Acervo Histórico do Livro Escolar - AHLE

O ACERVO HISTÓRICO DO LIVRO ESCOLAR é formado pelo conjunto de livros escolares das antigas bibliotecas públicas infantis da cidade de São Paulo.

Com 5 mil volumes, o Acervo é composto por cartilhas, manuais escolares de todas as matérias de ensino, antologias literárias e livros de referência de uso escolar, entre outros, do século XIX até a década de 1980 e abrange os cursos primários, os secundários, os de formação de professor e o ensino técnico.
O Acervo está localizado na Biblioteca Infantojuvenil Monteiro Lobato, equipamento da Secretaria Municipal de Cultura de São Paulo.

Neste blog serão publicadas informações sobre esse acervo.


Seja bem-vindo.







sexta-feira, 6 de agosto de 2010

Livros paradidáticos portugueses

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O ACERVO HISTÓRICO DO LIVRO ESCOLAR -AHLE mantém mais de uma centena de livros paradidáticos e de uso escolar vindos de Portugal, da década de 1920 até os anos de 1970.
Provavelmente a facilidade da língua e a proximidade cultural foram fatores para a presença desses livros no acervo da Biblioteca Monteiro Lobato, origem da maioria dos livros que compõem o AHLE. Além do mais até a década de 1970 a tradução e a importação de livros preenchia uma lacuna pela falta de livros editados aqui. Como livro de leitura apresento "Apologos", de Coelho Neto. Coelho Neto foi co-autor, junto a Olavo Bilac de livros escolares, como o livro de Educação Moral e Cívica, "Contos Pátrios", da década de 1920.


Boa parte dos livros portugueses mencionados é de referência, como enciclopédias; livros paradidáticos; alguns de formação de professores; outros de educação de adultos da década de 1950 e a maioria, livros de leitura. Entre outras, as editoras representadas são a Verbo, a Didactica e a Livraria Chardron.



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Destaco, ao lado, parte de uma coleção: seis livros da “Coleção Educativa” do Plano de Educação Popular, voltado para a Campanha Nacional de Educação de Adultos. São livros da década de 1950 e muitos trazem uma subscrição ou referência à Salazar, ditador de Portugal entre 1932 e 1968.
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Muitos livros paradidáticos portugueses foram adquiridos nos anos de 1940 e 1950 e pelo ficha de circulação, bem procurados. Como exemplo, a "Encyclopedia pela Imagem" da Liv. Chardron ou a Coleção "Ver e Saber", dos anos de 1960 da Editora Verbo.
Esses livros mostram a necessidade que havia de importamos edições para a complementação escolar e nos faz pensar que o AHLE em seu conjunto ultrapassa a pesquisa pontual no acervo, pois traz muitas informações sobre produção editorial, políticas públicas para a aquisição de livros etc.
Neste mês de agosto, nos dias 22 a 25, a Universidade Federal do Maranhão abrigará o VIII Congresso Luso-Brasileiro de História da Educação. Nele inscrevi o texto: “Livros escolares no Estado Novo: primeiras aproximações a partir do Acervo Histórico do Livro Escolar”, que apresentarei nas sessões de comunicação. O texto trata da produção didática no período proposto e a interferência direta do Estado, como também aproveita o tema para divulgar o AHLE como fonte de pesquisa.
(1) NETTO, Coelho. Apologos. Porto, Livraria Chardron, 1924.
(2) LEAL, Olavo D. História de Portugal para meninos preguiçosos. Porto, Liv. Tavares Martins, 1943.
(3) VALENTE, Margarida P. B. Virtudes que vem de longe. Coleção Educativa, Campanha Nacional de Educação de Adultos, Lisboa, Ramos, Afonso & Moita, Ltda., s/data.

terça-feira, 13 de julho de 2010

ANTOLOGIAS LITERÁRIAS

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Um acervo com cinco mil volumes exige, além do trabalho mais técnico de permanente organização, atualização da planilha de acesso, verificação e incorporação de doações, o atendimento ao público em geral e ao pesquisador no próprio acervo ou por emeio, instrumento eficaz que diminui distâncias e facilita a comunicação.
São feitas também pesquisas constantes com o objetivo de agregar informações ao ACERVO HISTÓRICO DO LIVRO ESCOLAR - AHLE, trabalho gratificante, principalmente para quem tem formação na área da Educação e sabe da importância dos estudos históricos para a apreensão do presente.
Em uma dessas investidas conheci uma tese de doutoramento: O espelho da nação: a antologia nacional e o ensino de português e de literatura (1838-1971), de autoria de Marcia de Paula Gregório Razzini, da Faculdade de Letras da UNICAMP, na área de Teoria Literária, defendida em 2000.

