Acervo Histórico do Livro Escolar - AHLE

O ACERVO HISTÓRICO DO LIVRO ESCOLAR é formado pelo conjunto de livros escolares das antigas bibliotecas públicas infantis da cidade de São Paulo.

Com 5 mil volumes, o Acervo é composto por cartilhas, manuais escolares de todas as matérias de ensino, antologias literárias e livros de referência de uso escolar, entre outros, do século XIX até a década de 1980 e abrange os cursos primários, os secundários, os de formação de professor e o ensino técnico.
O Acervo está localizado na Biblioteca Infantojuvenil Monteiro Lobato, equipamento da Secretaria Municipal de Cultura de São Paulo.

Neste blog serão publicadas informações sobre esse acervo.


Seja bem-vindo.







terça-feira, 14 de fevereiro de 2017

LITERATURA E LIVROS ESCOLARES




A relação entre literatura infantil e livros escolares é pouco estudada.
Segundo Nelly Novaes Coelho, tanto educadores como escritores foram os precursores dos livros literários para crianças e também dos livros escolares no país. Esses gêneros “tiveram influência na formação da mentalidade brasileira tradicional” [1] e se confundiam quanto aos objetivos de formação moral e de ensinamentos escolares.
1939
Os primeiros livros ou coleções de literatura infantil usados nas escolas foram escritos ou organizados por professores[2] e adotados para a prática da leitura.
Por outro lado, livros escolares ou didáticos não são muito valorizados como produção intelectual, por serem usados num curto período de tempo e descartados ou por não terem valor literário e científico. Mas nas primeiras décadas do século XX vários escritores se dedicaram a escrever livros didáticos ou de uso escolar tais como Cecília Meirelles, Érico Veríssimo e Olavo Bilac, por conta da pouca produção desse gênero de livros.
É recente a busca de livros escolares como fonte de pesquisa, tanto para a história da educação, quanto para a recuperação de aspectos sócio-culturais de um determinado período.
A organização do AHLE em 2008 teve essa função de resguardar livros escolares antigos e disponibilizá-los para a pesquisa. Os vários temas trazidos pelos pesquisadores demonstram as inúmeras possibilidades desse material. 






Notas:


[1] Dicionário crítico da literatura infantil e juvenil brasileira. Edusp, São Paulo, 1995, p.23.

[2] A coleção Biblioteca Infantil, da Ed. Melhoramentos,  foi organizada, entre outros, por Lourenço Filho e Arnaldo de Oliveira barreto.
Essa coleção já foi tema deste Blog em 2011.










quinta-feira, 9 de fevereiro de 2017

CURSOS DE ADMISSÃO AO GINÁSIO

Os Cursos de Admissão foram preparatórios para o ingresso no Curso Ginasial (atual 2º ciclo do Ensino Fundamental).  O aluno, após os quatro anos do curso primário (atual 1º ciclo do Ensino Fundamental), poderia fazer um quinto ano ou então, um exame de admissão composto pelas matérias: Português, Aritmética, Geografia e História.
No art. 3º da Portaria Ministerial n. 325, de 1959, consta que são matérias de exame de admissão: Português, Matemática, História do Brasil e Geografia, especialmente do Brasil.
Parágrafo 1º: Haverá prova escrita e oral de Português etc...
Esses exames foram instituídos por meio da Reforma Francisco Campos, em 1931 e vigoraram até 1971, sendo obrigatórios nas escolas públicas e dificultaram o acesso ao ensino secundário, funcionando assim como um vestibular seletivo.
Os livros escolares de Admissão geralmente são compostos pelas matérias de ensino obrigatórias, com exercícios, textos para o "Ditado" e continham várias estratégias de apoio aos professores.
O ACERVO HISTÓRICO DO LIVRO ESCOLAR – AHLE mantém algumas dezenas de livros de Admissão, dos anos de 1950, 60 e 70, em diversas edições.
Por outro lado existem vários estudos em História da Educação que tratam desses cursos. [1]








[1] Blank, Maria Elizabeth (or.), Aksenen, Elisângela Z. Desvelando os exames de Admissão ao Ginásio na educação paranaense. http://sbhe.org.br/novo/congressos/cbhe7

Verificar também: Narrativas digitais sobre os exames de admissão ao ginásio: egodocumentos e cultura escrita na história do tempo presente. Profa. Dra. Cristiani Bereta da Silva.
 Acesso: http://www.revistas.udesc.br

sexta-feira, 27 de janeiro de 2017

Para que serve conhecer Latim?

