Acervo Histórico do Livro Escolar - AHLE

O ACERVO HISTÓRICO DO LIVRO ESCOLAR é formado pelo conjunto de livros escolares das antigas bibliotecas públicas infantis da cidade de São Paulo.

Com 5 mil volumes, o Acervo é composto por cartilhas, manuais escolares de todas as matérias de ensino, antologias literárias e livros de referência de uso escolar, entre outros, do século XIX até a década de 1980 e abrange os cursos primários, os secundários, os de formação de professor e o ensino técnico.
O Acervo está localizado na Biblioteca Infantojuvenil Monteiro Lobato, equipamento da Secretaria Municipal de Cultura de São Paulo.

Neste blog serão publicadas informações sobre esse acervo.


Seja bem-vindo.







segunda-feira, 14 de março de 2016

Livros escolares escritos por mulheres no início do século XX




 
Dentre as possibilidades de pesquisa  que o livro escolar apresenta, neste texto falarei sobre livros escolares escritos por mulheres e isso no início do século XX. Pensei em um recorte até os anos de 1930.

Para começar sabemos que a escolarização feminina não era prioritária e também que as poucas mulheres que estudavam pertenciam as classes médias ou da elite do país. Várias pesquisas  apontam esses dados.[1]

A maioria dos livros escolares ou de uso escolar escritos por mulheres no período proposto e resguardados pelo  ACERVO HISTÓRICO DO LIVRO ESCOLAR - AHLE são cartilhas e primeiras leituras, material voltado as crianças e seus primeiros passos na escolarização. Assim poesias e pequenas histórias compõem boa parte desses livros.

Quem eram essas autoras? Professoras, a primeira profissão das mulheres das camadas médias, como “vocação”, já que se trata de crianças e  de um ambiente restrito, o escolar.

Listei autoras que compõem o AHLE até 1930. São poucas, como já esperado. Ei-las:

Maria Guilhermina Andrade; Presciliana Duarte de Almeida; Francisca Julia; Rita de Macedo Barreto; Eulália de Abreu Sampaio; Luiza P C Branco; Adelina Lopes Vieira; Julia Lopes Almeida; Maria de Carvalho e Leonor de Campos.
Essas informações reiteram a inclusão limitada das mulheres na educação escolar e também que a autoria de livros didáticos de outras áreas do conhecimento que não os voltados a alfabetização infantil, não fizeram parte do universo feminino. 

Atualmente são vários os trabalhos e pesquisas que tratam da questão de gênero e seus desdobramentos. O AHLE pode contribuir com material para tanto. Fica aqui uma proposta.

 



[1] A mulher na História da Educação brasileira: entraves e avanços de uma época. Ivanilde Alves Monteiro ivamonteiro@yahoo.com.br (UFPE) http://www.histedbr.fe.unicamp.br/acer_histedbr/seminario/
 

quinta-feira, 21 de janeiro de 2016

Livros didáticos de Língua Portuguesa




Ed. do Brasil, SP, 1966, 59ª edição.
Dentre os cinco mil livros do Acervo Histórico do Livro Escolar – AHLE grande parte trata da língua portuguesa. Tanto os de “Primeiras Leituras” para os cursos elementares, quanto os voltados para o antigo curso ginasial, atualmente 2º ciclo do ensino fundamental. Livros do curso secundário, hoje ensino médio, também compõem o AHLE.

Destacarei aqui os livros para as quatro séries do ginásio. Divididos em quatro volumes, esses livros se valiam principalmente de pequenos textos da literatura brasileira e portuguesa para o ensino da gramática. 

Assim, Celso Cunha, Aída Costa, Domingos Paschoal Cegalla, Raul Moreira Léllis, Aníbal Bruno, Enéias Martins de Barros; Naief Safady; G. Guimarães Corrêa; Jose Brasileiro Vilanova e Othoniel Mota, entre outros, foram autores desses livros didáticos    utilizados nas escolas nos anos de 1940 a 1960.

Liv. Fco Alves, RJ, 1963.
Aída Costa, por exemplo, licenciada em Letras pela Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da USP, foi titular de Latim na USP e professora de cursos ginasiais. O AHLE resguarda livros de Português e de Latim de sua autoria. Os de português para o ginásio, por exemplo, são de 1966, na 59ª edição.

