Acervo Histórico do Livro Escolar - AHLE

O ACERVO HISTÓRICO DO LIVRO ESCOLAR é formado pelo conjunto de livros escolares das antigas bibliotecas públicas infantis da cidade de São Paulo.

Com 5 mil volumes, o Acervo é composto por cartilhas, manuais escolares de todas as matérias de ensino, antologias literárias e livros de referência de uso escolar, entre outros, do século XIX até a década de 1980 e abrange os cursos primários, os secundários, os de formação de professor e o ensino técnico.
O Acervo está localizado na Biblioteca Infantojuvenil Monteiro Lobato, equipamento da Secretaria Municipal de Cultura de São Paulo.

Neste blog serão publicadas informações sobre esse acervo.


Seja bem-vindo.







sexta-feira, 15 de maio de 2015

MEMÓRIA ESCOLAR




Dentre os livros procurados pelo público em geral e não para pesquisas específicas, as cartilhas são os  mais desejados. Mesmo neste Blog, quando verificamos quais os textos visitados, Cartilhas e Lembranças, postado  em 2010, é o que tem maior número de acessos.




Por que isso acontece? Que atração as cartilhas exercem?

Sem dúvida a Cartilha é o primeiro livro escolar que a maioria das crianças recebe, às vezes o único. E mais, usado diariamente fica muito próximo, familiar, bem como as primeiras letras. Estas, associadas quase sempre com personagens ou historinhas do mundo infantil, formam imagens que permanecem, juntamente com algumas ilustrações lembradas ainda no mundo adulto.

É bastante comum pessoas procurarem no ACERVO HISTÓRICO DO LIVRO ESCOLAR - AHLE as cartilhas em que se alfabetizaram, se não pelo título muitas vezes esquecido, pela ilustração de capa ou alguma lição que ficou na lembrança.

Sabemos que a memória é seletiva, idealizada, mas é tocante ver adultos se emocionarem até as lágrimas ao folhearem as cartilhas de seus primeiros tempos de escola.

Eis aí um fator que nos faz pensar sobre a importância, na formação de todos nós, desses livrinhos e dos primeiros anos escolares.

Porquanto serem muito manuseados e quase sempre descartados, Cartilhas, principalmente as mais antigas, são raridades que acervos como o AHLE resguardam e disponibilizam para o público.




terça-feira, 5 de maio de 2015

Livros Multidisciplinares para o Curso Primário




Multidisciplinaridade é termo usado para definir  uma grade curricular e suas várias disciplinas, nem sempre interligadas. Cada campo de conhecimento tem suas especificidades e a conexão entre esses campos pode ser feita de acordo com a didática e o preparo do professor. Assim pensa-se na interdisciplinaridade como forma de intercâmbio entre as matérias de ensino.


Nessa linha, muitas vezes um tema é eleito para ser abordado pelas áreas do conhecimento. Há muitos trabalhos acadêmicos que tratam a interdisciplinaridade como adequada, apesar de não haver consenso entre os educadores.


Essa pequena introdução se faz necessária porque o que apresento aqui são livros escolares, a maioria das décadas de 1950 e 1960, nomeados Livros Multidisciplinares.


O que é isso? É denominação no ACERVO HISTÓRICO DO LIVRO ESCOLAR – AHLE para livros dos cursos elementares que trazem, num mesmo volume,  várias disciplinas.


Foi comum, até as mudanças na legislação que rege a Educação no país, nos anos 1970, livros do antigo curso primário (atual primeiro ciclo do ensino fundamental) contendo,  por exemplo, Gramática, História, Geografia e Noções de Higiene.


O AHLE tem em seu Acervo inúmeros desses livros, ao lado de Cartilhas, Primeiras Leituras e os livros de série de  leitura graduada, com uma cartilha e quatro livros para as séries do ensino primário e muitas vezes um quinto, de admissão (preparatório ao ingresso no curso ginasial, atual segundo ciclo do ensino fundamental).


sexta-feira, 20 de março de 2015

Histórias Infantis como fonte de pesquisa para a Educação


Em 2013 organizei a reedição de um livro já comentado aqui, “Histórias Maravilhosas”[i] de Osório Duque Estrada  (1870-1927), publicado originalmente na década de 1920. Um livro que segundo palavras do autor, continha “novos e velhos contos da Carochinha, colecionados, redigidos, adaptados e postos em linguagem acessível às inteligências infantis.”

Reeditar um livro de contos para crianças escrito no início do século XX trouxe algumas dúvidas. Um livro de contos, tão antigo, será que não envelheceu? Os contos serão ainda adequados?

Bem, a leitura de Histórias Maravilhosas mostrou que nem tudo envelhece, principalmente livros e histórias infantis. Quem não se lembra ou já não ouviu falar de antigas histórias contadas ao pé da cama ou em roda de crianças? Ou ainda, dos contos nos livros de leitura usados na escola?

