Acervo Histórico do Livro Escolar - AHLE

O ACERVO HISTÓRICO DO LIVRO ESCOLAR é formado pelo conjunto de livros escolares das antigas bibliotecas públicas infantis da cidade de São Paulo.

Com 5 mil volumes, o Acervo é composto por cartilhas, manuais escolares de todas as matérias de ensino, antologias literárias e livros de referência de uso escolar, entre outros, do século XIX até a década de 1980 e abrange os cursos primários, os secundários, os de formação de professor e o ensino técnico.
O Acervo está localizado na Biblioteca Infantojuvenil Monteiro Lobato, equipamento da Secretaria Municipal de Cultura de São Paulo.

Neste blog serão publicadas informações sobre esse acervo.


Seja bem-vindo.







terça-feira, 12 de março de 2013

Domingos Paschoal Cegalla

Domingos Paschoal Cegalla nasceu em Santa Catarina em 1920. Foi professor e autor de dezenas de livros de português e gramática. Logo cedo se encantou com a língua grega e o latim como seminarista, mas não seguiu a vida religiosa. Cursou Letras.
A obra didática, com várias edições e sua atuação como professor fez de Cegalla nome conhecido por várias gerações.
Traduziu alguns títulos e com “Édipo Rei” ganhou o premio Jabuti em 2001.
Morreu em fevereiro deste ano (2013) no Rio de Janeiro aos 92 anos.
O Acervo Histórico do Livro Escolar – AHLE mantém 30 títulos de livros escolares de Cegalla. O mais antigo data de 1955: “Programa de Admissão”, da Cia Editora Nacional, 8ª ed. Português Fundamental” para a 8ª série do ensino de primeiro grau, de 1974 e “João-de-barro- Linguagem”, 3ª série do 1º grau, de 1976 são os mais recentes do Acervo.
Figura consagrada na área da Educação  e lembrada pelos que estudaram em seus livros, foram seus alunos ou mesmo o conheceram pela longa carreira, a morte de Domingos Paschoal Cegalla não teve grande destaque da imprensa. A notícia, nos principais jornais, ao menos de São Paulo, teve poucas linhas e nenhuma referência a importância e trajetória de Cegalla. Fica aqui a sugestão para que essa desatenção seja reparada.


Nota: A ilustração é capa de livro de 1965, editado pela Cia. Ed. Nacional, 3ª edição.

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

Poesia na Escola


Em 14 de março comemora-se o dia nacional da poesia em homenagem ao nascimento de Castro Alves (1847-1871).
Considerada linguagem que se expressa por meio do ritmo, da cadência, das rimas, a poesia incita a imaginação, as emoções, os sentimentos.

Talvez aí a importância da poesia para a criança. Na escola a poesia foi e ainda é usada como recurso expressivo da escrita e da leitura.


Ora, poetas consagrados como Cecília Meireles e Olavo Bilac publicaram poesias para crianças em livros de cunho didático.



A Festa das Letras. C. Meirelles e J. de Castro.
P. Alegre, Liv. Globo, 1937.

O ACERVO HISTÓRICO DO LIVRO ESCOLAR – AHLE mantém livros de leitura escolar que alternam poesias e pequenos textos, como também livros específicos de poesia voltados para o ensino da língua portuguesa.





quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

Livros de leitura




Os livros mais recentes inseridos no ACERVO HISTÓRICO DO LIVRO ESCOLAR - AHLE são do início do século 20 e livros de leitura usados nas escolas primárias.
Provavelmente de João Kopke

Destaco Fabulas – para uso das classes de Língua Materna (arranjadas pelo Director), do Instituto Henrique Kopke, RJ, Livraria Francisco Alves, 1911, 5ª edição, 136 páginas.
Na capa a inscrição E.N.P. indica Escola Normal Primária nome dado na época a alguns institutos particulares de instrução elementar.
O Instituto Henrique Kopke foi fundado por João Kopke (1852-1926) no Rio de Janeiro no fim do século 19, em homenagem a seu pai.
Educador consagrado, cuja obra educativa e literária é tema de vários estudos, João Kopke muito provavelmente compôs o livro em questão, que contém 40 fábulas, todas em versos e em linguagem simples e rimada.

Outro livro é Corações de Crianças (série de contos moraes e cívicos) de Rita de Macedo Barreto, São Paulo, Francisco Alves, 1918, 9ª edição. Segundo a autora o livro é indicado como “leitura preparatória”, para ser usado na passagem das cartilhas para os primeiros livros de leitura, por meio do método analítico.

(1)

Barreto trabalha com o repertório de palavras já conhecidas dos alunos, de acordo com as cartilhas mais em uso na época. O livro, com 140 páginas, é ilustrado em branco e preto e a cores e traz a opinião de especialistas sobre a publicação, já na 9ª edição. A primeira foi em 1914.

