Acervo Histórico do Livro Escolar - AHLE

O ACERVO HISTÓRICO DO LIVRO ESCOLAR é formado pelo conjunto de livros escolares das antigas bibliotecas públicas infantis da cidade de São Paulo.

Com 5 mil volumes, o Acervo é composto por cartilhas, manuais escolares de todas as matérias de ensino, antologias literárias e livros de referência de uso escolar, entre outros, do século XIX até a década de 1980 e abrange os cursos primários, os secundários, os de formação de professor e o ensino técnico.
O Acervo está localizado na Biblioteca Infantojuvenil Monteiro Lobato, equipamento da Secretaria Municipal de Cultura de São Paulo.

Neste blog serão publicadas informações sobre esse acervo.


Seja bem-vindo.







quarta-feira, 17 de abril de 2013

HISTÓRIA NATURAL


História Natural ou o Brasil e suas Riquezas, de Waldemiro Potsch é um desses livros que nos chamam a atenção pelas várias edições (a primeira em 1921); pelos prêmios recebidos; (1) pela chancela de Carlos Chagas, que assina uma breve apresentação e pelo prefácio à 11ª edição, no qual o autor agradece a colaboração de alguns poetas que ilustraram o livro a partir da edição de 1934.

4ª capa


Assim, poesias de Affonso Celso e Humberto de Campos entre outros entremeiam este livro, reiterando a idéia central de Potsch de enaltecimento das riquezas do país, por meio da didática que o conteúdo do livro escolar precisa manter.  Por exemplo, logo na abertura o livro traz alguns índices, sem fonte precisa, sobre a situação do país quanto à produção de café: “primeiro produtor do mundo”; bovinos: “4º lugar no mundo” etc., seguida de uma poesia de Affonso Celso, "Salve o Brasil".

Nesse sentido pinceladas de civismo se somam à História Natural que a partir dos anos de 1960 será reconhecida como a disciplina Biologia para o curso secundário. Potsch foi médico e também professor do Colégio Pedro II, modelo de currículo escolar para o país.

A última parte do livro trata de doenças, como varíola, impaludismo e outras, “em linguagem simples e convincente”, segundo Chagas, pois se trata de um livro voltado ao curso secundário. São noções de higiene tão em voga nas décadas de 1920 e 30.

O ACERVO HISTÓRICO DO LIVRO ESCOLAR – AHLE mantém livros escolares de Historia Natural dos anos de 1950, de Biologia e alguns que abordam o higienismo.

Notas:

1. Premio “Francisco Alves” da Academia Brasileira de Letras, em 1921.

2. SANTOS, Maria Cristina F. e SELLES, Sandra Lucia E. A disciplina escolar História Natural, os livros didáticos e os professores autores na década de 1930: Waldemiro Potsch e os compêndios de História Natural. Trabalho apresentado no Congresso da  Sociedade Brasileira de História da Educação.

77 anos - Biblioteca Monteiro Lobato

Em 14 de abril de 1936 foi inaugurada a Biblioteca Infantil Municipal, atual Biblioteca Infanto-Juvenil Monteiro Lobato da Secretaria Municipal de Cultura de São Paulo. Sua criação fez parte de um projeto para a cidade tendo a frente Mário de Andrade, então diretor do Departamento de Cultura.


A Biblioteca foi concebida como um centro de cultura onde o livro e a leitura seriam atividades centrais, envolvendo outras manifestações, tais como pintura e desenho, cinema educativo, jogos e atividades que chamassem a atenção da criança e do jovem.

Outra função da Biblioteca foi a de complementação escolar, e aí, entre leituras e pesquisas as crianças encontravam a liberdade de escolha, um espaço mais livre, sem avaliação ou certas imposições, práticas inerentes à especificidade do meio escolar.

O Acervo Memória da Biblioteca tem em seus arquivos fotos e matérias de jornais que testemunham essa trajetória.

Ao mesmo tempo a pesquisa escolar sempre foi uma prática de seus frequentadores, tanto é que inúmeros livros didáticos, paradidáticos e de referência compuseram os acervos tanto da Biblioteca Monteiro Lobato, quanto de outras da rede municipal. O ACERVO HISTORICO DO LIVRO ESCOLAR – AHLE, por exemplo, com 5 mil títulos, foi organizado a partir desse acervo.

Hoje pesquisa escolar em livros não é mais uma atividade freqüente, afinal em 77 anos muita coisa mudou. Atualmente, novas tecnologias, novas linguagens, a valorização da literatura infantil e da ilustração indicam muitas vezes outras práticas de acolhimento da criança e do jovem por uma Biblioteca Pública.

Entre mudanças e permanências o espaço da Biblioteca continua sendo uma referência, tanto para as crianças que a procuram espontaneamente na busca de livros, gibis, pesquisa, exposições, teatro, cursos de iniciação à arte etc., quanto às visitas programadas por escolas ou outras instituições.

