Acervo Histórico do Livro Escolar - AHLE

O ACERVO HISTÓRICO DO LIVRO ESCOLAR é formado pelo conjunto de livros escolares das antigas bibliotecas públicas infantis da cidade de São Paulo.

Com 5 mil volumes, o Acervo é composto por cartilhas, manuais escolares de todas as matérias de ensino, antologias literárias e livros de referência de uso escolar, entre outros, do século XIX até a década de 1980 e abrange os cursos primários, os secundários, os de formação de professor e o ensino técnico.
O Acervo está localizado na Biblioteca Infantojuvenil Monteiro Lobato, equipamento da Secretaria Municipal de Cultura de São Paulo.

Neste blog serão publicadas informações sobre esse acervo.


Seja bem-vindo.







terça-feira, 31 de maio de 2016

GUIAS CURRICULARES


Guias curriculares são documentos oficiais informativos sobre currículos escolares de graus e matérias de ensino, basicamente dos anos 1970, baseados nas mudanças educacionais do governo militar.
Esses Guias foram elaborados por profissionais da educação e são considerados de orientação docente.

“Guia” significa dirigir, dar um rumo, termo indicativo do ideário do regime autoritário que se instalou no país.
Com a abertura e novos ares para a educação foram criados os Parâmetros Curriculares Nacionais - PCNs, nos anos 1990, usados como referência a partir da diversidade social e cultural do país. 

O ACERVO HISTÓRICO DO LIVRO ESCOLAR – AHLE, além dos livros escolares, resguarda alguns Guias Curriculares como materiais de auxílio à pesquisa, junto a livros de referência e outros de formação de professores.
Uma última aquisição foi: Guias curriculares propostos para as matérias do núcleo comum do ensino do 1º Grau, da Secretaria da Educação de São Paulo, elaborado pelo Centro de Recursos Humanos e Pesquisas Educacionais Prof. Laerte Ramos de Carvalho.
São guias curriculares de Comunicação e Expressão; Estudos Sociais e Ciências e tratam das mudanças implantadas na Educação pela Lei 5.692/71.

Outros Guias: 
Subsídios para a implementação do guia curricular de língua portuguesa para o 1º grau, de 1981 de autoria de  Marieta Lúcia Machado Nicolau.

Ensinando matemática a crianças – guia para o professor do 1º ano. Centro Brasileiro de Pesquisas Educacionais, de 1960, de Almira Sampaio Brasil da Silva, et alli.



quarta-feira, 18 de maio de 2016

A temática do trabalho

No dia 1º de maio é comemorado o Dia do Trabalhador. Em 1886, nesta mesma data, trabalhadores de Chicago (Estados Unidos da América) promoveram protestos de rua e uma grande greve geral pedindo pela redução da jornada de trabalho, de treze para oito horas. 
Conflitos entre trabalhadores e policiais resultaram na morte de mais de doze manifestantes, sete policiais e dezenas de pessoas feridas. Um ano após o ocorrido, foi decidido então declarar o 1º de Maio como feriado em memória dos trabalhadores em luta por direitos trabalhistas.  
O trabalho é representado de várias formas e a escola teve um papel fundamental na qualificação da mão de obra para o trabalho na fase do desenvolvimento capitalista.

O Acervo Histórico do Livro Escolar - AHLE  possui muitos livros  que abordam a temática do trabalho, bem como uma variedade de ilustrações que retratam o trabalho do campo e da cidade. Os livros de ensino profissionalizante são muito presentes também, dado que por muitos anos as escolas ofereceram cursos técnicos, incentivados como uma alternativa à universidade no período da Ditadura Militar.

Sendo o AHLE um grande registro de 80 anos da educação brasileira, pode-se encontrar nele um vasto material destes livros profissionalizantes. Alguns inclusive trazem ilustrações de jovens exercendo profissões, como na série de livros de leitura O Pedrinho, que numa das capas o personagem aparece como marceneiro. 


Autoria: Aline Oliveira

Graduanda em Letras pela Universidade de São Paulo e estagiária do Acervo Histórico do Livro Escolar -  AHLE


segunda-feira, 11 de abril de 2016

O Idioma Nacional




 

 

Uma das vantagens deste Blog é dar luzes a estudiosos desconhecidos ou já não mais lembrados. Isso porque o ACERVO HISTÓRICO DO LIVRO ESCOLAR – AHLE abriga 80 anos da História da Educação do país e assim agrega títulos e autores mais antigos de livros escolares, muitas vezes, esquecidos. Vale lembrar que esses autores geralmente têm uma produção da escrita não só didática.