Notas:
(1) Poesia integrante do livro Corações de Crianças. Zalina Rolim (1869-1961) foi poetisa,  educadora e discípula de João Kopke



 

quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

Páginas Infantis


“Páginas Infantis” é um desses livros que retratam muitos aspectos da educação infantil do período em que foi publicado. De autoria de Presciliana Duarte de Almeida e escrito em 1907, a obra foi aprovada pelo Superior Conselho de Instrução de S. Paulo, de Minas e do Distrito Federal.
O livro traz uma carta prefácio de João Kopke,[1] em que o papel da “mulher mãe” é enfatizado como atributo para a escrita desse gênero de literatura para crianças.
Voltado para o aprendizado da língua como livro de leitura entremeia poesia e prosa, incluindo aí o que a autora denomina de “enigmas”, pequenas estrofes que levam a criança a adivinhar do que se trata: uma vaca, um rio etc.
A autora redige um prólogo elogiando a obra do Cônego Schmid,[2] autor preferido por seus filhos, segundo ela. Obras adaptadas e traduzidas do estrangeiro eram comuns em uma época onde não havia ainda uma indústria editorial no país, muito menos a produção de livros voltados a crianças e jovens. Época que muitos denominam “pré-Lobato”, em alusão ao reconhecido autor do “Sitio do Picapau Amarelo”.
Ilustrações e fotografias ilustradas emolduram o livro que reproduz opiniões sobre seu conteúdo através do “Juízo da Imprensa”, cartas de jornalistas e também de alguns educadores. Essas informações estão na 2ª edição do livro, de 1910, que compõe o Acervo Histórico do Livro Escolar – AHLE.
Outro livro de Presciliana, “O Livro das Aves”, em prosa e verso, de 1914, foi encomendado pela Diretoria Geral de Instrução Pública de São Paulo em virtude das festas escolares das árvores e das aves incluídas no calendário escolar desse Estado. Está também a disposição de pesquisadores, entre outros de leitura daquele período.


[1] João Kopke  (1852-1926)  educador e escritor de livros para crianças e jovens. Entre outros estudos, verificar PONIZZOLO, Claudia. “João Kopke e o ensino da leitura e da escrita.” PUC/SP. www.sbhe.org.br e também SANTOS, Maria Lygia Kopke."João Kopke e o Livro Didático", tese doutorado, UNICAMP, 2008.

[2] Cônego Von Schmid (1768-1854) sacerdote católico alemão, escreveu contos de moral religiosa para crianças e jovens e foi publicado pela Ed.  Melhoramentos nas primeiras décadas do século 20.

terça-feira, 11 de dezembro de 2012

Livros de Educação profissional



No início do século 20 o Brasil passou por mudanças na sua organização econômica. O processo de industrialização se configurou de forma mais orgânica, a urbanização se acelerou em algumas regiões do país, o comércio, atividade já consolidada, se expandiu. Novas classes sociais se organizam, caso da burguesia industrial e dos trabalhadores das fábricas.

Nesse contexto propostas de formação profissional via educação escolar foram apontadas como necessárias na qualificação da mão de obra e principalmente a partir da década de 1930, a educação profissional foi projeto da classe empresarial. Em 1931 foi criado o Instituto de Organização Racional do Trabalho – IDORT, patrocinado por empresários

Mas já em 1905 o governo central regulamentou cursos comerciais existentes de iniciativa privada e estabeleceu critérios para os que fossem criados. (1)

Em 1926 criou mecanismos de fiscalização, como também currículo e regime escolar mínimo e equipamentos necessários a essas escolas entre outras resoluções. (2)
A reforma educacional "Francisco Campos" de 1931 reorganizou o ensino comercial e as Leis Orgânicas do Ensino da Reforma Capanema (1942) estruturou o ensino profissional, reformulou o ensino comercial e criou o SENAI.

O ACERVO HISTÓRICO DO LIVRO ESCOLAR – AHLE mantém uma centena de títulos de ensino profissional desde a década de 1940. Formas de organização das relações de trabalho, a especialização de funções, as novas e múltiplas ocupações e os testes vocacionais são alguns dos temas identificados em livros como “Vocação e Orientação” de 1943, “A opção profissional” de 1970 ou a série “Educação para o Trabalho” (orientação para a escolha profissional), da editora Atlas de 1979. (3)

O ensino comercial e industrial a partir da década de 1960 e a proliferação das escolas técnicas, com as mudanças educacionais do período da ditadura militar, definidas pelo acordo MEC-USAID, de assegurar a formação profissional em nível médio, também estão representados no Acervo.

Notas

1. PERES, Fernando Antonio. “Alguns apontamentos sobre o ensino comercial no Brasil”. www.histedbr.fae.unicamp.br

2. Idem

3. “Vocação e Orientação” sem autor, 1943. “A opção profissional”, Fundação Carlos Chagas, 1970; Série “Educação para o Trabalho”, GERENCER, Pavel e Roberto. Atlas, SP, 1979; “Educação para o Trabalho” PILETTI, Cláudio e Nelson, Ática, SP, 1980.



terça-feira, 30 de outubro de 2012

Livros de História



A civilização material em nossa época parece haver atingido os derradeiros limites.
De quando será essa frase que parece tão atual? Pois encontramos em livro de História Universal, editado originalmente em 1912. Trata-se de Epítome de Historia Universal de Jonathas Serrano.

