Os Lusíadas, poema épico de Luis de Camões, foi publicado, com alterações, em 1879 por Abílio Cesar Borges (1858-1891). Editado em Bruxelas pela Typographia e Lithographia E. Guyot, o livro traz na capa: “para uso das escolas brasileiras: na qual se acham suppressas todas as estâncias que não devem ser lidas pelos meninos”, indicando a adaptação da obra para o público escolar.Acervo Histórico do Livro Escolar - AHLE
Com 5 mil volumes, o Acervo é composto por cartilhas, manuais escolares de todas as matérias de ensino, antologias literárias e livros de referência de uso escolar, entre outros, do século XIX até a década de 1980 e abrange os cursos primários, os secundários, os de formação de professor e o ensino técnico.
Neste blog serão publicadas informações sobre esse acervo.
Seja bem-vindo.
quarta-feira, 20 de junho de 2012
Livros de Leitura Escolar - Os Lusiadas
Os Lusíadas, poema épico de Luis de Camões, foi publicado, com alterações, em 1879 por Abílio Cesar Borges (1858-1891). Editado em Bruxelas pela Typographia e Lithographia E. Guyot, o livro traz na capa: “para uso das escolas brasileiras: na qual se acham suppressas todas as estâncias que não devem ser lidas pelos meninos”, indicando a adaptação da obra para o público escolar.terça-feira, 29 de maio de 2012
Práticas de Leitura
Um exemplo de aproximação entre livro escolar e literatura infantil é a publicação Narizinho Arrebitado de Monteiro Lobato, com a recomendação do autor: “para uso nas escolas primárias”. Jogada de marketing? Publicado em 1921, com a “imprudência editorial” de 50 mil exemplares, o livro foi ofertado para os Grupos Escolares e escolas do Estado de São Paulo. Em uma visita do então Presidente do Estado, Washington Luiz a escolas da capital, surpreendeu-o um livrinho que as crianças carregavam. Era o tal Narizinho Arrebitado. Mandou então que se comprasse e fosse distribuído nas escolas. Com isso a grande tiragem esgotou-se. (1)sexta-feira, 27 de abril de 2012
D. Quixote de Cervantes
“D Quixote: Cervantes, Portinari - Drummond.”. Reedição em 1998 do livro que dá outra feição à obra do escritor espanhol publicada no início do século 17. sexta-feira, 2 de março de 2012
Contos de Fadas nos Livros escolares
Jacob (1785-1863) e Wilhelm (1786-1859) nasceram na Alemanha e tornaram-se conhecidos ao reunirem narrativas da memória popular de tradição oral, origem de vários de seus contos.
Contos de encantamento ou maravilhosos foram utilizados nas escolas, nos livros de leitura, ao lado das narrações árabes e do folclore brasileiro.
(2)
se intensificou. segunda-feira, 26 de dezembro de 2011
Coração - Edmundo De Amicis
“Cuore”, do italiano Edmondo De Amicis (1846-1908) editado originalmente em 1886, teve primeira tradução para a língua portuguesa em 1891, por João Ribeiro, publicado pela Livraria e Editores Francisco Alves. O ACERVO HISTÓRICO DO LIVRO ESCOLAR - AHLE mantém dois volumes dessa tradução: uma de 1946, como 43ª edição e outra de 1953, a 45ª edição.Em forma de diário o livro conta histórias do cotidiano do menino Henrique, durante um ano escolar. É um livro de formação, como muitos da época, com ensinamentos de valores morais e cívicos.
O livro é dividido em meses escolares da Itália da época: de outubro a julho e trata de relatos sobre os colegas, os professores, a família, passeios e festividades. O protagonista, sempre em forma de crônica, traz cartas de seus pais e também contos mensais: “O patriotazinho de Pádua” e ”Naufrágio”, por exemplo, abrem e fecham o diário.
Livros´para crianças e jovens sobre comportamento e formação eram e ainda são comuns, mesmo que com outra roupagem.Temas e conceitos acompanham o contexto no qual foram produzidos e assim fontes de pesquisa precisam ser entendidas na conjuntura em que se deram.
Usado provavelmente como livro de leitura e com clara intenção pedagógica, pois os relatos são quase que diários e em formato curto, a publicação é sustentada por um eixo: acontecimentos por meio da interpretação do narrador, o menino Henrique.
Sucesso editorial quando foi publicado[1], provavelmente pelo apelo ao civismo e ao nacionalismo, valores tão disseminados no Brasil no período pós-república, o livro ganha agora nova edição.
Segundo Mônica Rodrigues da Costa, na Folha de São Paulo, Caderno Ilustrada de 24/12/2011, a editora Cosac Naify lançou nova tradução, por Nilson Moulin.
Esse lançamento traz a tona um livro de ensinamentos lido por várias gerações e que era mais conhecido no âmbito da pesquisa em Educação.
[1] Verificar: BASTOS, M. H. C. Cuore, de Edmundo De Amicis (1886).Um sucesso editorial.
Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul. Acesso: www.galaxy.intercom.org.br
sexta-feira, 16 de dezembro de 2011
Obras de referência
Obras de referência são aquelas que servem de apoio para ampliarmos ou nos certificarmos sobre o que interessa conhecer mais. Dicionários, vocabulários e Atlas estão nessa categoria.Esse gênero de livro acompanhou e ainda acompanha a trajetória escolar de muitas gerações e também compôs os acervos das primeiras Bibliotecas Infantis da cidade de São Paulo. O ACERVO HISTÓRICO DO LIVRO ESCOLAR - AHLE resguarda vários desses livros, tais como: Dicionários de língua portuguesa, francesa, de latim e inglês: bilíngües e trilingues; Dicionários de dificuldades da língua; ilustrados; de rimas; de verbos; os chamados Dicionários práticos; vocabulários ortográficos etc., contando uma centena de exemplares. O mais antigo dicionário do AHLE é de língua francesa, de 1914: Larousse élémentaire ilustré.
Dentre esses livros de referência destaco o Dicionário Contemporâneo de Língua Portuguesa, conhecido como Caldas Aulete, de 1958, data da primeira edição brasileira. (1)
A origem desse dicionário consagrado por várias gerações no país é portuguesa, do fim do século 19 e de autoria do lexicógrafo Francisco Julio de Caldas Aulete, que morreu ainda na fase das escrita de sua obra.
Ora, Dicionários têm várias serventias. No livro A Barca de Gleyre, que contém quarenta anos de correspondência de Monteiro Lobato com Godofredo Rangel, seu amigo da época de estudante, Lobato confessa:
Já percorri este ano as primeiras 700 páginas do Aulete e breve chegarei ao fim porque está me agradando o passeio. (06/08/1909, p.258). Ou ainda: ando a passear pelo oceano das palavras, isto é, ando a ler o Dicionário Aulete e vou tomando notas. (p. 260).
Como vemos nem só para consulta serve um Dicionário.
Vale lembrar que atualmente temos o Aulete Digital: http://www.auletedigital.com.br/ disponível pela Lexikon Editora Digital.
Então por que preservarmos o dicionário em papel?
Bem, o site referido não existiria se não fosse a publicação original; os suportes de registros, desde a pedra, historicamente foram mudando: alguns substituídos e outros convivendo simultaneamente e essas mudanças traduzem diferentes expressões e contextos; o livro, como expressão cultural, recupera formas de pensar, de educar, compondo a história de uma época. Além disso, as diferentes edições do Dicionário trazem a possibilidade de estudos comparativos ou sobre as mudanças na língua portuguesa ao longo do tempo.
Assim um acervo como o AHLE preserva a história e resguarda material que interessa a pesquisadores e aos que buscam sua memória escolar.
Notas
(1) O AHLE possui outro exemplar, de 1979, revisado e aumentado.
Bibliografia
LOBATO, Monteiro (1959). A Barca de Gleyre. SP, Brasiliense, 1º tomo.
sexta-feira, 18 de novembro de 2011
Malba Tahan

Malba Tahan (1895-1974), heterônimo de Julio Cesar de Mello e Souza, foi homenageado na Fliporto, evento literário que ocorreu em Olinda, Pernambuco, neste mês de novembro.
Professor de matemática Malba Tahan publicou inúmeros livros didáticos com cunho menos rígido, preocupando-se em atrair crianças e jovens para o mundo da matemática, matéria que muitas vezes foi e ainda é um entrave na trajetória escolar de muitos alunos. A didática do autor na transmissão da matéria não teve muitos seguidores. Afinal o que vemos são livros escolares bem tradicionais no tratamento da matemática para os estudantes. Sem dúvida as novas tecnologias devem ter facilitado, ao menos pela interação, o aprendizado dessa disciplina. Mas essa é outra história.
Em Matemática Divertida e Curiosa, publicado em 1934 há uma ”aula”: A geometria e o amor. Nela o autor relata a percepção de uma moça quando um pretendente seu, ao acompanhá-la de volta para casa, não mais ladeava as faces da praça por onde passavam e sim seguia pela diagonal da praça, mostrando seu desinteresse. Afinal era a linha mais curta.
“O Homem que calculava”, de 1938, por exemplo, talvez seu livro mais conhecido, teve inúmeras edições e foi usado por várias gerações.Confundido como de origem árabe por conta do pseudônimo esse professor nasceu no Rio de Janeiro e adotou a referência ao mundo árabe “como homenagem ao povo que se notabilizou pelo desenvolvimento da matemática”, de acordo com André Pereira, neto do autor.
Segundo matéria da Folha de São Paulo[1] será lançado um site com vídeos, fotos, textos e entrevistas, como também desafios matemáticos. (www.malbatahan.com.br)
O ACERVO HISTORICO DO LIVRO ESCOLAR resguarda mais de uma dezena de livros do autor, alguns como Mello e Souza e outros como Malba Tahan, tais como: “Diabruras da Matemática” de 1943 e “Matemática Divertida e Delirante”, edição de 1962, entre outros.
Ilustrações:
MELLO E SOUZA. Histórias e fantasias da matemática.Ed. Calvino. 1939.
MELLO E SOUZA. As grandes fantasias da matemática. Ed. Getulio Costa, RJ, 1945.
Notas:
[1] Almeida, Marco Rodrigo. Folha de São Paulo. C. Ilustrada, 12 de novembro de 2011.