Esse trabalho trata da Antologia Nacional (1895-1969) de Fausto Barreto e Carlos de Laet, uma seleta escolar usada durante mais de setenta anos. A tese é um esforço de sistematização da história do ensino de português e de literatura brasileira na escola secundária, e segundo a autora, toma como referência os Programas de Ensino do Colégio Pedro II (escola secundária padrão) e a legislação vigente.
O AHLE mantém um volume dessa antologia de 1955. (2).
O que é uma antologia? Segundo o dicionário HOUAISS, antologia foi utilizada originalmente pela botânica, como ação de colher flores. Talvez aí o sinônimo “florilégio” para designar antologias literárias: coleção de trechos literários, geralmente de autores consagrados, organizados segundo determinado critério.
São várias as antologias que o AHLE resguarda. Exemplares do Napoleão Mendes de Almeida, por exemplo, consagrado autor de livros escolares e conhecido por diversas gerações.





(1) RIBEIRO, Wagner. Antologia Luso-Brasileira. S.Paulo, F.T.D., 1967.
(2) BARRETO, F. e LAET, C. Antologia Nacional. Rio de Janeiro, Francisco Alves, 1955.

terça-feira, 25 de maio de 2010

LIVROS DE LEITURA - SERIE BRAGA


BRAGA, E. Leitura Intermediária. São Paulo, Melhoramentos, 1943. Revista pelo professor Lourenço Filho.


A “Serie Braga”, conjunto de cinco livros de leitura para a escola primária começou a ser preparado por Erasmo Braga (1877-1932) por volta de 1909, conforme seus biógrafos. Erasmo Braga foi pastor presbiteriano, professor do Mackenzie e do Seminário Presbiteriano. A Série, com mais de 100 edições, foi publicada por 40 anos pela Editora Melhoramentos. A partir de 1938, as edições que se seguiram foram revistas pelo professor Lourenço Filho. O conjunto de livros compunha-se de "Leitura I", o primeiro da série, que de acordo com Braga na introdução intitulada "Ao professor" foi “elaborado para o ensino em continuação das cartilhas e das leituras preparatórias”. E adiante, sobre a utilização e bom proveito do livro, o autor esclarece que esse primeiro volume “tem por fim fornecer ao professor material para o ensino da leitura, ao passo que proporciona ao aluno assuntos vários que visam a sua educação intelectual, cívica e moral, sem perder de vista os elementos estéticos.” Segue-se Leitura II, III e IV. "Leitura Intermediária" é outro volume e apontado como “livro de transição entre a cartilha e os de mais desenvolvida leitura corrente”. No ACERVO HISTÓRICO DO LIVRO ESCOLAR está disponível a serie completa, com nove livros, com algumas reedições. Os primeiros, ainda revistos por Erasmo Braga, não tem data, o que é frequente em livros mais antigos. Já as reimpressões revisadas por Lourenço Filho tem edições de 1942 em diante, com prefácio explicativo sobre a obra e as revisões, datado de 1938 e 1939. As diferenças entre as edições do autor e as revistas por Lourenço Filho começam pela capa do livro, mais leve, com letras de desenho suave e fundo claro. Ilustrações, no interior do livro, foram mantidas. Além de mudanças nos termos e na nomenclatura, no "Livro I", por exemplo, são acrescidos exercícios ao fim de cada tema em substituição a pequenas frases, como “Lar doce lar, nada há como o meu lar”. Claro que esses comentários sobre as diferentes edições são bem gerais e quem sabe estimule uma pesquisa mais abrangente. Afinal Lourenço Filho foi um dos renovadores da educação e como professor e organizador de várias coleções de livros escolares, imprimiu o ideário preconizado pelos escolanovistas. Essa "Série Braga" faz parte das publicações de livros de leitura, que foram utilizados até os anos de 1970, quando houve uma reforma na organização e nos conteúdos do ensino no país. O AHLE mantém, por exemplo, inúmeras antologias literárias de uso escolar, recurso que ajudou a propagar a literatura brasileira. Mas isso será assunto para uma outra vez.

