Livros
escolares como fonte de pesquisa tem largo alcance. Posso afirmar, pela
experiência com a pesquisa nesse material, que desde o formato, a diagramação,
a capa, as ilustrações, a grafia, cores, ou seja, feitios materiais dos
livros, até a proposta pedagógica, conteúdo, a que público é dedicado, faixa etária, a metodologia usada etc., são
temas que se destacam nas análises desses livros.
Assim,
o interesse tanto às especificidades, quanto a ângulos mais amplos estão
presentes quando se trata desse material, por serem representativos de aspectos
educativos e socioculturais de um
determinado contexto. Por meio de conteúdos, intencionalidades, métodos etc.,
configuram-se formas de expressão, influências, valores e idéias presentes nos
períodos a que se refere o livro ou coleção didática.
Pois
esperando contribuir sobre a pesquisa nos livros escolares antigos, que
trazem indícios importantes em relação a aspectos da história da
educação em nosso país, exponho algumas idéias sobre as possibilidades de
análise que oferecem.
A
identificação do livro, os conteúdos expostos e a metodologia usada são eixos
de análise que devem ser considerados. Deste modo autoria, ano de publicação, edição,
tiragem, editora e todas as informações contidas como faixa etária, série
escolar a que se destina e outras que se encontram muitas vezes nas páginas
iniciais ou finais do livro são elementos que nem sempre se dá a devida atenção.
Se for uma reedição, por exemplo, notar se é revisada e buscar dados de outras
edições para perceber mudanças na publicação do livro etc. Se o percurso do
livro for longo atentar para seu uso por várias gerações e regiões do país, ou
seja, sua trajetória e influência no processo de aprendizagem.
Sabemos que livros escolares veiculam o currículo escolar e
apresentam saberes organizados. Nesse sentido o que o livro oferece ou omite; a
adequação dos conteúdos e a articulação entre eles; idéias e valores presentes;
as aspirações e hábitos sociais que veicula traduzem uma visão de mundo. Esses
componentes aparecem também nas ilustrações e na forma como as informações se
organizam.
Como recurso pedagógico, o livro escolar é um mediador de conteúdos e essa mediação é
feita de acordo com métodos de transmissão do conhecimento. Nesse sentido, os
sujeitos do processo ensino aprendizagem são levados em consideração? A aquisição do conhecimento se dá com predominante intervenção do professor
ou a iniciativa do aluno tem relevância? A adequação à realidade do aluno é
fator primordial? Ora essas e outras questões feitas pelo pesquisador podem
decifrar as vertentes que sustentam maneiras de expor esses
conteúdos. Claro que o professor é fundamental nesse processo e o que acontece em sala de aula o livro
didático não mostra, mas é o livro, muitas vezes, o suporte mais importante na relação entre
aluno e professor.
Como
exemplo, o livro Contos Infantis em verso e prosa de Adelina Lopes Vieira
e Julia Lopes de Almeida[1],
teve sua primeira edição em 1891.
A edição que o AHLE
conserva é de 1927, 17ª ed. Com prólogo da segunda edição, esclarece objetivos,
datas, faixa etária adequada, o método usado, entre outras informações. São
vários contos singelos, outros exemplares, algumas fábulas, sempre com questões
para os alunos responderem no fim do texto. O livro foi aprovado para uso nas
escolas primárias pela Inspetoria Geral da Instrução Primária e Secundária da
Capital Federal dos Estados Unidos do Brasil em 1891.
Eis
algumas poucas informações sobre o livro. E como são as questões colocadas pelo
pesquisador que faz de um documento, de um livro ou outro material qualquer fonte de
pesquisa, fica aqui uma provocação.
Notas:
[1] VIEIRA,
A. L. e ALMEIDA, J. L. Contos Infantis em
verso e prosa – adoptados para uso das escolas primárias do Brasil. Rio de
Janeiro, Liv. Francisco Alves, 1927.