Afinal Cultura e Educação andam juntas.

Ao longo de sua história a Biblioteca acumulou também coleções especiais, tais como o Acervo Histórico do Livro Escolar – AHLE, o Acervo Monteiro Lobato, o Acervo Memória e um Acervo da produção nacional em Literatura Infantil. Esses acervos são procurados por pesquisadores, estudantes e também pelo público em geral.

Notas:

ilustração: primeira sede da Biblioteca em 1936, na Rua Major Sertório.

ilustração: frente do prédio atual da Biblioteca, inaugurado em 1950,  na Rua General Jardim, n.485.



terça-feira, 12 de março de 2013

Domingos Paschoal Cegalla

Domingos Paschoal Cegalla nasceu em Santa Catarina em 1920. Foi professor e autor de dezenas de livros de português e gramática. Logo cedo se encantou com a língua grega e o latim como seminarista, mas não seguiu a vida religiosa. Cursou Letras.
A obra didática, com várias edições e sua atuação como professor fez de Cegalla nome conhecido por várias gerações.
Traduziu alguns títulos e com “Édipo Rei” ganhou o premio Jabuti em 2001.
Morreu em fevereiro deste ano (2013) no Rio de Janeiro aos 92 anos.
O Acervo Histórico do Livro Escolar – AHLE mantém 30 títulos de livros escolares de Cegalla. O mais antigo data de 1955: “Programa de Admissão”, da Cia Editora Nacional, 8ª ed. Português Fundamental” para a 8ª série do ensino de primeiro grau, de 1974 e “João-de-barro- Linguagem”, 3ª série do 1º grau, de 1976 são os mais recentes do Acervo.
Figura consagrada na área da Educação  e lembrada pelos que estudaram em seus livros, foram seus alunos ou mesmo o conheceram pela longa carreira, a morte de Domingos Paschoal Cegalla não teve grande destaque da imprensa. A notícia, nos principais jornais, ao menos de São Paulo, teve poucas linhas e nenhuma referência a importância e trajetória de Cegalla. Fica aqui a sugestão para que essa desatenção seja reparada.


Nota: A ilustração é capa de livro de 1965, editado pela Cia. Ed. Nacional, 3ª edição.

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

Poesia na Escola


Em 14 de março comemora-se o dia nacional da poesia em homenagem ao nascimento de Castro Alves (1847-1871).
Considerada linguagem que se expressa por meio do ritmo, da cadência, das rimas, a poesia incita a imaginação, as emoções, os sentimentos.

Talvez aí a importância da poesia para a criança. Na escola a poesia foi e ainda é usada como recurso expressivo da escrita e da leitura.


Ora, poetas consagrados como Cecília Meireles e Olavo Bilac publicaram poesias para crianças em livros de cunho didático.



A Festa das Letras. C. Meirelles e J. de Castro.
P. Alegre, Liv. Globo, 1937.

O ACERVO HISTÓRICO DO LIVRO ESCOLAR – AHLE mantém livros de leitura escolar que alternam poesias e pequenos textos, como também livros específicos de poesia voltados para o ensino da língua portuguesa.





quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

Livros de leitura




Os livros mais recentes inseridos no ACERVO HISTÓRICO DO LIVRO ESCOLAR - AHLE são do início do século 20 e livros de leitura usados nas escolas primárias.
Provavelmente de João Kopke

Destaco Fabulas – para uso das classes de Língua Materna (arranjadas pelo Director), do Instituto Henrique Kopke, RJ, Livraria Francisco Alves, 1911, 5ª edição, 136 páginas.
Na capa a inscrição E.N.P. indica Escola Normal Primária nome dado na época a alguns institutos particulares de instrução elementar.
O Instituto Henrique Kopke foi fundado por João Kopke (1852-1926) no Rio de Janeiro no fim do século 19, em homenagem a seu pai.
Educador consagrado, cuja obra educativa e literária é tema de vários estudos, João Kopke muito provavelmente compôs o livro em questão, que contém 40 fábulas, todas em versos e em linguagem simples e rimada.

Outro livro é Corações de Crianças (série de contos moraes e cívicos) de Rita de Macedo Barreto, São Paulo, Francisco Alves, 1918, 9ª edição. Segundo a autora o livro é indicado como “leitura preparatória”, para ser usado na passagem das cartilhas para os primeiros livros de leitura, por meio do método analítico.

(1)

Barreto trabalha com o repertório de palavras já conhecidas dos alunos, de acordo com as cartilhas mais em uso na época. O livro, com 140 páginas, é ilustrado em branco e preto e a cores e traz a opinião de especialistas sobre a publicação, já na 9ª edição. A primeira foi em 1914.