Além do mais as novas gerações têm outros meios de assimilar certos conteúdos inspiradores e quase consagrados da literatura infantil. Mas, sobretudo o valor histórico de uma obra como esta sem dúvida já justifica a sua publicação.

Duque Estrada adaptou e/ou resumiu certas histórias populares, tais como contos do folclore brasileiro, alguns tirados de Silvio Romero[ii] e outros recolhidos por Couto Magalhães[iii]; contos do Livro das 1001 Noites; lendas africanas; lendas indígenas, além de contos estrangeiros.

Essa publicação preencheu, então, um espaço pouco explorado da literatura infantil na época, em que a maioria das edições era de traduções ou adaptações de obras, principalmente europeias e geralmente com linguagem inadequada às crianças.

Para esta reedição foram excluídos vários contos do “Livro das 1001 Noites”, que na sua origem não foi escrito para as crianças e continham exemplos modelares de conduta envolvidos pelo mundo adulto. Escolhemos dentre esses contos os reconhecidos como infantis: “Ali Baba” e “Aladino”, entre outros que permaneceram.

O ACERVO HISTÓRICO DO LIVRO ESCOLAR – AHLE  mantém inúmeros livros de contos,  poesias  e  histórias infantis de várias épocas e usados na escola com objetivo didático e também de formação moral. Eram comuns séries de livros denominados Leitura Recreativa Escolar ou coleções de livros de leitura organizados por educadores e, ainda, professores escreverem livros de leitura para as crianças.

Um material de pesquisa que recupera várias facetas da educação e da cultura do país.

Notas:


[i] O AHLE tem os originais desta publicação. O livro atual, de 2013, foi editado pela Escrituras.
[ii] Contos Populares do Brasil de Silvio Romero (1851-1914), lançado em 1885 e reeditado pela Editora Landy, em 2000
[iii] José Vieira Couto de Magalhães (1837-1898) foi escritor mineiro e folclorista.

sexta-feira, 30 de janeiro de 2015

O Jornal "A Voz da Infância" (1936-1950) - Educação e Cultura na Modernidade Paulistana


 
A publicação de um livro sobre um jornal infanto-juvenil da década de 1930 pode não parecer adequado em um Blog que se propõe a divulgar e trazer informações a respeito de um Acervo de livros escolares antigos. Mas se pensarmos que esse jornal foi criado e editado na Biblioteca Infantil Municipal de São Paulo, atual Biblioteca Monteiro Lobato, a mesma que deu origem ao AHLE, veremos uma confluência entre o livro e o Acervo.

Ambos tiveram como princípio a Biblioteca que sediou livros para trabalhos escolares das crianças e assim proporcionou a organização do Acervo Histórico do Livro Escolar - AHLE,  hoje procurado como fonte de pesquisa e  também abrigou um projeto de elaboração de um jornal infanto juvenil com o objetivo de promover a Biblioteca como equipamento de educação e cultura e garantir a permanência das crianças em seu espaço.

O livro que dá título a este texto é também, junto com o AHLE, fruto da busca de novas fontes, empreitada que expõe vestígios e testemunhos do passado. Espera-se com isso chamar a atenção  para o resguardo e disponibilização de fontes de pesquisa, trabalho sempre em construção, apesar dos avanços proporcionados pela tecnologia. Assim conta-se colaborar para a escrita da história e  o intercâmbio com outras instituições.

quarta-feira, 28 de janeiro de 2015

Antonio Firmino de Proença


Antigamente era mais comum que professores publicassem livros escolares? Parece que sim, ao menos é o que demonstra o ACERVO HISTÓRICO DO LIVRO ESCOLAR – AHLE. São vários os educadores que se tornaram autores de livros didáticos e paradidáticos ou mesmo organizadores de coletâneas e coleções de uso escolar.

Um desses foi Antonio Firmino de Proença (1880-1946) professor paulista formado na Escola Normal de São Paulo (conhecida como Escola da Praça ou Escola Normal  Caetano de Campos).

Lecionou em várias escolas públicas do Estado de São Paulo e publicou, entre outros, uma coleção de livros escolares denominadas “séries graduadas”, compostas por uma cartilha e quatro ou cinco livros voltados para as séries do antigo curso primário (atual 1º ciclo do ensino fundamental).

NO AHLE encontram-se o 1º, 2º e 3º Livros de Leitura da década de 1940 e o livro Leitura para principiantes de 1945, já na 63º edição.

Alguns estudos sobre Proença ilustram a sua trajetória como educador e autor de livros escolares. Entre outros Razzini, Marcia (org.) Antonio Firmino de Proença: professor, formador, autor. Ed. Porto de Ideias, 2010 e também Gazoli, Monalisa. Bibliografia de e sobre Antonio Firmino de Proença: um instrumento de pesquisa. Disponível em http://www.sbhe.org.br

Lembramos também que Antonio Firmino de Proença dá nome a antiga e consagrada escola pública no bairro da Moóca.