Este é o caso de Antenor Nascentes (1886-1972), professor catedrático de português do Colégio Pedro II e considerado um dos grandes estudiosos da língua portuguesa do século XX, com inúmeras publicações. Um dos fundadores da Academia Brasileira de Filologia[1], Antenor, além de livros escolares, foi autor de inúmeros estudos, como o Dicionário Etimológico da Língua Portuguesa, que lhe deu notoriedade no meio literário e acadêmico. Recebeu o prêmio Machado de Assis pelo conjunto da obra em 1962.
Sobre livros escolares, Antenor Nascentes tem uma vasta produção. Destaco a série O Idioma Nacional, em cinco volumes. Essa série é dirigida ao público estudantil e foi publicada nos anos de 1920, pela Typographia A Encadernadora do Rio de Janeiro e como depositário, a Livraria Machado. Outras edições tiveram como depositários a Livraria Alves e a Livraria Briguiet.
O AHLE tem três títulos dessa coleção: os volumes II, 1ª ed. de 1927 e reedição de 1942; o volume III, reedição de 1942 e o volume V, 2ª edição de 1935. O primeiro volume foi publicado em 1926 e não faz parte desse Acervo.
O período de publicação desses volumes é o da naturalização da língua, movimento que se inicia no fim do século XIX, de consolidação da língua brasileira e  do Estado nacional. Chama a atenção, por exemplo, o capítulo sobre a  "Métrica dos Cantadores nordestinos", indício dessa abordagem voltada para a brasilidade.
Outros livros escolares do autor: Dificuldades de análise gramatical de 1959; Método prático de análise sintática, de 1961 e  Dificuldades de análise sintática, de 1961, todos da Francisco Alves Editora, além de vários dicionários.
O AHLE  mantém centenas de livros escolares de língua portuguesa.







[Notas:


1 Criada em  1944, com sede no Rio de Janeiro.




quarta-feira, 23 de março de 2016

O pioneirismo da Biblioteca Infantil Municipal, atual Biblioteca Infanto-Juvenil Monteiro Lobato e seus 80 anos




 

 

 

Em 14 de abril de 1936 foi inaugurada a Biblioteca Infantil Municipal, atual Biblioteca Infanto- Juvenil Monteiro Lobato. Até aqui, 80 anos dedicados à leitura, ao livro, à pesquisa e a projetos para atrair e manter as crianças e jovens em seu espaço. Alguns períodos foram mais intensos, outros menos, mas a origem e o pioneirismo deste equipamento público educativo e cultural dedicado à criança são reconhecidos para se refletir sobre o papel de uma Biblioteca Pública atualmente.

O ACERVO HISTÓRICO DO LIVRO ESCOLAR – AHLE compõe os acervos especiais para pesquisadores desta biblioteca e assim, como forma de homenagear esses 80 anos e também divulgar o material que o AHLE resguarda, resolvi postar livros escolares que fizeram parte da Biblioteca e que estampam imagens de crianças.

Assim retrato uma das funções da biblioteca ao longo de sua história,  qual seja, proporcionar a pesquisa escolar, função que as tecnologias atuais substituíram em parte e também as figuras infantis,  protagonistas do projeto da Biblioteca desde a sua criação.

Sobre a história desta biblioteca[1] existe um blog cujo link está em “sites relacionados” e também outros textos, ambos neste blog.



[1] Verificar entre outros,  ANDREOTTI, A. O Jornal A Voz da Infância (1936-1950) Educação e Cultura na Modernidade Paulistana. Jundiaí, Paco Ed., 2014.

1. ilustração: Fleury, R. S. SP, Record, 1941.
2. ilustração: Viana, A. SP, Cia Ed. Nacional, 1956.
3. ilustração: Ricchetti, H. SP, Cia Ed. Nacional, 1949.
4. ilustração: D'Avila, A.  S.P, Cia Ed. Nacional, 1953.
Obs. Esses livros têm várias edições.

segunda-feira, 14 de março de 2016

Livros escolares escritos por mulheres no início do século XX




 
Dentre as possibilidades de pesquisa  que o livro escolar apresenta, neste texto falarei sobre livros escolares escritos por mulheres e isso no início do século XX. Pensei em um recorte até os anos de 1930.

Para começar sabemos que a escolarização feminina não era prioritária e também que as poucas mulheres que estudavam pertenciam as classes médias ou da elite do país. Várias pesquisas  apontam esses dados.[1]

A maioria dos livros escolares ou de uso escolar escritos por mulheres no período proposto e resguardados pelo  ACERVO HISTÓRICO DO LIVRO ESCOLAR - AHLE são cartilhas e primeiras leituras, material voltado as crianças e seus primeiros passos na escolarização. Assim poesias e pequenas histórias compõem boa parte desses livros.

Quem eram essas autoras? Professoras, a primeira profissão das mulheres das camadas médias, como “vocação”, já que se trata de crianças e  de um ambiente restrito, o escolar.