Um dos fatores que chama a atenção nesses livros é que foram reeditados por muito tempo, atingindo várias gerações.
Eis aí um tema que pode ser explorado na pesquisa desse material.















sexta-feira, 4 de dezembro de 2015

A História da Educação e as ausências nos livros escolares







Quais são os caminhos que permeiam um tema de pesquisa? Para Eric Hobsbawm[1], historiador inglês, são as indagações do pesquisador o que transforma um material em fonte de pesquisa.  Assim a princípio o pesquisador já construiu algumas questões, fruto das suas incertezas e vontade de investigar. Para tanto conhecimentos anteriores, necessidades acadêmicas e profissionais, sem esquecermos uma pitada de curiosidade, formam o arcabouço que irá direcionar o pesquisador. Direção essa sempre em mudança. Afinal o conhecimento é um processo em construção.


 

O que vamos tratar aqui é de questões postas que não são encontradas, mesmo que a priori o pesquisador já tenha pistas do que não vai achar. Nesse sentido o meu contato com estudantes que buscam nos livros escolares do Acervo Histórico do Livro Escolar temas para seus trabalhos e não acham, resultou nessas considerações sobre as lacunas que os livros escolares apresentam.
Alguns exemplos: informações sobre métodos contraceptivos nos livros de biologia dos anos de 1960 e 1970; reprodução e hormônios nesses mesmos livros; o protagonismo dos afros descendentes no processo de libertação dos escravos; o anarquismo nos livros de história; a figura da criança negra nas capas dos livros; a história da África e por aí vai.
Nesses tempos de controvérsias sobre as mudanças do currículo dos livros de história e de outras matérias de ensino, é bom retomarmos essas questões como forma de trazermos a tona as mudanças e permanências de um tema que não é novo: o que devemos ensinar nas escolas?
Como ilustração vale a pena refletir para que serve a História da Educação. Para avaliarmos a atualidade; para retomarmos em que contextos algumas mudanças aconteceram; para analisarmos criticamente interesses envolvidos e principalmente para pensarmos a escola e a educação como instâncias de situações reais, partes de determinada conjuntura
Tudo isso se aprende com História e muito mais.
O AHLE mantém inúmeros livros de História da Educação usados nos antigos cursos de formação de professores: a Escola Normal ou Curso de Magistério, entre duas centenas de livros indicados para esse grau de ensino.





[1] Eric Hobsbawm. Sobre a História. Cia das Letras, São Paulo,  1998.


quinta-feira, 15 de outubro de 2015

“Notas para um futuro leitor” de Antonio D’Avila



Notas para um futuro leitor: foi com esse título que encontrei um cartãozinho dentro do livro “As modernas directrizes da didactica”, de 1935, do Prof. Antonio d’Avila.[1] Esse livro foi produto da monografia apresentada para o concurso de Metodologia do Ensino Primário, na Escola de Professores da Universidade de São Paulo.
Quase como um desabafo, no tal cartãozinho, o Prof D’Avila declara:
“Escrevi este livro no ano de meu casamento (janeiro de 1935) e trabalhei nele dia e noite, como se vê de suas páginas. Escrever e passar a máquina, levar os originais ao tipógrafo – atrás do Jardim da Luz, rever as provas, corrigi-las – trabalho de Hércules. 200 páginas, como se vê – com enorme soma de consultas. A prova (sobre o concurso) contou de: prova escrita, arquição e aula. Resultado – 1º lugar: Onofre de Arruda Penteado – 6,75. 2º lugar – D’Avila – 6,6. (...) A livre-docência que nos cabia foi-nos negada. Por isso deixei o Instituto de Educação transferindo-me para a Escola Normal Ginásio Ipiranga”.[2]
 