O Prefácio é de Escragnolle Doria, datado de 1912, ano de publicação do livro, pela Francisco Alves. Ambos foram professores de Historia do Colégio Pedro II.

Claro que o contexto é outro e o autor complementa a frase inicial considerando que só será possível o desenvolvimento se os países se comunicarem e levarem em conta as classes mais baixas (sic), p. 416.

O livro foi adotado no Pedro II, modelo de ensino para o país, na Escola Normal do Distrito Federal e em vários estabelecimentos de instrução da capital da República e dos Estados.

Com 432 páginas, essa publicação é organizada com uma Introdução e as épocas históricas assim definidas: História Antiga, dividida em Antiguidade oriental e clássica; História Moderna; Idade Média e Contemporânea, nessa ordem.
O ensino de História no Brasil data de 1837, no Colégio Pedro II. Nesse mesmo ano é fundado o Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro.

O Acervo Histórico do Livro Escolar - AHLE resguarda mais ou menos trezentos títulos de livros escolares de História, dos cursos primário, ginásio e médio com exemplares datados do século 19 até meados dos anos de 1970. Compõe o Acervo também livros de Estudos Sociais.
Sobre o livro de Serrano o AHLE possui dois exemplares: 1927 e 1929.

Sobre o ensino de História indico uma autora, entre outras que se dedicam a esses estudos. Trata-se de Circe Maria Fernandes Bittencourt, Ensino de História: Fundamentos e Métodos, Ed. Cortez.

Há um blog que traz informações sobre ensino de história: historiadoensinoblogspot.com













quinta-feira, 30 de agosto de 2012

Leituras que formaram gerações: Através do Brasil




Se pensarmos sobre um livro paradidático publicado em 1910, reeditado até os anos de 1960 e recomendado para uso nas escolas, podemos afirmar que compôs a trajetória escolar de várias gerações e marcou a historia do país.


Referimo-nos a Através do Brasil (narrativa) de Olavo Bilac(1) e Manoel Bomfim(2), editado como prática da Língua Portuguesa pela Livraria Francisco Alves.

Pois esse livro, voltado para o Curso Médio das Escolas Primárias, que correspondia aos dois últimos anos, abre com uma Advertência e Explicação. Nela os autores reiteram indicações pedagógicas daquele momento, em que o livro único de leitura era recomendado e assim ponto de partida dos ensinamentos de português, história, geografia e lições de coisas.(3) Essa prática que considera o professor centro do conhecimento, visto que parte dele a construção dos ensinamentos é identificada como educação tradicional, corrente pedagógica que será questionada pelo Movimento da Escola Nova, principalmente a partir da década de 1930.

Através do Brasil, na edição de 1955, contém 314 páginas; é dividido em 82 capítulos e ilustrado, segundo os autores, com fotografias. As ilustrações são desenhos, talvez a partir de fotografias ou outras imagens. Deixo essa questão para os especialistas. O livro traz também um pequeno léxico.

O livro é uma narrativa na qual duas crianças, Carlos e Alfredo, viajam pelo país a partir de Recife em busca do pai e nisso passam por vários lugares, conhecem paisagens, costumes diferentes e vivem diversas situações. Assim a publicação traça um panorama do Brasil nessa pequena saga e também trata da formação de uma identidade nacional, traço marcante do período da Primeira República (1889-1930).

Na França, em 1877, livro semelhante foi publicado: “Le Tour de La France par Deux Enfants” (Viagem ao redor da França por duas crianças) de G. Bruno e provavelmente foi fonte de inspiração.

Como usar esse livro único em sala de aula? Os autores fornecem uma série de dicas, como por exemplo: “Uma lição de geografia... A primeira lição do programa: terras e mares, acidentes geográficos. No segundo capítulo, o livro fala em mar... ao passo que o trem avança para o interior do continente, entre montanhas, rios etc.” (p. X ).

Esse e tantos outros livros que serão destacados nesse Blog sob o titulo de Leituras que formaram gerações foram editados no início do século 20, reeditados por muito tempo e retratam um período da Educação no país do momento de consolidação dos grupos escolares e de um projeto educativo republicano.

Não se trata aqui de grandes análises nesse sentido, mas sim de mostrar o alcance do livro escolar como fonte de pesquisa, como parte da cultura material e expressão de determinado contexto.

O ACERVO HISTÓRICO DO LIVRO ESCOLAR - AHLE possui as edições de 1955 (41ª edição revista) e 1962 (45ª edição) do Através do Brasil. A obra foi reeditada pela Cia das Letras, em 2000, com a organização de Marisa Lajolo.



Notas:

(1) Olavo Bilac (1865-1918): jornalista, poeta e autor de vários livros escolares.


(2) Manoel Bomfim (1868-1932): médico, pedagogo e historiador.

(3) “Noções de cosmografia e de ciências físicas e naturais”, frase do próprio livro. "Lições de coisas" foi introduzido no Brasil na segunda metade do século 19 e é parte do método intuitivo, aplicado ao estudo científico das coisas, centrado na observação e experiência da criança.