Para que serve estudar Latim? Afinal uma língua morta, como dizem, e que não se fala mais?
Pois bem, o Latim já fez parte dos currículos escolares dos cursos ginasiais (atualmente 5ª a 8ª série do ensino fundamental) e dos cursos clássico e científico (antiga divisão do que é hoje o curso médio ou recentemente o 2ª grau). O Latim foi extinto junto a outras línguas como o francês, com a  Lei n. 5692, de 1971, que reformulou toda a estrutura do ensino no Brasil. Atualmente a língua inglesa e a  espanhola fazem parte da grade escolar e o Latim ainda compõe a grade curricular dos cursos superiores de Letras e de Direito.
Bem, estudar ou conhecer o Latim facilita muita coisa: aumenta o vocabulário; promove o entendimento do significado das palavras; facilita o aprendizado das línguas romanas ou latinas e mais, leva ao  conhecimento sobre a origem, a raiz de determinados termos.
Um exemplo clássico é a palavra “lacte” de origem latina: “latte”, em italiano; “leche”, em espanhol; “leite”, em português e “lait” em francês.
Tudo isso para indicar uma recente doação ao Acervo Histórico do Livro Escolar – AHLE:
A Gramática Latina do padre João Ravizza, editado pela antiga Escola Industrial Dom Bosco, em Niterói, 11ª edição, de 1948, acrescida de um compêndio da história da literatura latina.
A última informação sobre esse livro é que foi editado ainda em 1966, em 13ª edição, pelas Escolas Profissionais Salesianas.
Uma ressalva de Rui Barbosa sobre o livro que lhe foi presenteado data de 1918, indicando esse ano como próximo à primeira edição da presente gramática.
Esses e tantos outros livros antigos que foram usados nas nossas escolas são fontes preciosas para a História da Educação, como também para a recuperação de aspectos sócio-culturais da nossa sociedade. A reconstituição desse passado nos serve como referência e reflexão sobre mudanças e permanências da nossa história.
A doação deste livro foi um ato generoso de quem aprecia livros e se preocupa com o uso e o destino que lhe são dados.









sexta-feira, 20 de janeiro de 2017

O ensino da Língua Portuguesa e Humberto de Campos




Humberto de Campos (1886-1934) em Os males do ensino primário[1] escreveu que nunca se meteu em conspiração, mas se as crianças do país se reunissem para linchar um gramático ou um professor de português, que contassem com ele para uma primeira paulada.
O que levaria um renomado jornalista e escritor a fazer tamanha declaração? O que teria o autor contra os gramáticos ou o ensino da língua nas escolas?  Pois o que Humberto de Campos menciona em seu texto era e talvez ainda seja, uma prática pedagógica onde conteúdos e formas de ensino nem sempre são compatíveis com a idade, com a possibilidade cognitiva das crianças ou mesmo com seus interesses.
Claro que hoje em dia tudo isso mudou e faz parte de uma preocupação permanente da didática e das práticas de ensino nas escolas e nos cursos de formação de professores fazer essas adequações.
Mas o exemplo que eu trouxe quase como uma provocação é elucidativo de quantas vezes a escola fica desinteressante, longe dos anseios das crianças e muitas vezes, apresenta dificuldades que não deveriam existir. Não defendo aqui que aprender é sempre muito fácil, ligeiro ou sem uma dose de esforço.
Ora, a curiosidade e a vontade de conhecer são naturais. Qual criança não faz perguntas, não manifesta interesse por isso ou aquilo? Porque há de ser diferente quando entra na escola?
Já ouvi de muitas crianças e jovens que foram obrigados a ler extensos romances que não lhe chamavam a atenção ou que gramática é muito, mas muito complicado. Impossível até.
A educação escolar é uma etapa fundamental na vida das crianças e mostrar uma preocupação para que seja cada vez melhor é um dos objetivos deste curto texto. 
Outro foi trazer a baila Humberto de Campos, que não foi autor de livros didáticos, mas produziu uma vasta obra ao abordar assuntos como a escola e a educação, tendo como cenário as primeiras décadas do século XX.
Ilustro com dois livros próximos ao tema que postei. Um é de Psicologia da Educação e o outro,  sobre práticas de ensino. Esses e inúmeros livros de ensino da Língua Portuguesa, como também livros de formação de professores o AHLE resguarda para pesquisadores e interessados. 




