Acervo Histórico do Livro Escolar - AHLE

O ACERVO HISTÓRICO DO LIVRO ESCOLAR é formado pelo conjunto de livros escolares das antigas bibliotecas públicas infantis da cidade de São Paulo.

Com 5 mil volumes, o Acervo é composto por cartilhas, manuais escolares de todas as matérias de ensino, antologias literárias e livros de referência de uso escolar, entre outros, do século XIX até a década de 1980 e abrange os cursos primários, os secundários, os de formação de professor e o ensino técnico.
O Acervo está localizado na Biblioteca Infantojuvenil Monteiro Lobato, equipamento da Secretaria Municipal de Cultura de São Paulo.

Neste blog serão publicadas informações sobre esse acervo.


Seja bem-vindo.







quinta-feira, 14 de julho de 2016

PUERICULTURA

O ato de educar crianças esteve atrelado a várias concepções ao longo do tempo, desde a disciplinar, a que enxergava na criança um pequeno adulto, até as mais modernas noções de educação. Foi com a psicologia que a educação tornou-se foco de atenção de forma mais orgânica, na medida em que se propagaram métodos e manuais concebidos por várias áreas do conhecimento, desde a pedagogia, a pediatria, a psicologia, a psiquiatria etc. E assim a educação tanto escolar, quanto familiar,  assistindo a criança como um todo. E aí aparece a puericultura, palavra de   origem latina (puer,i),  que defini-se como um conjunto de técnicas empregadas para assegurar o perfeito desenvolvimento físico, metal e moral da criança, desde a gestação.
Foi matéria de ensino nas antigas Escolas Normais ou de Magistério e atualmente não compõe o currículo dos cursos mais consagrados de Pedagogia, por não corresponder ao que se concebe hoje como educação das crianças e jovens.
A origem da puericultura é francesa, no fim do século XVIII e no Brasil se desenvolve nos anos de 1920, primeiramente associada à higiene, aos cuidados com o corpo, ao acompanhar os novos conceitos da medicina e também pelos impactos da urbanização.

O Acervo Histórico do Livro Escolar – AHLE resguarda centenas de livros das antigas Escolas Normais e, muitos de Puericultura. Entre esses, uma curiosa enciclopédia ilustrada editada nos EUA nos anos de 1950, em três volumes e publicada no Brasil nos anos 60. É a que ilustra esse pequeno artigo.
Uma boa fonte de pesquisa para quem se envolve com a História do educar. 

terça-feira, 28 de junho de 2016

Joaquim Silva: autor de livros de história

Com o objetivo de continuar a traçar questões sobre a autoria de livros didáticos, com textos informativos dos autores, divulgo aqui Joaquim Silva (1880-1966).
Sem dúvida, entre os livros didáticos existem alguns que foram reeditados por décadas, atingindo assim várias gerações. É o caso de Joaquim Silva autor de livros de História. Junto com Borges Hermida, destacou-se nos anos de 1950 e 1960, com ampla produção didática.
Professor e diretor de escolas no interior de São Paulo, como Tatuí e Sorocaba, Joaquim Silva não foge ao modelo do professor-autor de livros escolares. Sua obra tornou-se referência no ensino de história, chegando a inúmeras edições.
Existem trabalhos que se debruçam sobre a autoria dos livros didáticos e a importância de se conhecer o contexto em que o livro foi produzido, tanto o sócio-cultural, quanto as linhas pedagógicas e o modelo de educação destacados no período. Com isso entende-se porque determinados parâmetros e linhas metodológicas foram usadas pelo autor.
O ACERVO HISTÓRICO DO LIVRO ESCOLAR – AHLE mantém livros de história, tanto os didáticos, quanto os paradidáticos e alguns de referência. É um conjunto de livros muito procurado por estudantes e pesquisadores. Sobre a produção de Joaquim Silva, o AHLE mantém História da Civilização dos anos de 1930, para o curso ginasial ; História do Brasil, também para o ginásio, dos anos de 1940; História da América, dos anos 1950 e História Geral, dos anos 1960. Também, junto com Aroldo de Azevedo, Joaquim Silva publicou livros didáticos para o curso de admissão.


Notas:


Entre outros trabalhos, indico a tese de doutorado: Professor Joaquim Silva, um autor da história ensinada do Brasil: livros didáticos e educação moderna dos sentidos (1940-1951), autoria de Arnaldo Pinto Junior, defendida em 2010 na Faculdade de Educação da UNICAMP.

terça-feira, 31 de maio de 2016

GUIAS CURRICULARES


Guias curriculares são documentos oficiais informativos sobre currículos escolares de graus e matérias de ensino, basicamente dos anos 1970, baseados nas mudanças educacionais do governo militar.
Esses Guias foram elaborados por profissionais da educação e são considerados de orientação docente.