Bem, o livro em questão  nos foi doado já faz um tempo e inserido no ACERVO HISTÓRICO DO LIVRO ESCOLAR – AHLE, mas somente agora, ao folheá-lo por conta de uma pesquisa, encontrei as “notas” descritas.
Sobre Antonio D’Ávila nós já falamos neste blog com algumas informações para pesquisadores da Educação. Aqui interessa certas “pegadas” encontradas em livros antigos, muito além das análises de conteúdos didáticos. São as ressalvas, observações escritas, notas e declarações encontradas tanto no corpo do livro, quanto soltas, como foi o caso do Prof. D’Avila. Marcas do tempo e também depoimentos que mostram sentimentos, opiniões e reflexões sobre o que se lê e no caso descrito, sobre o livro que se escreveu para um concurso.
Outros livros do Prof. D'Ávila que compõem o AHLE: Pátria Brasileira, Páginas Cívicas, Práticas Escolares, Literatura Infanto Juvenil, Guia do Estudante, O Tesouro da Criança e Alvorada. Os dois últimos voltados para o curso primário e organizados em séries graduadas.

  










[1] Editado na Typ. Ideal Heitor L. Canton, São Paulo. O Prof. D'Avila teve ampla produção de livros didáticos para o curso primário e para a formação de professores.

[2] A Escola Normal era anexa ao Ginásio Ipiranga.

quinta-feira, 8 de outubro de 2015

Apontamentos sobre análise de livros escolares antigos

Livros escolares como fonte de pesquisa tem largo alcance. Posso afirmar, pela experiência com a pesquisa nesse material, que desde o formato, a diagramação, a capa, as ilustrações, a grafia, cores, ou seja, feitios materiais dos livros, até a proposta pedagógica, conteúdo, a que público é dedicado,  faixa etária, a metodologia usada etc., são temas que se destacam nas análises desses livros.


Assim, o interesse tanto às especificidades, quanto a ângulos mais amplos estão presentes quando se trata desse material, por serem representativos de aspectos  educativos e socioculturais de um determinado contexto. Por meio de conteúdos, intencionalidades, métodos etc., configuram-se formas de expressão, influências, valores e idéias presentes nos períodos a que se refere o livro ou coleção didática.


Pois esperando contribuir sobre a pesquisa nos livros escolares antigos, que trazem indícios importantes em relação a aspectos da história da educação em nosso país, exponho algumas idéias sobre as possibilidades de análise que oferecem.


A identificação do livro, os conteúdos expostos e a metodologia usada são eixos de análise que devem ser considerados. Deste modo autoria, ano de publicação, edição, tiragem, editora e todas as informações contidas como faixa etária, série escolar a que se destina e outras que se encontram muitas vezes nas páginas iniciais ou finais do livro são elementos que nem sempre se dá a devida atenção. Se for uma reedição, por exemplo, notar se é revisada e buscar dados de outras edições para perceber mudanças na publicação do livro etc. Se o percurso do livro for longo atentar para seu uso por várias gerações e regiões do país, ou seja, sua trajetória e influência no processo de aprendizagem.


Sabemos que livros escolares veiculam o currículo escolar e apresentam saberes organizados. Nesse sentido o que o livro oferece ou omite; a adequação dos conteúdos e a articulação entre eles; idéias e valores presentes; as aspirações e hábitos sociais que veicula traduzem uma visão de mundo. Esses componentes aparecem também nas ilustrações e na forma como as informações se organizam.


Como recurso pedagógico, o livro escolar é um mediador de conteúdos e essa mediação é feita de acordo com métodos de transmissão do conhecimento. Nesse sentido, os sujeitos do processo ensino aprendizagem são levados em consideração? A aquisição do conhecimento se dá com predominante intervenção do professor ou a iniciativa do aluno tem relevância? A adequação à realidade do aluno é fator primordial? Ora essas e outras questões feitas pelo pesquisador podem decifrar as vertentes que sustentam maneiras de expor esses conteúdos. Claro que o professor é fundamental nesse processo e o que acontece em sala de aula o livro didático não mostra, mas é o livro, muitas vezes, o suporte  mais importante na relação entre aluno e professor.

Como exemplo, o livro Contos Infantis em verso e prosa de Adelina Lopes Vieira e Julia Lopes de Almeida[1], teve sua primeira edição em 1891. A edição que o AHLE conserva é de 1927, 17ª ed. Com prólogo da segunda edição, esclarece objetivos, datas, faixa etária adequada, o método usado, entre outras informações. São vários contos singelos, outros exemplares, algumas fábulas, sempre com questões para os alunos responderem no fim do texto. O livro foi aprovado para uso nas escolas primárias pela Inspetoria Geral da Instrução Primária e Secundária da Capital Federal dos Estados Unidos do Brasil em 1891.