[1] CAMPOS, H. Reminiscências... Obra póstuma. Rio de Janeiro, W. M. Jackson Inc. 1951. A primeira edição foi em 1935.

segunda-feira, 19 de dezembro de 2016

MATEMÁTICAS E GEOMETRIAS


Como método fundamental das ciências, a observação foi a origem de tantas descobertas e explicações sobre o mundo em que vivemos.  Questões do cotidiano e necessidades práticas ajudaram a desenvolver o que sabemos hoje em todas as áreas do conhecimento.
Pois o Acervo Histórico do Livro Escolar – AHLE contribui, senão para o desenvolvimento científico, ao menos para a recuperação histórica de como as ciências eram e ainda são ensinadas nas escolas.
Nesta postagem abordo livros antigos de Geometria. De origem grega, a palavra significa  “medir a terra” (geo-terra, metria).
Necessidades do dia a dia tais como: áreas de plantio, definição de fronteiras, delimitação de posse de terras, construção, entre outras, iniciaram esses cálculos e fórmulas. Foi com o matemático grego Euclides (325-265 a.C) que a Geometria desenvolve-se como ciência.
Para alguns educadores o ensino da geometria não é prestigiado nas aulas de matemática, ficando muitas vezes por último nos planos de curso.
O AHLE resguarda centenas de livros escolares de matemática, álgebra e geometria. Os mais antigos são: Elementos de Geometria de 1892; Elementos de Álgebra, de 1912 e Arithmetica para o curso primário, de 1918.
Quem sabe essas informações que divulgam o Acervo inspirem para uma história do ensino da matemática. Fica aqui a sugestão.


Obs. As ilustrações desta postagem são do livro Elementos de Geometria de 1896 e tem como autoria a sigla F.I.C. que significa a série de livros das escolas da Congregação Fréres de L’Instruction Chrétiene.

quarta-feira, 7 de dezembro de 2016

Sergio Buarque de Hollanda e os livros didáticos de história



São vários os autores que se dedicaram à ficção, a ensaios ou a publicação de livros de teoria e de análise sobre a história e a realidade brasileira e também se dedicaram, em algum momento, a escrever livros didáticos ou de uso escolar para crianças e jovens.

Destaco nesta postagem um desses nomes: Sergio Buarque do Holanda (1902-1982), autor, entre outros livros, de Raízes do Brasil (1936),[1] considerado um dos importantes títulos da moderna historiografia brasileira.
Sobre livros didáticos Sergio Buarque dirigiu pela Cia Editora Nacional, nos anos de 1970, a Coleção Sergio Buarque de Hollanda, com outros autores, como Carla de Queiroz, Sylvia Barboza Ferraz e Virgílio Noya Pinto e assessoria didática complementar de Laima Mesgravis.

Editada entre 1971 e 1989 e composta por livros para as séries ginasiais ou 5ª a 8ª série do 1º grau (de acordo com as mudanças nos nomes  dos cursos), essa coleção foi considerada inovadora como livro escolar de história, tanto em relação à didática e a apresentação dos conteúdos, quanto às ilustrações.[2] 

O AHLE mantém: Das origens à Independência, de 1971 e Da Independência aos nossos dias, de 1972 e 1977 e História da Civilização, para as 7ªs e 8ªs séries do 1º grau (1975), todos pela Cia Ed. Nacional.