“Guia” significa dirigir, dar um rumo, termo indicativo do ideário do regime autoritário que se instalou no país.
Com a abertura e novos ares para a educação foram criados os Parâmetros Curriculares Nacionais - PCNs, nos anos 1990, usados como referência a partir da diversidade social e cultural do país. 

O ACERVO HISTÓRICO DO LIVRO ESCOLAR – AHLE, além dos livros escolares, resguarda alguns Guias Curriculares como materiais de auxílio à pesquisa, junto a livros de referência e outros de formação de professores.
Uma última aquisição foi: Guias curriculares propostos para as matérias do núcleo comum do ensino do 1º Grau, da Secretaria da Educação de São Paulo, elaborado pelo Centro de Recursos Humanos e Pesquisas Educacionais Prof. Laerte Ramos de Carvalho.
São guias curriculares de Comunicação e Expressão; Estudos Sociais e Ciências e tratam das mudanças implantadas na Educação pela Lei 5.692/71.

Outros Guias: 
Subsídios para a implementação do guia curricular de língua portuguesa para o 1º grau, de 1981 de autoria de  Marieta Lúcia Machado Nicolau.

Ensinando matemática a crianças – guia para o professor do 1º ano. Centro Brasileiro de Pesquisas Educacionais, de 1960, de Almira Sampaio Brasil da Silva, et alli.



quarta-feira, 18 de maio de 2016

A temática do trabalho

No dia 1º de maio é comemorado o Dia do Trabalhador. Em 1886, nesta mesma data, trabalhadores de Chicago (Estados Unidos da América) promoveram protestos de rua e uma grande greve geral pedindo pela redução da jornada de trabalho, de treze para oito horas. 
Conflitos entre trabalhadores e policiais resultaram na morte de mais de doze manifestantes, sete policiais e dezenas de pessoas feridas. Um ano após o ocorrido, foi decidido então declarar o 1º de Maio como feriado em memória dos trabalhadores em luta por direitos trabalhistas.  
O trabalho é representado de várias formas e a escola teve um papel fundamental na qualificação da mão de obra para o trabalho na fase do desenvolvimento capitalista.

O Acervo Histórico do Livro Escolar - AHLE  possui muitos livros  que abordam a temática do trabalho, bem como uma variedade de ilustrações que retratam o trabalho do campo e da cidade. Os livros de ensino profissionalizante são muito presentes também, dado que por muitos anos as escolas ofereceram cursos técnicos, incentivados como uma alternativa à universidade no período da Ditadura Militar.

Sendo o AHLE um grande registro de 80 anos da educação brasileira, pode-se encontrar nele um vasto material destes livros profissionalizantes. Alguns inclusive trazem ilustrações de jovens exercendo profissões, como na série de livros de leitura O Pedrinho, que numa das capas o personagem aparece como marceneiro. 


Autoria: Aline Oliveira

Graduanda em Letras pela Universidade de São Paulo e estagiária do Acervo Histórico do Livro Escolar -  AHLE


segunda-feira, 11 de abril de 2016

O Idioma Nacional




 

 

Uma das vantagens deste Blog é dar luzes a estudiosos desconhecidos ou já não mais lembrados. Isso porque o ACERVO HISTÓRICO DO LIVRO ESCOLAR – AHLE abriga 80 anos da História da Educação do país e assim agrega títulos e autores mais antigos de livros escolares, muitas vezes, esquecidos. Vale lembrar que esses autores geralmente têm uma produção da escrita não só didática.


Este é o caso de Antenor Nascentes (1886-1972), professor catedrático de português do Colégio Pedro II e considerado um dos grandes estudiosos da língua portuguesa do século XX, com inúmeras publicações. Um dos fundadores da Academia Brasileira de Filologia[1], Antenor, além de livros escolares, foi autor de inúmeros estudos, como o Dicionário Etimológico da Língua Portuguesa, que lhe deu notoriedade no meio literário e acadêmico. Recebeu o prêmio Machado de Assis pelo conjunto da obra em 1962.
Sobre livros escolares, Antenor Nascentes tem uma vasta produção. Destaco a série O Idioma Nacional, em cinco volumes. Essa série é dirigida ao público estudantil e foi publicada nos anos de 1920, pela Typographia A Encadernadora do Rio de Janeiro e como depositário, a Livraria Machado. Outras edições tiveram como depositários a Livraria Alves e a Livraria Briguiet.
O AHLE tem três títulos dessa coleção: os volumes II, 1ª ed. de 1927 e reedição de 1942; o volume III, reedição de 1942 e o volume V, 2ª edição de 1935. O primeiro volume foi publicado em 1926 e não faz parte desse Acervo.
O período de publicação desses volumes é o da naturalização da língua, movimento que se inicia no fim do século XIX, de consolidação da língua brasileira e  do Estado nacional. Chama a atenção, por exemplo, o capítulo sobre a  "Métrica dos Cantadores nordestinos", indício dessa abordagem voltada para a brasilidade.
Outros livros escolares do autor: Dificuldades de análise gramatical de 1959; Método prático de análise sintática, de 1961 e  Dificuldades de análise sintática, de 1961, todos da Francisco Alves Editora, além de vários dicionários.
O AHLE  mantém centenas de livros escolares de língua portuguesa.







