre outros, Claudia Panizzolo. João Kopke, o ensino da leitura e da escrita. PUCSP. http://sbhe.org.br/novo/congressos/cbhe3
Este trabalho trata do educador João Kopke, mostra sua relevância para a História da Educação e também faz um levantamento de outros estudos acadêmicos sobre o autor, facilitando, assim, a pesquisa (sem dúvida, umas das funções do pesquisador).

Parte deste texto teve como fonte: www.unicamp.br/iel/memoria



segunda-feira, 22 de agosto de 2016

CANTOS INFANTIS




Alguns temas em educação escolar não são constantes nas pesquisas que retomam aspectos da escola de anos atrás. Um desses temas é o Canto Orfeônico, talvez por não ser consagrado como matéria importante ou simplesmente porque outras questões se sobrepõem e assim, música na escola fica ao largo dos interesses dos pesquisadores em História da Educação, com algumas exceções. Como disciplina de ensino o Canto orfeônico compôs o currículo do ensino secundário (atual médio) na década de 1930, com a reforma do ensino de Francisco Campos.Neste blog já apontamos sua origem.

Pois como uma das expressões artísticas, cuja proximidade pode despertar talentos ou simplesmente despertar paixões, a música teve um papel na formação escolar. Por meio de cantos cívicos e hinos patrióticos, por exemplo, veiculou ideias em períodos como o Estado Novo, ou ainda, divulgou tradições folclóricas e mais, favoreceu momentos agregadores dos escolares, pois foi quase sempre uma atividade coletiva.(1)


O ACERVO HISTÓRICO DO LIVRO ESCOLAR – AHLE mantém diversos livros de música na escola, desde o canto orfeônico, hinos patrióticos, até livros voltados para os professores.
Dentre outros, destaco Cantos Infantis da década de 1950, "para uso das Escolas Normais", antigo curso de formação de professores extinto com a Lei de Diretrizes e Bases de 1996.
Ora, além de servir à pesquisa, o AHLE tem a vocação de despertar lembranças e provocar a memória afetiva de várias gerações.  Atenta a essa vocação, resolvi dispor, na ilustração, o índice desse livro. Quem sabe alguém se lembra das canções infantis de sua época.

Notas
(1) Verificar, LEMOS, Jr. Wilson."O ENSINO DO CANTO ORFEÔNICO NA ESCOLA SECUNDÁRIA BRASILEIRA (DÉCADAS DE 1930 E 1940)". Revista HISTEDBR On-line, Campinas, n.42, p. 279-295, jun2011 - ISSN: 1676-2584. Acesso: http://www.histedbr.fe.unicamp.br/