Sobre as denominações dos cursos, conforme as diferentes leis do ensino, esclareço a seguir: os cursos ginasiais, com duração de quatro anos eram voltados para alunos entre 10 e 14 anos. Esse curso foi substituído, segundo a Lei n. 5692/71 pelo 1º grau (5ª, 6ª, 7ª e 8ª series) e atualmente corresponde ao 2º ciclo do Ensino Fundamental.

O AHLE resguarda centenas de livros de história muito procurados por pesquisadores. Um dos mais antigos é Resumo da História do Brazil, de José E. C. de Sá e Benevides, editado pela Francisco Alves, 1915, 10. edição.


Notas:



[1] Uma edição comemorativa dos 70 anos desta publicação, em 2006, foi organizada por Ricardo Benzaquen de Araújo e Lilia Moritz Achwarcz. Publicado pela Cia das Letras, reuniu prefácios e introduções ao livro, além de novas contribuições escritas especialmente para a edição.

[2] Verificar: MÁSCULO, Jo´se Cássio. A coleção Sérgio Buarque de Hollanda: livros didáticos e ensino de história. Tese (doutorado), PUCSP, 2008.




segunda-feira, 28 de novembro de 2016

PRÁTICAS DE LEITURA DE TEXTOS LITERÁRIOS NO LIVRO DIDÁTICO



Faço aqui algumas especulações sobre a escola como um dos espaços de formação de leitores. Afinal, ler é um hábito que se forma e é na família, que na maioria das vezes, isso acontece pela aproximação com livros, revistas, gibis, jornais e com adultos que lêem para si e para a criança. Claro que atualmente o texto escrito está também em computadores, celulares, e-books etc. e tal, mas isso não anula a formação do hábito da leitura.

Essa iniciação, que nem todos têm junto à família, envolve ainda mais  o papel da escola na formação da criança leitora e com isso, a utilização do livro didático como uma dos instrumentos para essa   formação.

Desde os livros de primeiras leituras com textos literários infantis,  até as antologias literárias, o livro didático foi e ainda é um material indispensável para abordar textos de literatura e aproximar alunos e alunas com autores mais consagrados, clássicos, contemporâneos e populares. (1)
(1944)

Algumas ideias podem contribuir para essa prática. Por exemplo, conhecer uma biblioteca, mas demoradamente, deixando a criança se aproximar dos livros; incentivar a ‘contação’ de histórias; propor a “hora da leitura”; proporcionar encontros com autores; respeitar  a iniciativa do estudante; transitar por vários gêneros desde a poesia, a crônica, o conto, o romance ou textos opinativos e principalmente,  não impor textos sem conexão com alguma questão de contexto. Mesmo autores de séculos passados têm vínculo com temas que são universais e atemporais. Esse é um dos mais importantes predicados das artes em geral e da literatura em particular.
(1962)

Alguns entraves que podem dificultar a prática da leitura literária na escola: a opinião sedimentada de que o aluno ou aluna não gostam de ler ou mais, “as novas gerações não lêem”; falta de material ou de um ambiente propício; bibliotecas pouco convidativas e também o fato de que nem sempre o professor é um leitor.

Bem toda essa especulação sobre leitura literária e livro didático teve o propósito de trazer alguns livros de leitura na escola de tempos atrás, livros que o ACERVO HISTORICO DO LIVRO ESCOLAR – AHLE mantém em seu acervo.
Afinal não é com a história que apreendemos melhor os tempos atuais? Ou que ao menos nos provoca uma atitude reflexiva e a compreensão da construção de práticas pedagógicas? Ora, estudos comparativos, de métodos, contrastes entre textos e períodos históricos são perspectivas de pesquisa que estimulam novas abordagens. E muitas vezes, não tão novas assim.


Notas:


(1) Uma dissertação de mestrado que aborda essas questões e traz uma bibliografia significativa: Feitosa, Márcia Soares Araujo. Prática docente e leitura de textos literários no Fundamental II: uma incursão pelo programa Hora da Leitura. Mestrado, Faculdade de Educação da USP, 2008. Acessado em 28/11 http://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/