Notas:
(1) Poesia integrante do livro Corações de Crianças. Zalina Rolim (1869-1961) foi poetisa,  educadora e discípula de João Kopke



 

quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

Páginas Infantis


“Páginas Infantis” é um desses livros que retratam muitos aspectos da educação infantil do período em que foi publicado. De autoria de Presciliana Duarte de Almeida e escrito em 1907, a obra foi aprovada pelo Superior Conselho de Instrução de S. Paulo, de Minas e do Distrito Federal.
O livro traz uma carta prefácio de João Kopke,[1] em que o papel da “mulher mãe” é enfatizado como atributo para a escrita desse gênero de literatura para crianças.
Voltado para o aprendizado da língua como livro de leitura entremeia poesia e prosa, incluindo aí o que a autora denomina de “enigmas”, pequenas estrofes que levam a criança a adivinhar do que se trata: uma vaca, um rio etc.
A autora redige um prólogo elogiando a obra do Cônego Schmid,[2] autor preferido por seus filhos, segundo ela. Obras adaptadas e traduzidas do estrangeiro eram comuns em uma época onde não havia ainda uma indústria editorial no país, muito menos a produção de livros voltados a crianças e jovens. Época que muitos denominam “pré-Lobato”, em alusão ao reconhecido autor do “Sitio do Picapau Amarelo”.
Ilustrações e fotografias ilustradas emolduram o livro que reproduz opiniões sobre seu conteúdo através do “Juízo da Imprensa”, cartas de jornalistas e também de alguns educadores. Essas informações estão na 2ª edição do livro, de 1910, que compõe o Acervo Histórico do Livro Escolar – AHLE.
Outro livro de Presciliana, “O Livro das Aves”, em prosa e verso, de 1914, foi encomendado pela Diretoria Geral de Instrução Pública de São Paulo em virtude das festas escolares das árvores e das aves incluídas no calendário escolar desse Estado. Está também a disposição de pesquisadores, entre outros de leitura daquele período.


[1] João Kopke  (1852-1926)  educador e escritor de livros para crianças e jovens. Entre outros estudos, verificar PONIZZOLO, Claudia. “João Kopke e o ensino da leitura e da escrita.” PUC/SP. www.sbhe.org.br e também SANTOS, Maria Lygia Kopke."João Kopke e o Livro Didático", tese doutorado, UNICAMP, 2008.

[2] Cônego Von Schmid (1768-1854) sacerdote católico alemão, escreveu contos de moral religiosa para crianças e jovens e foi publicado pela Ed.  Melhoramentos nas primeiras décadas do século 20.

terça-feira, 11 de dezembro de 2012

Livros de Educação profissional



No início do século 20 o Brasil passou por mudanças na sua organização econômica. O processo de industrialização se configurou de forma mais orgânica, a urbanização se acelerou em algumas regiões do país, o comércio, atividade já consolidada, se expandiu. Novas classes sociais se organizam, caso da burguesia industrial e dos trabalhadores das fábricas.

Nesse contexto propostas de formação profissional via educação escolar foram apontadas como necessárias na qualificação da mão de obra e principalmente a partir da década de 1930, a educação profissional foi projeto da classe empresarial. Em 1931 foi criado o Instituto de Organização Racional do Trabalho – IDORT, patrocinado por empresários

Mas já em 1905 o governo central regulamentou cursos comerciais existentes de iniciativa privada e estabeleceu critérios para os que fossem criados. (1)

Em 1926 criou mecanismos de fiscalização, como também currículo e regime escolar mínimo e equipamentos necessários a essas escolas entre outras resoluções. (2)
A reforma educacional "Francisco Campos" de 1931 reorganizou o ensino comercial e as Leis Orgânicas do Ensino da Reforma Capanema (1942) estruturou o ensino profissional, reformulou o ensino comercial e criou o SENAI.

O ACERVO HISTÓRICO DO LIVRO ESCOLAR – AHLE mantém uma centena de títulos de ensino profissional desde a década de 1940. Formas de organização das relações de trabalho, a especialização de funções, as novas e múltiplas ocupações e os testes vocacionais são alguns dos temas identificados em livros como “Vocação e Orientação” de 1943, “A opção profissional” de 1970 ou a série “Educação para o Trabalho” (orientação para a escolha profissional), da editora Atlas de 1979. (3)

O ensino comercial e industrial a partir da década de 1960 e a proliferação das escolas técnicas, com as mudanças educacionais do período da ditadura militar, definidas pelo acordo MEC-USAID, de assegurar a formação profissional em nível médio, também estão representados no Acervo.

Notas

1. PERES, Fernando Antonio. “Alguns apontamentos sobre o ensino comercial no Brasil”. www.histedbr.fae.unicamp.br

2. Idem

3. “Vocação e Orientação” sem autor, 1943. “A opção profissional”, Fundação Carlos Chagas, 1970; Série “Educação para o Trabalho”, GERENCER, Pavel e Roberto. Atlas, SP, 1979; “Educação para o Trabalho” PILETTI, Cláudio e Nelson, Ática, SP, 1980.