O AHLE tem em seu acervo outros livros didáticos escritos e organizados por professores que serão divulgados em breves textos como este.

segunda-feira, 22 de dezembro de 2014

O livro escolar e as ilustrações

O livro escolar como fonte de pesquisa apresenta inúmeras possibilidades. Além do olhar do pesquisador, no sentido de uma mesma fonte suscitar diferentes abordagens, no universo do conhecimento há várias áreas de investigação.
Objeto da cultura, o livro escolar insere-se em um ambiente pedagógico específico e em um contexto histórico e cultural. Como produto da intencionalidade do processo educativo, por sua vez, está impregnado pelas políticas, vertentes e métodos educacionais que compõe determinada organização social
As ilustrações nos livros didáticos, por exemplo, podem ser um recorte de pesquisa desse material. A imagem como ferramenta pedagógica facilitadora do processo de ensino e da aprendizagem; o formato do livro; seu projeto gráfico, entre outros aspectos demonstram não só as mudanças nos métodos e nas práticas escolares, quanto na exposição de valores e modos de pensar.
Não sei precisar quando as ilustrações se tornaram importantes no livro didático. (1) Alguns livros dos cursos primários publicados no século XIX, que fazem parte do AHLE, como A História de São Paulo (2) primam pelo texto, com pouquíssimas ilustrações.
O AHLE, com cinco mil livros escolares, abrange um vasto período da história da educação e do país e assim diferentes formas de apresentação do livro didático.
 
Notas:
(1)   Entre outros autores, BITTENCOURT, Circe Maria  Fernandes. Livros Didáticos Entre Textos e Imagens in O Saber Histórico na Sala de Aula. 11ª Ed. São Paulo: Contexto, 2006.
(2)   AMARAL, Tancredo. A história de São Paulo ensinada  pela biografia. Fco Alves, São Paulo, 1895.

segunda-feira, 10 de novembro de 2014

Livros esquecidos

“Ciências para o Madureza” (1) foi o primeiro livro do Acervo Histórico do Livro Escolar - AHLE.  Ora, um livro não mais usado, de um curso já extinto, com uma nomenclatura fora do padrão atual, além de conteúdos defasados, principalmente em relação ao desenvolvimento tecnológico só poderia ter um destino: o lixo ou a reciclagem de papel.

Mas por um feliz acaso o livro foi salvo da destruição e mais, foi o embrião de outros compilados nos acervos  das Bibliotecas mais antigas da cidade de São Paulo. Essas Bibliotecas foram criadas ao longo das décadas de 1930, 40 e 50.

BENJAMIN (2002), em um texto sobre livros “velhos e esquecidos” relata a respeito de um colecionador alemão de livros infantis, que os salvou da máquina de triturar papel. Esse comentário é bem vindo quanto à formação do AHLE, pois livros sem uso transformaram-se em um acervo de valor documental acessível para pesquisadores.

HOBSBAWM (1998, p. 220), sobre as fontes de pesquisa para a História, assinala que é o olhar investigativo ou as questões postas pelo pesquisador que transformam documentos em fontes de pesquisa. Em geral, não existe material algum até que nossas perguntas o tenham revelado, afirma o autor.

Porquanto somente alguém voltado à pesquisa poderia ver em um livro de Madureza da década de 1970 um documento a ser preservado, junto a outros livros escolares antigos. Sem dúvida minha formação em História e Filosofia da Educação aliada à vocação para a investigação científica foi o solo fértil para o projeto de organização do AHLE, disponibilizado para pesquisadores em 2008.

Mas voltando a esse primeiro livro, o que foram os cursos de Madureza? A Lei de Diretrizes e Bases da Educação - LDB de 1961, previa um curso para jovens e adultos que haviam perdido ou não haviam frequentado o ginásio e o colegial no tempo certo. Ginasial e Colegial foram graus de ensino equivalentes hoje ao segundo ciclo do Ensino Fundamental e ao Ensino Médio. Para a inscrição nos cursos de Madureza a idade mínima era 16 anos.

O Projeto Minerva nos anos de 1970 e os Cursos Supletivos substituíram os de Madureza. Na cidade de São Paulo o Curso de Madureza Santa Inês foi um dos mais reconhecidos.

O AHLE mantém algumas dezenas de livros de Madureza, dos cursos Supletivos, como também dos antigos Cursos de Admissão.

Notas:

(1) AMARAL, Oswaldo Luiz de Souza. Ciências para o Madureza. Primeiro Grau. São Paulo, Editora Ática, 1972.

Referências Bibliográficas:

BENJAMIN, Walter (2002).  Livros infantis velhos e esquecidos. In: reflexões sobre a criança, o brinquedo e a Educação. São Paulo, Duas Cidades e Editora 34.

HOBSBAWM, Eric (1998).  Sobre a História. São Paulo, Cia das Letras.