segunda-feira, 26 de abril de 2010

São Paulo nos livros escolares

O Estado de São Paulo atualmente está representado nos livros escolares nas disciplinas de História e de Geografia, didaticamente como história regional.(1) Mas nem sempre foi assim. Desde o século 19 livros escolares de várias matérias e diversos graus de ensino retrataram esse Estado como precursor do desenvolvimento do país. Isso porque São Paulo destacou-se como produtor de café, o que acelerou seu crescimento.
Já no século 20 o processo de industrialização tornou São Paulo um centro urbano emergente e palco de rápidas mudanças. O automóvel foi o meio de transporte mais incentivado a partir dos anos de 1960. Os movimentos migratórios para o trabalho nas multinacionais automobilísticas e, nos anos de 1970, na construção civil, aumentaram a demanda por serviços, moradia e infra estrutura. Enfim, o Estado e principalmente a cidade de São Paulo sofreu intensas e vertiginosas transformações, tornando-se uma das principais cidades da América Latina.
O Bandeirante, figura polêmica e legendária, mas personificada como valente, de larga estatura e destemida, é identificado com São Paulo. Certa “paulistanidade” exerceu fascínio entre paulistas e paulistanos. Pudera, movimentos culturais como a Semana de Arte Moderna de 1922 culminaram em orgulho para os da terra. Em 1932, a Revolução Constitucionalista, produto da perda da hegemonia de São Paulo frente a reorganização do modelo político e econômico do país, imprimiu ainda mais a imagem de irradiador do desenvolvimento desse Estado. Enfim, o regionalismo, em alguns dizeres da época, foi justificado como componente para o fortalecimento de um país com o tamanho e as especificidades do Brasil. A ideia de nação e a integração nacional eram ainda recentes.
Tudo isso, de uma forma ou de outra, está retratado nos livros escolares, o que nos leva a refletir sobre a ampla área de conhecimento que o estudo e a pesquisa no livro escolar pode abranger.
Trago alguns exemplos, nas diversas épocas, de como São Paulo foi abordado nas escolas.


AMARAL, Tancredo. Historia de São Paulo. RJ, Alves e Cia. Editores, 1895.



Neste livro de Educação Cívica do fim do século 19 nota-se que a preocupação na formação da nacionalidade e do patriotismo incide com exemplos de “homens célebres”. Afinal a República era recente e o país precisava fortalecer princípios cívicos.





POMBO,Rocha. História de S.Paulo (resumo didactico). S. Paulo, Melhoramentos, 1923. (1ª ed. em 1918).

Livro destinado as classes primárias e ricamente ilustrado com mapas e reprodução de documentos.





In: POMBO (1923).
Reprodução do Jornal “O Farol Paulistano”, fundado em 1827, que circulou até o inicio dos anos de 1830 na cidade de S.Paulo.







FILHO, Lourenço. Viagem através do Brasil, São Paulo. S.P., Melhoramentos, V. 9, 1955.
Esse livro compõe uma série transmitida pelo Programa Infantil da Rádio Jornal do Brasil, de agosto de 1936 a agosto de 1937. Segundo a apresentação da coleção, “a finalidade dessa Viagem foi dar aos seus ouvintes uma idéia do que é o nosso Brasil, mostrando-lhes os seus usos e costumes, seus homens e sua geografia, sua história e seus recursos naturais”.

(1) São várias as divisões da História. Verificar: BARROS, José D'Assunção. O Campo da História - Especialidades e Abordagens. Petrópolis, Vozes, 2004. Esse livro aborda, de forma bem didática, essa e outras questões sobre a historiografia.

terça-feira, 16 de março de 2010

Mulher nos Livros Escolares








Dia 08 de março comemora-se o Dia Internacional da Mulher. Protestos de mulheres operárias no início do século 20 nos EUA e movimentos feministas e de emancipação das mulheres nos anos de 1960 deram origem à oficialização dessa data.


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No Brasil, a Lei Maria da Penha de 2006 aumentou o rigor quanto às agressões domésticas contra as mulheres, fato ainda presente na nossa sociedade e demonstrativo que há muito que fazer nesse sentido.

