Acervo Histórico do Livro Escolar - AHLE

O ACERVO HISTÓRICO DO LIVRO ESCOLAR é formado pelo conjunto de livros escolares das antigas bibliotecas públicas infantis da cidade de São Paulo.

Com 5 mil volumes, o Acervo é composto por cartilhas, manuais escolares de todas as matérias de ensino, antologias literárias e livros de referência de uso escolar, entre outros, do século XIX até a década de 1980 e abrange os cursos primários, os secundários, os de formação de professor e o ensino técnico.
O Acervo está localizado na Biblioteca Infantojuvenil Monteiro Lobato, equipamento da Secretaria Municipal de Cultura de São Paulo.

Neste blog serão publicadas informações sobre esse acervo.


Seja bem-vindo.







segunda-feira, 31 de outubro de 2016

ARNALDO DE OLIVEIRA BARRETO

São vários os autores de livros escolares em um acervo com cinco mil títulos. Mas alguns se destacam pela quantidade de livros que escreveram, pela especialidade das matérias de ensino que se dedicaram, pela curiosidade sobre a abordagem de determinados temas, pela antiguidade ou  pela formação que tiveram, entre outros fatores.
Arnaldo de Oliveira Barreto (1869-1925) é um desses autores. Inspetor da seção masculina da Escola Caetano de Campos,(1) Barreto escreveu muitos livros escolares e de leitura para crianças.
Foi um dos organizadores da coleção Biblioteca Infantil, da Editora Melhoramentos, no inicio do século XX.  Eram livros que estimulavam a leitura com pequenas histórias já consagradas do universo infantil (neste blog já escrevi sobre essa série).
O ACERVO HISTÓRICO DO LIVRO ESCOLAR – AHLE mantém vários livros deste autor, além dos publicados pela coleção citada. Enumero alguns a seguir:
A pobre abelhinha- leituras extra escolares para meninos de mais de 12 anos. Typ. Siqueira, 1926, provavelmente sobre sua experiência no Caetano de Campos.
Corações de criança. Leituras preparatórias.  Ed. Francisco Alves, 1918.
Cartilhas das mães. Ed. Fco Alves, 1960, 82ª edição. A primeira edição deste livro foi em 1895.
Organizou o livro de Mme. Leprince de Beaumont: O Bazar das creanças diálogos de uma sabia preceptora com suas discípulas, Ed. Garnier, Tomos I e II.
Expomos nas ilustrações outro livro com a organização de Barreto: Vários Estylos – selecta de trabalhos literários de autores modernos e contemporâneos para uso nas classes de gymnasios e Escolas Normaes. Ed. Melhoramentos, 1910 (?), 6ª ed. 
Este último é uma antologia que reúne pequenos textos de autores nacionais e estrangeiros. As ilustrações trazem Olavo Bilac e Vitor Hugo.
O AHLE mantém centenas de títulos de livros de uso escolar com textos literários voltados para os cursos elementares, secundários e de formação de professores.
Indico o site http://www.unicamp.br/iel/memoria/  para aqueles que se interessam pelo tema e também convido-os a pesquisar no nosso ACERVO.

Notas:
(1) Era usual a separação dos gêneros nas escolas. Sobre a Escola Caetano de Campos, verificar, entre outros trabalhos: MONARCHA, Carlos. A escola norma da praça - o lado noturno das luzes. Campinas, Ed. UNICAMP, 1999.


quarta-feira, 19 de outubro de 2016

SOBRE LIVROS ANTIGOS E RAROS



Sobre livros antigos que influenciaram de alguma maneira a atuação do professor em sala de aula, nem sempre se consegue fazer afirmações certeiras. Mas se considerarmos que o livro em questão fez parte do acervo de uma Biblioteca Infantil, que teve um projeto de educação e de cultura[1], fica mais fácil ao menos levantar algumas hipóteses sobre a influência do livro por educadores.
É o que acontece com As sortes de Physica Recreativa, dos professores mais célebres, antigos e modernos, livro que ensina mágica e desvenda magias com explicações e ilustrações. Completando ainda os dizeres da capa: meios maravilhosos, fáceis e baratos de rir e instruir-se.
De autoria de Gastón Robert,  tratasse de nova edição ilustrada com 50 figuras explicativas. O livro data de 1893 e foi editado pela B. L. Garnier, do Rio de Janeiro.
Segundo o prefácio o livro faz parte de uma trilogia que Decremps chamava verdadeiro breviário do Farcista de bom tom. Henri Decremps (1746-1826) foi um mágico francês que publicou A magia branca revelada, desvendando as técnicas usadas para iludir.
Bem, eis um livro raro do século XIX, como outros que pertencem ao ACERVO HISTORICO DO LIVRO ESCOLAR – AHLE. Este provavelmente não foi usado em sala de aula, mas compôs o acervo de uma biblioteca infantil que teve papel fundamental na educação das crianças desde a década de 1930. Não foi a toa que o livro freqüentou as prateleiras dessa Biblioteca.

Notas

[1] Trata-se da Biblioteca Infantil Municipal, criada em 1936, como parte de um projeto de cultura implementado na cidade de São Paulo pelo Departamento de Cultura, na época, dirigido por Mário de Andrade.

terça-feira, 11 de outubro de 2016

LIVROS ESCOLARES DO SÉCULO XIX - Pequena Grammatica da Infância





São poucas as referências que temos sobre exemplares dos livros didáticos publicados do século XIX. Alguns trabalhos sobre a edição de livros escolares no período nos mostram o cenário dessas publicações. A profa. Circe Bittencourt tem textos sobre o tema[1]  e também a profa. Ana Maria de Oliveira[2].
O ACERVO HISTÓRICO DO LIVRO ESCOLAR - AHLE mantém alguns livros oitocentistas já mencionados neste blog, como Os Lusíadas para escolares, publicado por Abílio Cesar Borges, o Barão de Macaúbas.

Pequena Grammatica da Infância, de Joaquim Maria de Lacerda, editado pela H. Garnier, do Rio de Janeiro, é um desses exemplares resguardados pelo AHLE com poucas informações sobre a data de publicação e a circulação do livro. Na capa há indicação “para uso das escolas primárias” e trata-se de “nova edição”.

O autor nasceu no Rio de janeiro em 1838 e faleceu em 1886. Portanto o livro originalmente deve ser da década de 70 ou 80 do século XIX.  Publicações como Alfabeto português e Aritmética da Infância, entre outras, indicam a produção desse autor no gênero do livro didático.

No livro indicado não há prefácio nem introdução. Logo na primeira página Joaquim aborda a Etymologia, como primeira parte do livro, seguida pela Syntaxe, pela Prosódia e pela Orthographia, como quarta parte. Observo, neste blog, a ortografia original do livro. O exemplar tem 120 páginas e nenhuma ilustração.

Eis um exemplar para pesquisadores sobre a evolução da língua portuguesa, sobre a história da gramática e do ensino nas escolas primárias do período.




Notas:




[1] BITTENCOURT, Circe (2004). Apresentação – História, produção e memória do livro didático. In: Educação e Pesquisa. Revista da Faculdade de Educação da USP, v. 30.

 

[2]GALVÃO, Ana Maria Oliveira. A circulação do livro escolar no Brasil oitocentista. UFMG, disponível em  www.anped.org.br/sites/default/files/gt02