[Notas:


1 Criada em  1944, com sede no Rio de Janeiro.




quarta-feira, 23 de março de 2016

O pioneirismo da Biblioteca Infantil Municipal, atual Biblioteca Infanto-Juvenil Monteiro Lobato e seus 80 anos




 

 

 

Em 14 de abril de 1936 foi inaugurada a Biblioteca Infantil Municipal, atual Biblioteca Infanto- Juvenil Monteiro Lobato. Até aqui, 80 anos dedicados à leitura, ao livro, à pesquisa e a projetos para atrair e manter as crianças e jovens em seu espaço. Alguns períodos foram mais intensos, outros menos, mas a origem e o pioneirismo deste equipamento público educativo e cultural dedicado à criança são reconhecidos para se refletir sobre o papel de uma Biblioteca Pública atualmente.

O ACERVO HISTÓRICO DO LIVRO ESCOLAR – AHLE compõe os acervos especiais para pesquisadores desta biblioteca e assim, como forma de homenagear esses 80 anos e também divulgar o material que o AHLE resguarda, resolvi postar livros escolares que fizeram parte da Biblioteca e que estampam imagens de crianças.

Assim retrato uma das funções da biblioteca ao longo de sua história,  qual seja, proporcionar a pesquisa escolar, função que as tecnologias atuais substituíram em parte e também as figuras infantis,  protagonistas do projeto da Biblioteca desde a sua criação.

Sobre a história desta biblioteca[1] existe um blog cujo link está em “sites relacionados” e também outros textos, ambos neste blog.



[1] Verificar entre outros,  ANDREOTTI, A. O Jornal A Voz da Infância (1936-1950) Educação e Cultura na Modernidade Paulistana. Jundiaí, Paco Ed., 2014.

1. ilustração: Fleury, R. S. SP, Record, 1941.
2. ilustração: Viana, A. SP, Cia Ed. Nacional, 1956.
3. ilustração: Ricchetti, H. SP, Cia Ed. Nacional, 1949.
4. ilustração: D'Avila, A.  S.P, Cia Ed. Nacional, 1953.
Obs. Esses livros têm várias edições.

segunda-feira, 14 de março de 2016

Livros escolares escritos por mulheres no início do século XX




 
Dentre as possibilidades de pesquisa  que o livro escolar apresenta, neste texto falarei sobre livros escolares escritos por mulheres e isso no início do século XX. Pensei em um recorte até os anos de 1930.

Para começar sabemos que a escolarização feminina não era prioritária e também que as poucas mulheres que estudavam pertenciam as classes médias ou da elite do país. Várias pesquisas  apontam esses dados.[1]

A maioria dos livros escolares ou de uso escolar escritos por mulheres no período proposto e resguardados pelo  ACERVO HISTÓRICO DO LIVRO ESCOLAR - AHLE são cartilhas e primeiras leituras, material voltado as crianças e seus primeiros passos na escolarização. Assim poesias e pequenas histórias compõem boa parte desses livros.

Quem eram essas autoras? Professoras, a primeira profissão das mulheres das camadas médias, como “vocação”, já que se trata de crianças e  de um ambiente restrito, o escolar.

Listei autoras que compõem o AHLE até 1930. São poucas, como já esperado. Ei-las:

Maria Guilhermina Andrade; Presciliana Duarte de Almeida; Francisca Julia; Rita de Macedo Barreto; Eulália de Abreu Sampaio; Luiza P C Branco; Adelina Lopes Vieira; Julia Lopes Almeida; Maria de Carvalho e Leonor de Campos.
Essas informações reiteram a inclusão limitada das mulheres na educação escolar e também que a autoria de livros didáticos de outras áreas do conhecimento que não os voltados a alfabetização infantil, não fizeram parte do universo feminino. 

Atualmente são vários os trabalhos e pesquisas que tratam da questão de gênero e seus desdobramentos. O AHLE pode contribuir com material para tanto. Fica aqui uma proposta.

 



[1] A mulher na História da Educação brasileira: entraves e avanços de uma época. Ivanilde Alves Monteiro ivamonteiro@yahoo.com.br (UFPE) http://www.histedbr.fe.unicamp.br/acer_histedbr/seminario/