O mercado de trabalho também apresenta distorções em relação a mulher trabalhadora. E mais, as dificuldades da dupla ou tripla jornada, as chefas de família exercendo várias funções e a luta para se impor como cidadã e companheira. Nisso, nem sempre a mídia ajuda.




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Na História da Educação há muitos trabalhos que tratam de questões de gênero. Ora, o livro didático como fonte de pesquisa traduz muito da nossa cultura e nesse sentido reproduz aspectos presentes em determinado contexto. Quanto aos estudos sobre gênero, sem dúvida esse material é bem ilustrativo por trazer como determinados fatos foram e são tratados na escola. Por isso a importância de analisá-lo em uma perspectiva histórica.


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 Algumas ilustrações em livros de uso escolar do AHLE revela-nos como a mulher foi considerada com funções e direitos diferenciados aos dos homens e também as mudanças ocorridas com os movimentos de liberação feminina e a presença da mulher em várias instâncias sociais.























Ilustrações:





(1) BILAC, Olavo. “Poesias Infantis”. São Paulo, Francisco Alves, 1924.
Na capa somente meninos lendo. A escolarização feminina, no início do século 20, não era prioritária.



(2) Lourenço, Filho. "Pedrinho e seus amigos". SP, Melhoramentos, 1963.
      O trabalho doméstico feminino é reforçado.


(3) SERRANO, Isabel. “Quando você casar”. RJ, Ed. A Noite, anos 50.

(4) “Programa Escolar de Pesquisa”. Curitiba. Grafipar, 1978.
O ingresso das mulheres na Universidade a partir da década de 1960.



 

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

Cartilhas e lembranças

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Cartilhas lembram infância, professora primária (a antiga normalista, tão cantada pelos músicos e poetas), as atuais pedagogas, “decoreba” e muito, muito encantamento.
Encantamento porque a cartilha foi e ainda é o meio pelo qual entramos no mundo da leitura.
A origem da palavra cartilha é latina: pequeno caderno que contem as letras do alfabeto. Diminutivo de carta ou de caderno. Carta do ABC. Do grego, temos khártes: folha de papiro de onde vieram carta e carteira.

Muitos consulentes procuram o ACERVO HISTÓRICO DO LIVRO ESCOLAR - AHLE para “matarem a saudade”.

- Você tem a “Cartilha Sodré?” Eu só quero olhar.
- Eu preciso encontrar a cartilha do “Patinho”. Sabe? Aquela que tem um patinho na capa. Acho que era amarelo. Quero mostrar para o meu filho. Dá para xerocar?
- Será que tem a "Caminho Suave" de 1962? Foi essa que perdi em uma enchente. Não foi agora, não. Faz tempo.
- Olha, fui alfabetizada no Maranhão. Será que encontro a minha cartilha nesse acervo? Não lembro o nome, mas se vejo a capa...

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Um acervo, seja qual for, tem realmente várias funções. A idéia de formar o AHLE foi com o objetivo de organizar fontes de pesquisa, pois o livro didático é um material com inúmeras possibilidades de estudos. Esse objetivo é contemplado com a presença de pesquisadores, estudantes de graduação e consultas por emeio.
Mas, sem dúvida, despertar lembranças tem-se mostrado outra vocação desse acervo.
O AHLE conta com duzentos exemplares, entre cartilhas e primeiras leituras, desde 1894 até meados da década de 1970.

Como exemplo, a cartilha mais antiga do acervo: "Primeiro Livro de Leitura" (ilustração de capa no texto anterior), da Profa Maria Guilhermina Loureiro de Andrade, data de 1894 e foi editado pela American Book Company, em Nova Iorque. A autora foi a primeira diretora da Escola Modelo, em 1890, quando da reforma da Escola Normal de São Paulo.(3) O livro apresenta 78 lições, por meio de sentenças e com pequenas ilustrações.
Os métodos, os temas e a apresentação gráfica das cartilhas compuseram e compõem a cultura escolar. (4)
Método sintético? Analítico? Construtivista? Misto? O fato é que a cartilha, com mudanças ao longo do tempo, ainda permanece.
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(1) SÃO JOÃO, Helena Ribeiro. "Nossa Cartilha". RJ, Fco. Alves, 1959.
(2) AMOROSO, Cecilia B. dos Reis. "Onde está o patinho?" S.Paulo, Melhoramentos, s/d.
(3) Sobre a Escola Normal de São Paulo, entre outros, verificar MONARCHA, Carlos (1999). "Escola Normal da Praça: o lado Noturno das Luzes." Campinas, UNICAMP.
(4) Vários autores trabalham com a temática da cartilha. Verificar, entre outros, MORTATTI, Maria do Rosário Longo. "Cartilha de alfabetização e cultura escolar: Um pacto secular". Cadernos Cedes, ano XX, no 52, novembro/2000.


