Acervo Histórico do Livro Escolar - AHLE

O ACERVO HISTÓRICO DO LIVRO ESCOLAR é formado pelo conjunto de livros escolares das antigas bibliotecas públicas infantis da cidade de São Paulo.

Com 5 mil volumes, o Acervo é composto por cartilhas, manuais escolares de todas as matérias de ensino, antologias literárias e livros de referência de uso escolar, entre outros, do século XIX até a década de 1980 e abrange os cursos primários, os secundários, os de formação de professor e o ensino técnico.
O Acervo está localizado na Biblioteca Infantojuvenil Monteiro Lobato, equipamento da Secretaria Municipal de Cultura de São Paulo.

Neste blog serão publicadas informações sobre esse acervo.


Seja bem-vindo.







terça-feira, 21 de janeiro de 2014

São Paulo nos livros escolares


A Vila de São Paulo, origem da cidade cosmopolita atual, foi fundada em 25 de janeiro de 1554 com uma missa e inauguração do Real Colégio de São Paulo de Piratininga pelos jesuítas. Instalada no planalto enfrentava grandes dificuldades, tanto pela serra de difícil acesso que a separava do litoral, quanto pela crueza na relação com os índios, os primeiros donos da terra.

A Vila era cercada como proteção e seus moradores constituíam-se de portugueses colonos, degredados, jesuítas e indígenas escravizados, capturados nas guerras e  os catequizados, na maioria Tupiniquins, que viviam no planalto.

         A Câmara da Vila já funcionava e era composta por um juiz, dois ou três vereadores, um procurador do conselho, um escrivão, um almotacel e um alcaide que se reuniam regularmente e, através das “posturas” (regulamentos) tratavam de questões administrativas e dos problemas cotidianos. Essas reuniões eram documentadas em forma de Atas e hoje se constituem em testemunho desses primeiros tempos.

          Referindo-se a cidade de São Paulo, o historiador Affonso d’Escragnolle Taunay aponta que: nenhuma das nossas grandes cidades quinhentistas pode ufanar-se da posse de um archivo como o de São Paulo. (TAUNAY,1920: 22).  Pois esse arquivo de que trata o historiador são as Atas da Câmara de Santo André da Borda do Campo e as Atas da Câmara da Villa de São Paulo, desde o século 16,  que se encontram no Arquivo Histórico Municipal de São Paulo.

As Atas da Câmara, na sua forma original, são manuscritos de papel de trapo, de difícil leitura pela ortografia da época e caligrafia dos escrivães.  Mas em 1914 foram decifradas e publicadas, ao longo do tempo, em livros. São 35 volumes, de 1555 até 1826, cuja decifração paleográfica dos 26 primeiros volumes ficou a cargo de Francisco de Escobar e os restantes por Manuel Alves de Souza, taquígrafo oficial, com o apoio de Washington Luis, então prefeito de São Paulo.

Além do testemunho desses documentos, São Paulo, que comemora no dia 25 próximo 460 anos, é retratada na literatura, na música e na pintura. “Adoro minha paulicéia e sou indivíduo do Brasil. Mas que gosto da rua Quinze, isso gosto deslumbrantemente”,  declarava Mário de Andrade em Pau-Brasil, 1925.

Já nos livros escolares, tema principal deste Blog, São Paulo é representada nas disciplinas de História e Geografia com diferentes enfoques que se inserem nos contextos em que foram produzidos. Por exemplo, nos livros do século 19 há o enaltecimento da cidade e do Estado que se desenvolvem rapidamente  e se adiantam economicamente ao país; já durante o Estado Novo, a figura do bandeirante é cultuada, principalmente após a derrota de São Paulo na Revolução Constitucionalista de 1932  e assim por diante.

O ACERVO HISTÓRICO DO LIVRO ESCOLAR – AHLE resguarda inúmeros livros didáticos e para-didáticos que tratam da cidade e do Estado de São  Paulo em vários momentos de sua história.



 
Bibliografia:

ANDRADE, Mário de. Oswald de Andrade:Pau Brasil. set, 1925. IEB/USP.
 