Eis algumas poucas informações sobre o livro. E como são as questões colocadas pelo pesquisador que faz de um documento, de um livro ou outro material qualquer fonte de pesquisa, fica aqui uma provocação.


Notas:



[1] VIEIRA, A. L. e ALMEIDA, J. L. Contos Infantis em verso e prosa – adoptados para uso das escolas primárias do Brasil. Rio de Janeiro, Liv. Francisco Alves, 1927.

sexta-feira, 21 de agosto de 2015

ENCICLOPÉDIAS




“A Enciclopédia e o mundo esclarecido em verbetes” foi título de matéria do caderno Ilustríssima, do jornal Folha de São Paulo do último dia 16 de agosto de 2015.
O tema foi o lançamento em cinco volumes, no Brasil, da tradução da Enciclopédia iluminista de Diderot e D’Alembert, publicada originalmente no século XVIII. Na época um trabalho monumental com o objetivo de apresentar “um quadro geral dos esforços do espírito humano de todos os tipos e em todos os séculos”, segundo palavras de Diderot, que reproduzo aqui a partir da matéria acima citada e assinada por Úrsula Passos.
Segundo o dicionário Houaiss, enciclopédia é o “conjunto de todos os conhecimentos humanos ou apenas um domínio deles” expostos de maneira ordenada, seguindo um critério de apresentação alfabética ou temática.
Na iniciativa de se produzir uma enciclopédia está, então,  a aspiração de difundir o conhecimento. Não foi por menos que Diderot, D’Alembert e sua Enciclopédia sofreram perseguições e censuras, até por conta dos autores manifestarem idéias sobre determinadas questões.
Nas Bibliotecas as Enciclopédias são consideradas, junto aos Dicionários e aos Atlas, livros de referência que auxiliam as pesquisas e devem ser consultados no local.
Material que se disseminou a partir do século XX, as enciclopédias compuseram  estantes de várias famílias. Barsa, Britannica e o Tesouro da Juventude entre outras, foram coleções muito difundidas por aqui.

O ACERVO HISTÓRICO DO LIVRO ESCOLAR – AHLE mantém inúmeras enciclopédias usadas para a pesquisa, tanto as mais gerais, como Enciclopédia da Juventude, quanto as específicas, de determinada disciplina: Enciclopédia de Moral e Civismo, de Geografia, de História etc.





quinta-feira, 6 de agosto de 2015

Língua Portuguesa







“Se a frase é a mais perfeita expressão de um idioma, a palavra é o fundamento da frase” (1) Quem, de uma forma ou de outra, já não viu essa afirmação em uma aula ou na leitura de um livro de Língua Portuguesa?
Pois é sobre essa matéria que ocuparemos esse breve espaço do blog.
Dentre os cinco mil livros de todas as matérias que compõem o ACERVO HISTÓRICO DO LIVRO ESCOLAR - AHLE, a maioria é de Língua Portuguesa, em suas várias áreas: Gramática, Redação e Literatura. Claro que  não estão dissociadas, mas dependendo do grau de ensino e da organização curricular, são ministradas separadamente.
Assim, de uma forma simplista, afirmamos que a Gramática sistematiza as regras do idioma falado e escrito; a Redação estimula a produção escrita da língua em suas várias modalidades, como narração, descrição etc., e a Literatura é o conjunto de determinada criação artística em prosa ou verso.
Agora, quando se pretende o estudo desses conceitos, impõe-se a observação tanto em seus aspectos teóricos, quanto históricos. Com isso, um acervo como o AHLE representa a possibilidade de contribuir para a pesquisa nesse sentido, pois resguarda um material que abrange 70 anos consecutivos: das últimas décadas do século XIX aos anos de 1970, com algumas centenas de livros sobre a matéria.

Notas
(1) Bueno, Silveira. Gramática Normativa da Língua Portuguesa. São Paulo, Saraiva, 1968, p. 15.