Acervo Histórico do Livro Escolar - AHLE

O ACERVO HISTÓRICO DO LIVRO ESCOLAR é formado pelo conjunto de livros escolares das antigas bibliotecas públicas infantis da cidade de São Paulo.

O acervo, com 5 mil volumes, é composto por cartilhas, manuais escolares de todas as matérias de ensino, antologias literárias e livros de referência de uso escolar, entre outros, do século 19 até a década de 1980 e abrange os cursos primários, os secundários, os de formação de professor e o ensino técnico.

Está disponibilizado para pesquisadores e interessados na Biblioteca Monteiro Lobato, equipamento da Secretaria Municipal de Cultura de São Paulo.

Neste blog serão publicadas informações sobre esse acervo.
Seja bem-vindo.

terça-feira, 29 de maio de 2012

Práticas de Leitura



Para a prática de leitura na escola primária nas primeiras décadas do século 20 foram utilizados tanto livros escolares sobre o cotidiano do universo da criança, quanto livros de literatura infantil. Essa literatura foi largamente difundida para incentivar a leitura e como recurso pedagógico.

Naquela momento a recente indústria editorial brasileira buscava no Estado uma frente de recursos, pois livros de uso escolar eram adquiridos pelo poder público (o que acontece até os dias atuais).  Assim muitos autores direcionavam sua produção nessa direção.

Um exemplo de aproximação entre livro escolar e literatura infantil é a publicação Narizinho Arrebitado de Monteiro Lobato, com a recomendação do autor: “para uso nas escolas primárias”. Jogada de marketing?

Publicado em 1921, com a “imprudência editorial” de 50 mil exemplares, o livro foi ofertado para os Grupos Escolares e escolas do Estado de São Paulo. Em uma visita do então Presidente do Estado, Washington Luiz a escolas da capital, surpreendeu-o um livrinho que as crianças carregavam. Era o tal Narizinho Arrebitado. Mandou então que se comprasse e fosse distribuído nas escolas. Com isso a grande tiragem esgotou-se. (1)

Livros de literatura infantil com dizeres “de uso escolar” ou “recomendados como livro de leitura” etc. eram comuns e forma de terem penetração no ambiente escolar e muitas vezes, serem adquiridos pelo Estado.
O AHLE possui, além de cartilhas, livros de primeiras leituras; livros de leitura escolar; de comunicação e expressão; antologias; livros de literatura brasileira e  luso-brasileira. Esses livros  referem-se aos cursos primário e secundário, para usar linguagem mais corrente, já que denominações de graus de ensino mudaram com o tempo por conta das legislações educacionais.

Esses livros de Língua Portuguesa, sem dúvida, trazem a história do livro didático dessa matéria em todas as suas subdivisões.




Notas:
[1] CAVALHEIRTO, Edgard. Monteiro Lobato Vida e Obra. SP, Cia Ed. Nacional, 1955 p.570/571.



sexta-feira, 27 de abril de 2012

D. Quixote de Cervantes

“D Quixote: Cervantes, Portinari - Drummond.”.  Reedição em 1998 do livro que dá outra feição à obra do escritor espanhol publicada no início do século 17.


Essa publicação, de 1998, foi uma iniciativa do Projeto Portinari com o apoio do Ministério da Cultura e distribuída em Bibliotecas Públicas, Centros Culturais e Universidades.

É um livro que amolda composições poéticas de Drummond com os traços de Portinari, emoldurando a obra prima de Miguel de Cervantes.

Um exemplar encontra-se disponível na Seção de Bibliografia e Documentação da Biblioteca Monteiro Lobato.

Para mais informações sobre Portinari: http://www.portinari.org.br/

O Memorial da America Latina expõe até o dia 20 de maio os painéis “Guerra e Paz”:
http://www.memorial.org.br/



sexta-feira, 2 de março de 2012

Contos de Fadas nos Livros escolares

(1)






Neste ano de 2012 comemoram-se os 200 anos da publicação dos “Contos da Criança e do Lar”, escrito pelos irmãos Grimm, autores de histórias infantis consagradas e livro considerado patrimônio mundial pela UNESCO.
Jacob (1785-1863) e Wilhelm (1786-1859) nasceram na Alemanha e tornaram-se conhecidos ao reunirem narrativas da memória popular de tradição oral, origem de vários de seus contos.
Contos de encantamento ou maravilhosos foram utilizados nas escolas, nos livros de leitura, ao lado das narrações árabes e do folclore brasileiro.



Alguns exemplos dessas histórias estão na série Biblioteca Infantil organizada por educadores e publicada pela Editora Melhoramentos no início do século 20, serie que compõe o acervo do AHLE. (2)



Literatura infantil e livro escolar caminharam juntos nas primeiras produções de livros de leitura para a escola. Eram comuns séries de livros denominados Leitura Recreativa Escolar ou coleções de livros de leitura organizados por educadores e, ainda, professores escreverem livros de leitura para as crianças.



Essa fase antecedeu novos ares preconizados por movimentos de renovação educacional que se consolidaram no país nos anos de 1930, quando a produção de livros didáticos para cada matéria de ensino se intensificou.