TAUNAY, Affonso d’Escragnolle. “São Paulo nos primeiros anos (1554-1601) Ensaio de reconstituição social.” Tours Imprenta de E. Arrault et Cie, 1920.

terça-feira, 17 de dezembro de 2013

Literatura infantil nas escolas





Mais um ano termina e assim resolvi fazer um balanço das pesquisas realizadas em torno do Acervo Histórico do Livro Escolar – AHLE. O Blog, o Twitter e a divulgação do Acervo nas universidades sem dúvida contribuem para sua procura, como também o tal  “boca a boca”. Professores, alunos e pesquisadores que  conhecem o AHLE ajudam a divulgá-lo. Organizado em 2008 este Acervo é recente, mas reconhecido pelo material que resguarda e também pelo atendimento as pesquisas procuradas.
Em 2014 vamos colocá-lo no sistema Alexandria, instrumento de busca das Bibliotecas da Secretaria Municipal de Cultura de São Paulo. Isso facilitará a pesquisa, principalmente aos que se encontram fora da cidade de São Paulo. Atualmente as buscas são feitas com a minha intermediação, através do emeio zi.andreotti@gmail.com
A digitalização do AHLE ainda está longe de ser concretizada. Alguns pouquíssimos livros estão digitalizados, mas chegaremos lá.
Bem quanto as pesquisas do ano que passou, muitas versaram sobre literatura infantil por meio dos textos usados nas escolas; sobre o ensino da literatura infantil; sobre cenas de leitura;  gramática;  formação de professores; sobre livros de história durante a Ditadura Militar de 1964; sobre o ensino de música; educação física; a representação dos negros e índios, entre outros e muitas focaram as primeiras décadas do século 20. Também a memória afetiva atraiu o público em busca de livros que estudaram na infância.
Para ilustrar esse fim de ano e a vocação do AHLE busquei uma figura do 3º Livro Ilustrado, de contos e narrativas para o ensino infantil.
Esse livro de autoria de J. Staub e editado em Zurich pela Kunzli Freres, provavelmente no início do século 20 contém quadros para o "ensino intuitivo".  A edição de livros no exterior, como também modelos estrangeiros, como a ilustração acima,  foi uma realidade que mudou nas primeiras décadas do século 20, com a expansão de editoras daqui, com a produção nacional de histórias infantis e também com  novas abordagens e  enfoques pedagógicos.
Além de quadros ilustrativos, o livro traz poesias e contos voltados às crianças, como  "os repteis" ou  "o esforço individual". Assim, conteúdos escolares e situações exemplares se mesclam como modelo de educação.
O AHLE mantém um acervo significativo de livros escolares de leitura para as crianças, além de antologias e outros de ensino da lingua portuguesa.
 

segunda-feira, 25 de novembro de 2013

Biblioteca Pedagógica Brasileira




Fernando de Azevedo (1894-1974) autor consagrado pela produção teórica, principalmente na área da Educação, já foi tema de vários estudos acadêmicos, principalmente em História da Educação. (1)
Com inúmeros títulos publicados, Fernando de Azevedo, um dos signatários da “Escola Nova” (2) criou, em 1931, a Biblioteca Pedagógica Brasileira - B.P.B., coleção produzida pela Cia Editora Nacional e coordenada por ele até 1946. Essa publicação era dividida em cinco séries:


A primeira, “Literatura Infantil”, teve como volume inicial "Cazuza" de Viriato Correia e vários outros, escritos por Monteiro Lobato;
A segunda série, “Livros Didáticos”, se ateve a publicações sobre língua portuguesa;



Na série 3,“Atualidades Pedagógicas”, foi incluído o livro "Novos caminhos e Novos Fins”, do próprio F. Azevedo, em que é apresentada a Reforma da Escola Nova.
A Série 4, “Iniciação Científica”, teve publicações sobre Sociologia, Psicologia e outras ciências, destacando-se alguns livros de Freud.
E a quinta série, chamada “Brasiliana”, dedicava-se a publicações de História do Brasil.

A coleção B.P.B. era voltada para diferentes públicos, mas a formação de professores foi seu alvo principal, provavelmente em função da expansão do ensino nos anos 1930 e 1940 e a necessidade de qualificação dos profissionais da educação.
O ACERVO HISTÓRICO DO LIVRO ESCOLAR – AHLE tem vários títulos dessa coleção e também de outras, já que seu acervo abrange 70 anos da nossa História da Educação.
Destaquei alguns para ilustrar esse pequeno texto, independente dos títulos mencionados.