(5) OLIVEIRA, Mariano de. "Cartilha Ensino-rápido da leitura".São Paulo, Melhoramentos,1963.

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

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Um dos livros mais antigos do ACERVO HISTÓRICO DO LIVRO ESCOLAR - AHLE
ANDRADE, Maria Guilhermina L. de. Primeiro Livro de Leitura. Rio de Janeiro. Ed. American Book Company , 1894.
AHLE - Um ano do blog

O tempo passa rápido. Expressão corriqueira que me inspira para relatar sobre a experiência deste Blog. Já um ano? Contraditoriamente o tempo seleciona. Por que? Para quem trabalha com a preservação de fontes para a pesquisa, o tempo quase sempre é atributo.
Em relação ao livro escolar, objeto central deste Blog, duas considerações sobre esse material: primeira, livros escolares são raros porque são descartados e com isso, raros porque escassos. Segunda, raros porque antigos? Não é bem assim. Não é só a antiguidade uma qualidade, mas também a forma, o conteúdo e o que representa a fonte de pesquisa.
Revisitei algumas definições para compreender melhor o significado deste acervo.(1) Desse modo, no exame do conceito de “acervo”, palavra de origem latina que significa acumulação e muitas vezes referenciada como velharia, vem a idéia de passado, da acumulação de indícios, que se materializam em documentos, em bens ou em patrimônio. A quantidade é uma das variantes a que se submete o acervo que compõe os arquivos, as bibliotecas, os museus e os centros de documentação, onde encontramos um conjunto desses indícios, identificado com o que denominamos fontes de pesquisa.
Por outro lado, o termo “fonte” está associado à origem, à procedência, a fonte de consulta que fornece informações. Na filologia, área do conhecimento que privilegia o estudo de documentos escritos antigos, fonte é termo identificado como texto ou documento original. As fontes de pesquisas e as discussões em torno da especificidade desses documentos fazem parte de estudos como o de RODRIGUES (2) (1969, p.143), que nos informa sobre os instrumentos dos trabalhos históricos, classificando-os em fontes primárias ou originais, como aquelas que contém informações de testemunho direto dos fatos e fontes secundárias ou derivadas, que contém uma informação colhida por terceiros. Nesse sentido, o livro escolar pode ser fonte primária ou secundária de pesquisa, de acordo com o seu conteúdo.
Como usar essas fontes? Os livros escolares expressam idéias e assim, precisam ser historicizados, ou seja, entendidos a luz do contexto em que foram produzidos. Os textos deste Blog apresentaram, mesmo que de forma breve, essa preocupação.
O Blog teve treze textos ao longo de 2009. Fora o de abertura, os outros foram temáticos e descritivos com o objetivo de divulgar certas especificidades do ALHE. O próprio trabalho de pesquisa para essa divulgação, o atendimento a pesquisadores aqui na Biblioteca ou pelo emeio, abrem cada vez maiores possibilidades do acervo. Temas nem pensados, tornaram-se mais uma área de pesquisa. Como exemplo, o Design. Estudantes se interessaram pelas ilustrações, pelo formato, capa etc., ou seja, pelo suporte material dos livros ao longo do tempo.

Como arquivar é uma palavra que pode significar guardar, no sentido de deixar de lado e esquecer, aqui a preocupação é guardar para extroverter. É através de ações que o guardado se revela e assim este Blog é um dos instrumentos que tenho para mostrar esse acervo e com isso imprimir um significado ao guardado.
Promessa para o próximo ano? Claro! Escrever mais e trazer mais informações sobre o AHLE.

(1) Parte dessas definições foi desenvolvida no texto: Acervo de fontes de pesquisa para a História da Educação brasileira: características e conteúdo, texto integrante do projeto: Navegando na História da Educação brasileira, disponível no site do HISTEDBR, relacionado neste Blog.

(2) RODRIGUES, João Honório. A Pesquisa Histórica no Brasil. S. Paulo, Cia Ed. Nacional, 1969.