Ilustrações:



(1) OLIVEIRA, Alaide Lisboa de. Meu coração. SP, Cia Ed. Nacional, 1963.






(2) Idem p.40.






(3) SANTOS, Theobaldo Miranda. Vamos estudar - 1ª serie primária.RJ, Agir, 1965.





segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

Coração - Edmundo De Amicis

“Cuore”, do italiano Edmondo De Amicis (1846-1908) editado originalmente em 1886, teve primeira tradução para a língua portuguesa em 1891, por João Ribeiro, publicado pela Livraria e Editores Francisco Alves. O ACERVO HISTÓRICO DO LIVRO ESCOLAR - AHLE mantém dois volumes dessa tradução: uma de 1946, como 43ª edição e outra de 1953, a 45ª edição.



Em ambas uma advertência do tradutor, datada de 1925, indica porque usa termos em “brasileiro", diferentemente das traduções portuguesas da Europa: a preferência por uma “linguagem comum as expressões nacionais”.
Em forma de diário o livro conta histórias do cotidiano do menino Henrique, durante um ano escolar. É um livro de formação, como muitos da época, com ensinamentos de valores morais e cívicos.
O livro é dividido em meses escolares da Itália da época: de outubro a julho e trata de relatos sobre os colegas, os professores, a família, passeios e festividades. O protagonista, sempre em forma de crônica, traz cartas de seus pais e também contos mensais: “O patriotazinho de Pádua” e ”Naufrágio”, por exemplo, abrem e fecham o diário.
Livros´para crianças e jovens sobre comportamento e formação eram e ainda são comuns, mesmo que com outra roupagem.Temas e conceitos acompanham o contexto no qual foram produzidos e assim fontes de pesquisa precisam ser entendidas na conjuntura em que se deram.
Usado provavelmente como livro de leitura e com clara intenção pedagógica, pois os relatos são quase que diários e em formato curto, a publicação é sustentada por um eixo: acontecimentos por meio da interpretação do narrador, o menino Henrique.
Sucesso editorial quando foi publicado[1], provavelmente pelo apelo ao civismo e ao nacionalismo, valores tão disseminados no Brasil no período pós-república, o livro ganha agora nova edição.
Segundo Mônica Rodrigues da Costa, na Folha de São Paulo, Caderno Ilustrada de 24/12/2011, a editora Cosac Naify lançou nova tradução, por Nilson Moulin.
Esse lançamento traz a tona um livro de ensinamentos lido por várias gerações e que era mais conhecido no âmbito da pesquisa em Educação.


Notas:
[1] Verificar: BASTOS, M. H. C. Cuore, de Edmundo De Amicis (1886).Um sucesso editorial.
Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul. Acesso:
www.galaxy.intercom.org.br

sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

Obras de referência

Obras de referência são aquelas que servem de apoio para ampliarmos ou nos certificarmos sobre o que interessa conhecer mais. Dicionários, vocabulários e Atlas estão nessa categoria.
Esse gênero de livro acompanhou e ainda acompanha a trajetória escolar de muitas gerações e também compôs os acervos das primeiras Bibliotecas Infantis da cidade de São Paulo. O ACERVO HISTÓRICO DO LIVRO ESCOLAR - AHLE resguarda vários desses livros, tais como: Dicionários de língua portuguesa, francesa, de latim e inglês: bilíngües e trilingues; Dicionários de dificuldades da língua; ilustrados; de rimas; de verbos; os chamados Dicionários práticos; vocabulários ortográficos etc., contando uma centena de exemplares. O mais antigo dicionário do AHLE é de língua francesa, de 1914: Larousse élémentaire ilustré.


Dentre esses livros de referência destaco o Dicionário Contemporâneo de Língua Portuguesa, conhecido como Caldas Aulete, de 1958, data da primeira edição brasileira. (1)
A origem desse dicionário consagrado por várias gerações no país é portuguesa, do fim do século 19 e de autoria do lexicógrafo Francisco Julio de Caldas Aulete, que morreu ainda na fase das escrita de sua obra.
Ora, Dicionários têm várias serventias. No livro A Barca de Gleyre, que contém quarenta anos de correspondência de Monteiro Lobato com Godofredo Rangel, seu amigo da época de estudante, Lobato confessa:
Já percorri este ano as primeiras 700 páginas do Aulete e breve chegarei ao fim porque está me agradando o passeio. (06/08/1909, p.258). Ou ainda: ando a passear pelo oceano das palavras, isto é, ando a ler o Dicionário Aulete e vou tomando notas. (p. 260).
Como vemos nem só para consulta serve um Dicionário.
Vale lembrar que atualmente temos o Aulete Digital: http://www.auletedigital.com.br/ disponível pela Lexikon Editora Digital.

Então por que preservarmos o dicionário em papel?
Bem, o site referido não existiria se não fosse a publicação original; os suportes de registros, desde a pedra, historicamente foram mudando: alguns substituídos e outros convivendo simultaneamente e essas mudanças traduzem diferentes expressões e contextos; o livro, como expressão cultural, recupera formas de pensar, de educar, compondo a história de uma época. Além disso, as diferentes edições do Dicionário trazem a possibilidade de estudos comparativos ou sobre as mudanças na língua portuguesa ao longo do tempo.
Assim um acervo como o AHLE preserva a história e resguarda material que interessa a pesquisadores e aos que buscam sua memória escolar.