Notas:

(1) Entre outros, verificar: www.histedbr.fae.unicamp.br site do Grupo de Pesquisas História, Sociedade e Educação no Brasil, do Departamento de História da Educação, da Faculdade de Educação da UNICAMP que traz alguns estudos sobre o autor.
Fernando de Azevedo também ocupou cargos públicos na área da Educação.

(2) O Movimento da Escola Nova caracterizou-se por novas idéias pedagógicas que se contrapunham aos adotados pela escola tradicional. Vários estudiosos analisaram esse movimento. Destaco, entre outros, Dermeval Saviani. O site sugerido na 1ª nota contém o Manifesto dos Pioneiros da Educação.

sexta-feira, 25 de outubro de 2013

Atlas e Livros de Referência






Atlas, na mitologia grega é representado pela imagem de um titã carregando o céu nos ombros.Segundo o dicionário Houaiss, Atlas significa uma coleção de mapas ou cartas geográficas organizada em volumes.Nas Bibliotecas e escolas o Atlas é obra de referência para consulta, ao lado dos dicionários.
Mais conhecido como livro de referência para a geografia, o Atlas pode ser histórico ou de outras disciplinas de ensino e assim, considerado como um conjunto de informações organizadas sobre determinado tema.
Por outro lado, a elaboração de cartas geográficas ou cartografia é orientada por técnicas, por conhecimentos científicos e também pela arte gráfica.. Quem já observou um mapa atentamente sabe desses requisitos.
O ACERVO HISTÓRICO DO LIVRO ESCOLAR – AHLE preserva Atlas de anatomia humana, de astronomia, das raças humanas, botânico, de mineralogia, atlas histórico, de educação moral e cívica e claro, o mais consagrado, de geografia.
"Cartografia: conheça São Paulo através de seus mapas", de 1966 é um dos títulos desse Acervo.
Por que resguardar Atlas geográfico antigos e outros? E mais, na era do Google mapas? Ora, esses livros trazem informações para estudantes, pesquisadores ou o público interessado, como registros de tempos passados e assim reconstituem a trajetória de modos de ensinar, de apresentar conteúdos escolares e das mudanças  políticas, econômicas e sociais que os Atlas nos mostram.

Notas


1. Primeira Ilustração: 62 Mappas de Geographia physica e politica. Instituto Geografico de Agostini, Italia e Collegio Salesiano Santa Rosa, Rio de Janeiro, 1921.


2. Segunda Ilustração: J.MOnteiro e F. d'Oliveira. Livrarias Aillaud & Bertrand, Livraria Francisco Alves, 1927.

terça-feira, 1 de outubro de 2013

O educador Antonio D'Ávila





(1)

Antonio D’Ávila (1903-1989) nasceu em Jaú e diplomou-se pela Escola Normal de São Paulo em 1920. A produção teórica de D’Ávila é pautada por livros didáticos para o antigo curso primário, para a formação de professores, como também artigos em revistas e jornais. Atuou em entidades culturais e educacionais e foi testemunha dos vários projetos e das diversas leis de diretrizes sobre a Educação no país.

Uma breve biografia e outros dados sobre o autor se encontram em textos da pesquisadora Thabata Aline Trevisan, tais como:"A Pedagogia segundo A. D'Avila" Disponível em http://alb.com.br/arquivo-morto/edicoes_anteriores/anais16/sem07pdf/sm07ss14_09.pdf

“O ensino da leitura e escrita segundo Antonio D’Ávila: práticas escolares(1940)”, disponível na Revista Brasileira de História da Educação V. 9, n. 20, p. 165-191 maio/ago 2009.

“A pedagogia por meio de pedagogia: teoria e prática”, disponível em  http://www.marilia.unesp.br/Home/Pos-Graduacao/Educacao/Dissertacoes/trevisan_ta_me_mar.pdf


             (2)





O ACERVO HISTÓRICO DO LIVRO ESCOLAR - AHLE mantém duas centenas de livros de formação de professores, onde se encontram vários educadores que editaram livros didáticos para o antigo Curso do Magistério ou Escola Normal.

Entre outros "As modernas directrizes da didactica" de 1935, monografia de Antonio DÁvila que será tratada em próximo artigo deste blog.


Obs. Colaborou com este texto Geize Costa dos Santos, estudante de Letras e estagiária da Biblioteca Monteiro Lobato.





Notas:

(1) Primeira ilustração:"Guia do Estudante". São Paulo, Tip. Ideal, 1939 (269p.)