Listei autoras que compõem o AHLE até 1930. São poucas, como já esperado. Ei-las:

Maria Guilhermina Andrade; Presciliana Duarte de Almeida; Francisca Julia; Rita de Macedo Barreto; Eulália de Abreu Sampaio; Luiza P C Branco; Adelina Lopes Vieira; Julia Lopes Almeida; Maria de Carvalho e Leonor de Campos.
Essas informações reiteram a inclusão limitada das mulheres na educação escolar e também que a autoria de livros didáticos de outras áreas do conhecimento que não os voltados a alfabetização infantil, não fizeram parte do universo feminino. 

Atualmente são vários os trabalhos e pesquisas que tratam da questão de gênero e seus desdobramentos. O AHLE pode contribuir com material para tanto. Fica aqui uma proposta.

 



[1] A mulher na História da Educação brasileira: entraves e avanços de uma época. Ivanilde Alves Monteiro ivamonteiro@yahoo.com.br (UFPE) http://www.histedbr.fe.unicamp.br/acer_histedbr/seminario/
 

quinta-feira, 21 de janeiro de 2016

Livros didáticos de Língua Portuguesa




Ed. do Brasil, SP, 1966, 59ª edição.
Dentre os cinco mil livros do Acervo Histórico do Livro Escolar – AHLE grande parte trata da língua portuguesa. Tanto os de “Primeiras Leituras” para os cursos elementares, quanto os voltados para o antigo curso ginasial, atualmente 2º ciclo do ensino fundamental. Livros do curso secundário, hoje ensino médio, também compõem o AHLE.

Destacarei aqui os livros para as quatro séries do ginásio. Divididos em quatro volumes, esses livros se valiam principalmente de pequenos textos da literatura brasileira e portuguesa para o ensino da gramática. 

Assim, Celso Cunha, Aída Costa, Domingos Paschoal Cegalla, Raul Moreira Léllis, Aníbal Bruno, Enéias Martins de Barros; Naief Safady; G. Guimarães Corrêa; Jose Brasileiro Vilanova e Othoniel Mota, entre outros, foram autores desses livros didáticos    utilizados nas escolas nos anos de 1940 a 1960.

Liv. Fco Alves, RJ, 1963.
Aída Costa, por exemplo, licenciada em Letras pela Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da USP, foi titular de Latim na USP e professora de cursos ginasiais. O AHLE resguarda livros de Português e de Latim de sua autoria. Os de português para o ginásio, por exemplo, são de 1966, na 59ª edição.

Um dos fatores que chama a atenção nesses livros é que foram reeditados por muito tempo, atingindo várias gerações.
Eis aí um tema que pode ser explorado na pesquisa desse material.















sexta-feira, 4 de dezembro de 2015

A História da Educação e as ausências nos livros escolares







Quais são os caminhos que permeiam um tema de pesquisa? Para Eric Hobsbawm[1], historiador inglês, são as indagações do pesquisador o que transforma um material em fonte de pesquisa.  Assim a princípio o pesquisador já construiu algumas questões, fruto das suas incertezas e vontade de investigar. Para tanto conhecimentos anteriores, necessidades acadêmicas e profissionais, sem esquecermos uma pitada de curiosidade, formam o arcabouço que irá direcionar o pesquisador. Direção essa sempre em mudança. Afinal o conhecimento é um processo em construção.


 

O que vamos tratar aqui é de questões postas que não são encontradas, mesmo que a priori o pesquisador já tenha pistas do que não vai achar. Nesse sentido o meu contato com estudantes que buscam nos livros escolares do Acervo Histórico do Livro Escolar temas para seus trabalhos e não acham, resultou nessas considerações sobre as lacunas que os livros escolares apresentam.
Alguns exemplos: informações sobre métodos contraceptivos nos livros de biologia dos anos de 1960 e 1970; reprodução e hormônios nesses mesmos livros; o protagonismo dos afros descendentes no processo de libertação dos escravos; o anarquismo nos livros de história; a figura da criança negra nas capas dos livros; a história da África e por aí vai.
Nesses tempos de controvérsias sobre as mudanças do currículo dos livros de história e de outras matérias de ensino, é bom retomarmos essas questões como forma de trazermos a tona as mudanças e permanências de um tema que não é novo: o que devemos ensinar nas escolas?
Como ilustração vale a pena refletir para que serve a História da Educação. Para avaliarmos a atualidade; para retomarmos em que contextos algumas mudanças aconteceram; para analisarmos criticamente interesses envolvidos e principalmente para pensarmos a escola e a educação como instâncias de situações reais, partes de determinada conjuntura
Tudo isso se aprende com História e muito mais.
O AHLE mantém inúmeros livros de História da Educação usados nos antigos cursos de formação de professores: a Escola Normal ou Curso de Magistério, entre duas centenas de livros indicados para esse grau de ensino.





[1] Eric Hobsbawm. Sobre a História. Cia das Letras, São Paulo,  1998.