Notas
(1) O AHLE possui outro exemplar, de 1979, revisado e aumentado.

Bibliografia
LOBATO, Monteiro (1959). A Barca de Gleyre. SP, Brasiliense, 1º tomo.

sexta-feira, 18 de novembro de 2011

Malba Tahan



Malba Tahan (1895-1974), heterônimo de Julio Cesar de Mello e Souza, foi homenageado na Fliporto, evento literário que ocorreu em Olinda, Pernambuco, neste mês de novembro.



Professor de matemática Malba Tahan publicou inúmeros livros didáticos com cunho menos rígido, preocupando-se em atrair crianças e jovens para o mundo da matemática, matéria que muitas vezes foi e ainda é um entrave na trajetória escolar de muitos alunos. A didática do autor na transmissão da matéria não teve muitos seguidores. Afinal o que vemos são livros escolares bem tradicionais no tratamento da matemática para os estudantes. Sem dúvida as novas tecnologias devem ter facilitado, ao menos pela interação, o aprendizado dessa disciplina. Mas essa é outra história.


Em Matemática Divertida e Curiosa, publicado em 1934 há uma ”aula”: A geometria e o amor. Nela o autor relata a percepção de uma moça quando um pretendente seu, ao acompanhá-la de volta para casa, não mais ladeava as faces da praça por onde passavam e sim seguia pela diagonal da praça, mostrando seu desinteresse. Afinal era a linha mais curta.

“O Homem que calculava”, de 1938, por exemplo, talvez seu livro mais conhecido, teve inúmeras edições e foi usado por várias gerações.


Confundido como de origem árabe por conta do pseudônimo esse professor nasceu no Rio de Janeiro e adotou a referência ao mundo árabe “como homenagem ao povo que se notabilizou pelo desenvolvimento da matemática”, de acordo com André Pereira, neto do autor.



Segundo matéria da Folha de São Paulo[1] será lançado um site com vídeos, fotos, textos e entrevistas, como também desafios matemáticos. (www.malbatahan.com.br)



O ACERVO HISTORICO DO LIVRO ESCOLAR resguarda mais de uma dezena de livros do autor, alguns como Mello e Souza e outros como Malba Tahan, tais como: “Diabruras da Matemática” de 1943 e “Matemática Divertida e Delirante”, edição de 1962, entre outros.



Ilustrações:



MELLO E SOUZA. Histórias e fantasias da matemática.Ed. Calvino. 1939.



MELLO E SOUZA. As grandes fantasias da matemática. Ed. Getulio Costa, RJ, 1945.



Notas:
[1] Almeida, Marco Rodrigo. Folha de São Paulo. C. Ilustrada, 12 de novembro de 2011.

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

Ensino de História

A Reforma de ensino dos anos de 1930,(1) que levou o nome do então ministro da Educação, Francisco Campos foi uma iniciativa que organizou a nível nacional os cursos secundários, entre outras disposições. Grau de ensino de alçada do governo central, esses cursos se limitavam a seguir o currículo do Colégio Pedro II do Rio de Janeiro, modelo de ensino para todo o país. É comum em livros escolares mais antigos os dizeres, “De acordo com o programa do Colégio Pedro II”.
Nessa reforma o ensino secundário previa um ciclo fundamental de seis anos onde a disciplina história aparece em todas as séries. Nos ciclos complementares,(2) de dois anos, a história compõe o ciclo para candidatos à Faculdade de Direito.
A história, como disciplina, formou-se, no Brasil, pautada pelo modelo do Instituto Histórico e Geográfico, criado em 1838, permeando-se pela preservação de mitos e heróis e pela incursão em um passado glorioso, de feitos heróicos. Programas oficiais de ensino e os livros didáticos reiteraram essa visão.
Essa tradição positivista ou abordagem tradicional da história privilegia a cronologia, as personagens e suas ações como que descoladas de qualquer contexto. Ou seja, a história vista como uma sucessão de fatos, onde a dimensão individual é reforçada e não um processo dinâmico e contraditório de embates e mudanças. O modelo tradicional do ensino de história foi preponderante e vigorou até os anos de 1960, sendo então reiterado durante o período da Ditadura Militar.
O ACERVO HISTÓRICO DO LIVRO ESCOLAR – AHLE resguarda livros escolares de história desde o fim do século 19 até o início dos anos de 1980, contando com aproximadamente 200 títulos e sem dúvida trazendo um rico panorama do ensino dessa matéria.


Notas:


1. Em 1930, como chefe do governo provisório, Getúlio Vargas criou, entre outros, o Ministério da Educação e Saúde Pública.
2. Eram três ciclos de dois anos, assim distribuídos: candidatos à Faculdade de Direito; candidatos às Faculdades de Medicina, Odontologia e Farmácia e candidatos aos cursos de Engenharia e Arquitetura. Fonte: Romanelli, Otaíza. História da Educação no Brasil. SP, Vozes, 1988
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