(2) ROCCO, Prof. Dr. Salvador & (org).Poliantéia Comemorativa 1846- 1946- 1º Centenário do Ensino Normal
de São Paulo. SP: Gráfica Básica, 1946.

quarta-feira, 11 de setembro de 2013

Escola Normal de S. Paulo



"Aos dois dias do mêz de agosto do anno de 1894, a uma hora da tarde, na sala principal do edificio da escola Normal da capital de S. Paulo, sito á praça da Republica....(...)
O Estado entrega ao serviço publico um dos estabelecimentos que mais engrandecem a sua civilização..."
Discurso do dr. Bernardino de Campos (presidente do Estado).



Pois foi nesse dia que o atual prédio da Secretaria da Educação de São Paulo, criado pelo arquiteto Ramos de Azevedo, foi inaugurado.

Escola Normal de São Paulo, Escola Normal da Praça ou Instituto de Educação Caetano de Campos foram algumas das denominações que desde 1846, acompanharam um projeto de curso para a formação de professores.
Com várias interrupções,somente a partir de 1880 funcionou com mais regularidade.
O ACERVO HISTÓRICO DO LIVRO ESCOLAR - AHLE incorporou o presente livro que nos traz além da sessão inaugural do Edificio da Escola Normal, a sessão de Inauguração da Escola Polytechnica, em fevereiro de 1894 e do Gimnasio de S. Paulo, em setembro do mesmo ano.

O AHLE mantém três centenas de livros para a formação de professores datados dos anos de 1930 até anos 70, que tratam da trajetória do curso Normal de São Paulo e também das mudanças curriculares que o acompanharam.





segunda-feira, 2 de setembro de 2013

Livro escolar como fonte de pesquisa e as Bibliotecas Infantis de São Paulo



D'ÁVILA, Antônio.
O tesouro da criança.
 SP; Companhia Editora Nacional, 1963.
 
Como objeto da cultura, o livro escolar insere-se em um contexto histórico e cultural, como produto da intencionalidade do processo educativo. Instrumento pedagógico, o livro escolar é expressão de conteúdos, de métodos de ensino, mas também de ausências, do que foi excluído, além de não revelar seu uso na prática educativa.
Nesse sentido a reunião de informações, muitas vezes fragmentadas e as conexões com um universo mais amplo, transformam esse material em significados explicativos, que contribuem para o conhecimento do processo educacional.
Para tanto o livro escolar é um material que por si só não contém um caráter elucidativo; a problematização dentro de um referencial teórico; o cuidado para não nos deixarmos influenciar por uma visão impregnada do presente e a necessidade de historicizá-los são alguns procedimentos que atribuem ao livro escolar valor documental.
Esses livros podem ser estudados em várias áreas do conhecimento histórico. Por exemplo, ao resguardarem uma forma de expressão que se alterou com o tempo, proporcionam a recuperação dos modos de comunicação e de linguagem entre o autor, o editor e a criança e o jovem escolar. As diferentes edições de um mesmo título oferecem revisões do livro, novas ilustrações, capas diferentes, informações que caracterizam as mudanças editoriais e o percurso da produção do livro escolar.



SANTOS, Theobaldo Miranda.
 Vamos Estudar?.
RJ: Livraria AGIR Editora, 1965.
No caso específico do Acervo Histórico do Livro Escolar – AHLE¹ a preservação desses livros, que na sua origem estavam disponíveis nas Bibliotecas Infantis de São Paulo, implica também a preservação da memória educativa e cultural de várias gerações que passaram por essas Bibliotecas, pois a maioria dos livros apresenta bolso com o cartão para empréstimo e o registro da freqüência com que foram retirados.
A história e a função dessas bibliotecas ao longo do tempo transparecem nesse acervo, que além de fonte de pesquisa, tem um apelo reminiscente, de recordação².

Notas

1. A origem do AHLE está no primeiro texto deste Blog.
2. A função e a organização das bibliotecas ao longo do tempo é tema presente no livro organizado por: BARATIN, Marc e JACOB Christian. O poder das Bibliotecas, a memória dos livros no Ocidente. Rio de Janeiro, UFRJ, 2006. São 14 textos a partir de um simpósio sobre bibliotecas na Biblioteca Nacional da França em 1993. Publicado em 1995 é recente sua tradução.